A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Cabeça do fêmur: o que é, lesões e tratamentos
A cabeça do fêmur é uma das estruturas mais importantes do nosso quadril, e ao contrário do que muitos pensam, não é o osso que palpamos na parte de fora (lateral) do quadril.
A cabeça do fêmur é na verdade uma estrutura que fica na região profunda da virilha, envolta por uma cápsula, sendo assim uma estrutura profunda e não palpável.
O osso que palpamos na lateral do quadril é o trocanter maior, outra estrutura do fêmur, também com grande importância, mas que é acometida por lesões diferentes da cabeça do fêmur.

Neste artigo vou comentar sobre as principais doenças que acometem a cabeça do fêmur e como cada uma delas é tratada.
Desgaste na cabeça do fêmur
O conhecido (e temido) desgaste na cabeça do fêmur é mais precisamente a artrose do quadril, doença que cursa com desgaste da cartilagem que reveste tanto a cabeça do fêmur, quanto o acetábulo, que é a cavidade da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa, sendo nessa junção que ocorrem os movimentos do quadril.
Essa cartilagem de revestimento é de suma importância para que os movimentos do quadril ocorram sem atrito e sem limitações.

Além desse desgaste da cartilagem, existe uma inflamação da articulação quando ocorre a artrose do quadril.
Dessa forma, o principal sintoma referido pelos pacientes portadores de artrose no quadril é dor, sentida principalmente na região profunda da virilha, local onde está a cabeça do fêmur.
Além disso, outros sintomas apresentados pelos pacientes com desgaste na cabeça do fêmur são:
- Perda de mobilidade no quadril: essa rigidez é percebida principalmente ao se tentar cortar as unhas dos pés, calçar meias e amarrar sapatos, situações em que os pacientes acabam tendo muita dificuldade, dependendo do grau da artrose.
- Andar mancando: isso ocorre pela dor, perda de mobilidade e disfunção na articulação
- Encurtamento da perna afetada: casos mais avançados de artrose cursam com encurtamento do membro, uma vez que houve perda de espessura da cartilagem
- Estalos no quadril: alguns pacientes podem sentir e até ouvir estalos no quadril com artrose quando realizam movimentos nessa articulação
Confirma-se essa patologia com a realização de RX. Apenas casos muito iniciais necessitam de Ressonância Magnética para confirmação.

Tratamento da artrose do quadril
Trata-se os casos leves e moderados com medicações, Fisioterapia e controle de peso. No caso de persistência dos sintomas, podemos realizar infiltrações no quadril, sendo as principais substâncias utilizadas:
- Ácido hialurônico: gel sintético que promove lubrificação na articulação. Tem durabilidade de 6 a 12 meses.

- PRP: sigla para plasma rico em plaquetas; substância obtida da centrifugação do sangue do próprio paciente. O PRP tem propriedades de desinflamar a articulação e melhorar a qualidade da cartilagem.

- Aspirado de gordura abdominal: assim como o PRP, o aspirado de gordura abdominal tem o potencial de controlar a inflamação da articulação e melhorar a qualidade da cartilagem, além de promover uma lubrificação no quadril. Ao contrário da infiltração com ácido hialurônico e PRP, que podemos realizar no consultório, deve-se realizar esse procedimento em Centro Cirúrgico, pois envolve maior complexidade.

Já casos avançados de artrose/desgaste não são beneficiados com tais procedimentos. O tratamento nessas situações é com a prótese de quadril, cirurgia na qual fazemos a substituição da articulação gasta por uma articulação artificial.

A prótese de quadril faz com que o paciente volte a andar e mobilizar o quadril de forma sem dor, além de devolver a mobilidade e capacidade de fazer atividades diárias e esportivas.
Osteonecrose da cabeça do fêmur
A osteonecrose da cabeça do fêmur é uma doença que ocorre por conta de uma deficiência na circulação sanguínea responsável por levar oxigênio e nutrientes para essa estrutura. Dessa forma, essa doença é também conhecida como necrose avascular ou necrose asséptica da cabeça do fêmur.
Com o déficit de nutrientes e oxigênio, as células ósseas da cabeça femoral acabam morrendo, causando dor no quadril. Sente-se essa dor, na maioria das vezes, na parte profunda da virilha, assim como a artrose. Alguns pacientes podem sentir a dor na coxa, glúteos e região lateral do quadril.
Entretanto, não é só a dor que é o grande problema da osteonecrose. Como o osso que morreu tem suma importância para a sustentação da cabeça do fêmur, principalmente na área de carga, que é a região onde passa o peso do corpo, a cabeça femoral que tem o formato esférico, pode achatar/colapsar, causando uma deformidade no quadril.
Com isso, passa a ocorrer um desgaste acelerado da articulação, que pode evoluir para artrose avançada em pouco tempo.
Dessa forma, quando diagnosticada em estágios iniciais, deve-se tratá-la rapidamente, na tentativa de progredir para artrose precoce.
O diagnóstico da osteonecrose da cabeça do fêmur é feito na maioria das vezes com Ressonância Magnética do quadril, pois muitas vezes as alterações não são visíveis com RX.

Tratamento da osteonecrose da cabeça do fêmur
Casos iniciais, ou seja, em que a cabeça se mantém perfeitamente esférica, trata-se com a cirurgia chamada de descompressão da cabeça do fêmur.
Realizamos essa cirurgia com uma broca, colocada na lateral do quadril por um corte de 3cm na pele. Ela é inserida até a região da osteonecrose, quando é então expandida, para remoção do osso necrótico.
Na sequência coloca-se enxerto ósseo para preencher a falha e estimular a formação de osso sadio novamente.

Para aumentar as chances de sucesso, enriquecemos esse enxerto com substâncias biológicas, como o PRP (plasma rico em plaquetas) ou aspirado de medula óssea da bacia, que contém uma alta concentração de células mesenquimais, que auxiliam no processo de formação óssea.
Já em casos em que houve perda da esfericidade da cabeça do fêmur, descritos frequentemente nos laudos de ressonâncias como: colapso, achatamento ou retificação da cabeça femoral, essa cirurgia não tem mais indicação.
Deve-se tratar esses casos com a prótese de quadril, uma vez que a descompressão da cabeça femoral não devolve o formato normal à cabeça do fêmur.
As principais causas/fatores de risco para a ocorrência da necrose avascular são:
- Uso prolongado de corticóides, sendo o mais comum a prednisona (Predsin®)
- Etilismo
- Quimioterapia
- Radioterapia próxima ao quadril
- Doenças sanguíneas, principalmente a anemia falciforme
- Doenças reumatológicas
- Doenças que favorecem a coagulação sanguínea: as principais são a deficiência de proteínas C e S, presença do fator V de Leiden e SAAF (Síndrome do anticorpo anti-fosfolípede)
- HIV e seu tratamento
- Traumas graves no quadril, como luxação do quadril ou fratura de colo do fêmur
Fratura da cabeça do fêmur
Apesar de esse ser um termo muito utilizado e conhecido, ele é incorreto na grande maioria das vezes. A fratura da cabeça do fêmur é extremamente rara. Quando ocorre geralmente afeta pacientes jovens, que sofreram uma luxação do quadril.
Outra causa de fratura na cabeça do fêmur é a osteonecrose, que devido à falta de sustentação óssea, leva a chamada fratura subcondral da cabeça do fêmur, que é similar a um amassado nessa região.
As fraturas que são frequentes e muitas vezes confundidas com a fratura da cabeça do fêmur são a fratura do colo do fêmur e fratura transtrocanteriana.

Essas fraturas acometem principalmente pacientes idosos, com osteoporose, e muitas vezes com doenças neurológicas, cardiovasculares e renais associadas.
Na grande maioria das vezes ocorrem por quedas simples dentro do ambiente domiciliar.
Pacientes jovens são raramente acometidos por esse tipo de fratura, salvo em traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura.
Na ocorrência de uma dessas fraturas, o paciente apresenta uma dor súbita de grande intensidade, ficando impossibilitado de se levantar do chão. Apresenta piora da dor caso realize algum movimento na perna afetada.
Além disso percebe-se que a perna fica encurtada e com o pé rodado para fora, por conta da deformidade no fêmur.
Tratamento das fraturas do fêmur
Esses são casos em que o paciente deve ser levado imediatamente para o hospital, onde serão realizadas radiografias que irão comprovar a fratura.
Deve-se operar esses casos dentro de 24 a 48 horas, a fim de se evitar complicações relacionadas à demora no tratamento, tais como trombose, embolia, broncoaspirações entre outros.
Trata-se a fratura do colo do fêmur, na maioria das vezes, com a realização da prótese de quadril. Apenas pacientes jovens são tratados com a fixação da fratura, utilizando-se parafusos e/ou placa.
Já a fratura transtrocanteriana, um pouco mais abaixo do que a fratura do colo do fêmur, é tratada com a utilização de haste metálica dentro do fêmur ou placa.

Algo importantíssimo após o tratamento dessas fraturas é iniciar o tratamento para a osteoporose. Além de auxiliar na consolidação da fratura, ele pode evitar a ocorrência de novas fraturas, não apenas do fêmur, mas também no punho, ombro e coluna.
Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. Portanto, busque um especialista em quadril e descubra qual o tratamento mais indicado para você.
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é um ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril. Com as melhores especializações e sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), ele pode te ajudar!
Entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Felipe Bessa
Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
FAQ
O que causa dor na cabeça do fêmur?
As principais causas de dor na região da cabeça do fêmur são a artrose do quadril, causada pelo desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e a osteonecrose da cabeça do fêmur, doença causada por uma falha na circulação sanguínea dessa estrutura.
Como tratar lesão na cabeça do fêmur?
O tratamento depende de qual lesão especificamente acometeu a cabeça do fêmur. No caso de artrose, que é o desgaste da cartilagem de revestimento, o tratamento pode ser com medicações, fisioterapia, infiltrações e em casos avançados, cirurgia de prótese de quadril. No caso da osteonecrose da cabeça do fêmur, trata-se os casos iniciais com a descompressão (foragem). Já casos avançados, ou seja, em que houve perda da esfericidade, o tratamento é com a prótese de quadril.
