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Artroscopia de quadril

O que é artroscopia de quadril?

A artroscopia de quadril é um procedimento cirúrgico realizado com o auxílio de câmera e instrumentos pouco invasivos no quadril, por meio de 2 ou 3 pequenos cortes na pele, sendo uma cirurgia menos invasiva do que cirurgias abertas, ou seja, cirurgias nas quais se faz um corte maior na pele, dissecção dos músculos e tendões e abertura da cápsula articular para que se consiga fazer uma abordagem cirúrgica na articulação do quadril.

Devido ao maior dano causado pelas cirurgias abertas, elas tendem a ter uma recuperação mais lenta e com mais dor, fazendo com que técnicas cirúrgicas menos invasivas tenham sido desenvolvidas nas últimas décadas.

Artroscopia de Quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando como é realizada a artroscopia de quadril. É uma cirurgia pouco invasiva, sendo feita por meio de instrumentos inseridos no quadril através de pequenas incisões, auxiliada com a visualização com uma câmera.

Quando é indicada a artroscopia de quadril?

A artroscopia de quadril é indicada para tratar patologias tanto intra-articulares (dentro da articulação), quanto extra-articulares (fora, ou ao redor da articulação). As principais lesões intra-articulares são:

Impacto fêmoro-acetabular

O impacto fêmoro-acetabular é uma patologia do quadril causada por uma saliência de osso na transição da cabeça com o colo do fêmur ou na borda do acetábulo (região da bacia onde se encaixa a cabeça do fêmur). Tais saliências levam ao impacto do fêmur na bacia ao se fazer muita flexão do quadril, causando dor nessa articulação.

Tipos de impacto fêmoro-acetabular | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando os 2 tipos de impacto fêmoro-acetabular: tipo Pincer, quando há uma saliência de osso na borda do acetábulo e tipo CAME, quando há uma saliência óssea no fêmur.

Ela afeta principalmente pacientes jovens, praticantes de atividades físicas, causando limitações ou mesmo impedindo que as atividades sejam realizadas. O tratamento se inicia com medicações analgésicas, Fisioterapia, repouso e mudanças nas atividades físicas.

Entretanto, os casos que não melhoram com essas medidas devem ser submetidos a tratamento cirúrgico, sendo a artroscopia de quadril o padrão-ouro na atualidade.

Nessa cirurgia é feita uma raspagem das saliências ósseas de forma minimamente invasiva, devolvendo uma anatomia normal ao quadril do paciente, que pode voltar a praticar suas atividades após o período de reabilitação.

Lesão do lábio acetabular

O lábio acetabular é uma estrutura de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo. Ele possui diversas funções importantes no quadril, tais como selar, estabilizar e aprofundar a articulação. Dessa forma, possui uma extensa inervação, e quando apresenta uma lesão, costuma causar dor nos pacientes, que pode limitar a realização de atividades esportivas e até cotidianas.

Lesão e destacamento do lábio acetabular | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando um quadril saudável a esquerda e um quadril com lesão e destacamento do lábio acetabular (ou labrum).

Da mesma forma que o impacto fêmoro-acetabular, seu tratamento se inicia com medidas conservadoras, como uso de anti-inflamatórios e reabilitação muscular.

Caso os sintomas persistam, a artroscopia de quadril é realizada, para que seja feita a sutura da lesão labral com uso de âncoras bioabsorvíveis, através da artroscopia do quadril.

Corpos livres no quadril

Corpos livres são fragmentos de osso ou cartilagem que podem ficar soltos na articulação após um trauma afetando o quadril, ou mais raramente, pode ser um objeto introduzido na articulação, como um projétil de bala ali alojado.

Esses corpos livres causam dor e podem danificar o quadril, e dessa forma devem ser retirados da articulação. Isso pode ser feito com uma cirurgia aberta, que causaria um grande dano ao redor do quadril, ou por meio da artroscopia do quadril, de forma minimamente invasiva.

Além disso, com a artroscopia do quadril, possíveis lesões associadas, como lesão do lábio acetabular ou da cartilagem articular, podem ser tratadas com a artroscopia.

Lesões da cartilagem articular

Assim como em qualquer outra articulação, os ossos presentes no quadril (cabeça do fêmur e acetábulo) são revestidos pela cartilagem articular, permitindo que os movimentos sejam realizados de forma indolor e sem atrito.

Casos de trauma no quadril, como lesões esportivas ou acidentes automobilísticos, podem causar danos à cartilagem articular, gerando dor na articulação.

Dessa forma, a artroscopia pode ser utilizada para o reparo ou ressecção dessas lesões, melhorando a dor e outros sintomas apresentados pelos pacientes.

Doenças da sinóvia

Sinóvia é uma membrana que recobre a parte interna da cápsula articular do quadril, responsável pela produção do líquido sinovial, que lubrifica e nutre a articulação

Algumas pessoas possuem doenças dessa membrana, causando dores na articulação. As principais doenças da sinóvia do quadril são:

  • Sinovite vilonodular pigmentada: a membrana fica recoberta por vilosidades, que são redundâncias de tecidos, como se fossem saliências em toda a extensão da cápsula articular. Essas alterações causam inflamação e dor na articulação
  • Condromatose sinovial: ocorre pela formação de pedações de cartilagem na cápsula articular, que em alguns casos podem inclusive calcificar, causando dor no quadril afetado

Além das patologias que ocorrem dentro da articulação, a artroscopia do quadril também pode ser realizada para o tratamento de lesões que estão ao redor da articulação, chamadas de patologias extra articulares. As principais delas são:

Ruptura de tendões glúteos

Os tendões dos glúteos médio e mínimo têm uma função primordial no quadril, sendo os principais abdutores (realizam o movimento de abertura) dessa articulação, além de serem essenciais na deambulação. Por estarem entre o trocanter maior do fêmur e o trato iliotibial, sofrem um atrito constante, gerando inflamação e degeneração em seu tecido.

Nesses casos, o tratamento conservador, com Fisioterapia, compressas geladas e anti-inflamatórios resolve a grande maioria dos casos.

Entretanto, em casos de ruptura avançada dos tendões, os pacientes podem apresentar dor importante e limitações para andar e realizar atividades físicas, necessitando de cirurgia para reparo da ruptura.

Esse reparo é feito com a utilização de âncoras bioabsorvíveis, e pode ser realizado de forma aberta ou artroscópica, ambos gerando bons resultados aos pacientes.

Lesão avançada de tendões glúteos | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando uma lesão avançada de tendões glúteos, sendo repara com âncoras bioabsorvíveis (pequenos parafusos plásticos, com fios acoplados para se realizar a sutura dos tecidos).

Avulsão de tendões dos isquiotibiais

Os isquiotibiais são o grupo muscular na parte de trás da coxa. Eles se originam do ísquio, o osso da bacia sobre o qual sentamos.

Em casos de avulsões desses tendões, que geralmente ocorrem em quedas ao solo ou lesões esportivas, com o quadril em flexão e joelho em extensão, o paciente apresenta dor local, fraqueza para dobrar o joelho e dificuldade para correr.

Inserção dos tendões isquiotibiais no ísquio | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a inserção dos tendões isquiotibiais no ísquio.

Esses casos necessitam de cirurgia para reinserção dos tendões no osso, também com a utilização de âncoras.

Os casos com pouca ou nenhuma retração poder sem tratados com a artroscopia. Já os casos com retração tendínea significativa devem ser operados de forma aberta.

Dor glútea profunda

Dor glútea profunda é o nome genérico que se dá às condições em que o paciente apresenta dor na região glútea. As principais patologias que causam dor na nádega são a síndrome do piriforme, impacto ísquio-femoral e lesões dos isquiotibiais, citados acima.

A maioria dos casos dessas patologias melhora com o tratamento conservador, com Fisioterapia, anti-inflamatórios e mudanças nos hábitos de vida.

Entretanto, uma pequena parcela se mantém sintomática, e alguns casos podem se beneficiar com a artroscopia, como a síndrome do piriforme para liberação do nervo ciático, que está logo abaixo desse músculo ou para “raspagem” do trocanter menor do fêmur para tratamento do impacto ísquio-femoral.

Quais são as vantagens da artroscopia de quadril?

Devido aos bons resultados obtidos com a artroscopia de quadril, o número de indicações para essa cirurgia vem aumentando, bem como a quantidade de cirurgias realizadas.

Por ser uma técnica minimamente invasiva, sendo realizada por pequenos cortes na pele (chamados de portais da artroscopia), sem desinserir músculos ou realizar cortes em ossos, essa cirurgia causa menor dano no quadril operado.

Dessa forma, a artroscopia do quadril promove reabilitação mais rápida, menos dor, menor sangramento e menor incidência de complicações no pós-operatório, além de permitir o retorno à prática esportiva mais precocemente do que cirurgias abertas.

Como é a recuperação após a artroscopia de quadril?

O paciente recebe alta geralmente no dia seguinte à cirurgia. Pode caminhar com o auxílio de muletas desde o primeiro dia pós-operatório e realiza Fisioterapia para auxiliar no fortalecimento muscular, treino de marcha e ganho de mobilidade no quadril operado.

Os pontos são retirados em 2 semanas após a cirurgia, devendo-se ter cuidados básicos com a ferida operatória nesse período, como não deixar molhar ou sujar e cobrir com curativos.

O paciente faz uso de medicações analgésicas até a melhora da dor pós-operatória e dependendo de sua lesão, pode retornar à prática esportiva em alguns meses.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira do Quadril
OrthoInfo
Mayo Clinic
The Adult Hip – Hip Preservation Surgery – Clohisy, Beaulé, Della Valle
Hip Arthroscopy and Hip Joint Preservation Surgery – Nho, Leunig, Larson, Bedi, Kelly

FAQ

1. Como é feita a artroscopia de quadril?

A artroscopia de quadril é feita com o paciente sob anestesia geral para relaxamento muscular, em uma mesa que traciona a perna a ser operada, para gerar espaço no quadril. Coloca-se uma pequena câmera dentro do quadril para inspeção da articulação e os procedimentos são feitos com instrumentos pouco invasivos. A cirurgia é auxiliada com a radioscopia, espécie de RX que mostra a imagem instantaneamente.

2. Quanto tempo dura uma artroscopia?

A duração da artroscopia de quadril depende do grau e quantidade de lesões presentes no quadril. Caso seja realizada apenas debridamento ou retirada de corpos livres na articulação, ela dura geralmente 1 hora. Para o tratamento do impacto femoro-acetabular com a presença de lesão labral, pode chegar a 2:30h.

3. Como é a recuperação da cirurgia de quadril?

A recuperação da artroscopia de quadril costuma ser pouco desconfortável para o paciente, que geralmente apresenta dor moderada após a cirurgia. Na grande maioria das vezes o paciente pode apoiar a perna operada no chão com auxílio de muletas. Faz Fisioterapia para analgesia, ganho de mobilidade e fortalecimento. Pode voltar à prática esportiva alguns meses após o procedimento. O tipo de patologia e grau de envolvimento do quadril são fatores importantes na reabilitação.

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