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Desgaste na prótese de quadril: por que ocorre e como se trata

Uma grande preocupação dos pacientes que possuem prótese de quadril ou mesmo dos pacientes que irão realizar uma prótese no quadril é se a prótese vai apresentar desgaste em algum momento, acarretando a necessidade de uma nova cirurgia.

Neste texto abordaremos em detalhes o que é o desgaste da prótese, seus sintomas, como o diagnóstico é feito e como é o tratamento dessa condição.

O que é o desgaste da prótese de quadril?

Para entender o que é o desgaste na prótese, primeiramente é preciso entender quais são os componentes da prótese, uma vez que apenas um dele apresenta desgaste.

Na primeira figura abaixo, vemos os 4 componentes da prótese de quadril desencaixados, para melhor visualização. De cima para baixo temos:

  • Taça acetabular: feita de titânio, é encaixada por pressão (de maneira apertada) na bacia, mais precisamente na cavidade chamada de acetábulo; tem um revestimento microporoso, para garantir uma boa fixação desse componente no osso do paciente
  • Liner: esse componente é encaixado dentro da taça acetabular, e é nele que a cabeça da prótese articula (faz os movimentos). Na primeira foto, temos um liner feito de cerâmica, uma liga metálica, com superfície extremamente lisa e com desgaste praticamente nulo
  • Cabeça da prótese: é encaixada na ponta da haste femoral, e faz a articulação com os componentes acima citados; também é feita de cerâmica
  • Haste femoral: encaixada por pressão dentro do canal do fêmur; é feita de titânio, também com revestimento microporoso para garantir uma boa fixação no osso do paciente

Na segunda foto, temos um liner de polietileno, uma espécie de plástico.

 

Liner de polietileno, uma espécie de plástico da Prótese de Quadril - Dr. Felipe Bessa

 

Qual é a diferença entre esses liners? Quando se indica cada um?

A principal diferença entre os liners de cerâmica e de polietileno, é que o de cerâmica tem um desgaste um pouco menor que o de polietileno. Dessa forma, pelo menos em teoria, o liner de cerâmica promoveria uma durabilidade maior à prótese de quadril.

Entretanto, os liners de polietileno se desenvolveram muito ao longo do tempo, com os mais modernos sendo chamados de cross-linked, apresentando assim como os liners de cerâmica, um desgaste quase nulo.

Além disso, quando se utiliza uma prótese com cabeça de cerâmica e liner de cerâmica, podem ocorrer duas complicações que não ocorrem no par cabeça de cerâmica e liner de polietileno, que são:

  • Squeaking: um rangido na prótese ao fazer movimentos;
  • Fratura da cerâmica: ela pode ocorrer no caso de um trauma (pancada/contusão) no quadril operado.

Tais complicações são extremamente raras, mas se ocorrem, podem necessitar de uma nova cirurgia para resolução do problema.

Dessa forma, a decisão da utilização entre liner de cerâmica ou polietileno cross-linked deve ser baseada na idade do paciente. Pacientes mais jovens, nos quais a durabilidade da prótese tem que ser a maior possível, a preferência é pelo liner de cerâmica. Em pacientes de meia idade ou idosos, a preferência é pelo liner de polietileno.

Não existe uma idade de corte utilizada universalmente para essa decisão. Eu utilizo liner de cerâmica em pacientes abaixo de 50 anos, e polietileno a partir dos 50 anos.

As vantagens e desvantagens de cada um dos materiais deve ser amplamente discutida com o paciente no momento da indicação da cirurgia.

Em resumo, o componente da prótese que apresenta desgaste é o liner da prótese.

Imagem mostrando um liner de polietileno com desgaste, após vários anos da colocação da prótese de quadril.
Imagem mostrando um liner de polietileno com desgaste, após vários anos da colocação da prótese de quadril.

Quais são as consequências do desgaste da prótese de quadril?

O desgaste do liner por si só não é o maior problema. Mas antes de prosseguirmos com esse assunto, precisamos entender com os componentes de titânio (taça acetabular e haste femoral) se fixam ao osso do paciente.

Além disso, ambos têm um revestimento microporoso; isso faz com que ao longo das primeiras semanas ocorra um processo chamado de osteointegração.

Nesse processo, o osso do paciente adentra os microporos, promovendo uma fixação extremamente firme da prótese ao osso, conforme ilustrado abaixo, importantíssimo para que o paciente não apresente dor.

Na imagem, onde * representa o revestimento microporoso da prótese, vemos o osso do paciente adentrando os microporos, processo chamado de osteointegração.
Na imagem, onde * representa o revestimento microporoso da prótese, vemos o osso do paciente adentrando os microporos, processo chamado de osteointegração.

Com essa informação, podemos voltar ao desgaste do liner. Quando ocorre o desgaste, são gerados microfragmentos desse liner, que caem ao redor da prótese, chamados de debris.

As células de defesa do nosso corpo enxergam esses debris como corpos estranhos, e fazem a remoção desses debris. Mas nessa remoção, também é removido o osso responsável pela osteointegração da prótese.

Dessa forma, com o desgaste progressivo do liner (principalmente o de polietileno) e a remoção de osso ao redor dos implantes, a prótese vai perdendo sua fixação no osso, processo chamado de soltura da prótese. Quando isso ocorre, o paciente passa a apresentar dor, por conta dos micromovimentos da prótese, que não deveriam ocorrer.

Por esse motivo, pacientes portadores de prótese de quadril precisam de acompanhamento anual, para identificar um quadro de desgaste ou soltura já na fase inicial.

Agende uma avaliação da prótese de quadril com o Dr. Felipe Bessa

 

Como faz-se o diagnóstico de desgaste e soltura da prótese?

Em casos de desgaste do liner, ele identifica uma assimetria na espessura desse componente, uma vez que o desgaste ocorre na parte de cima apenas, conforme mostrado nas figuras abaixo. A primeira identifica uma prótese com polietileno normal e a segunda, uma com desgaste importante do liner.

Além disso, na presença de soltura da prótese, o RX também faz o diagnóstico, mostrando uma linha escura ao redor dos componentes da prótese (por conta da perda óssea nessa região) e/ou uma alteração do posicionamento dos componentes, quando comparado aos RX antigos.

Neste RX vemos um importante desgaste do liner de polietileno, associado a soltura desse componente, visualizado pela alteração de seu posicionamento, além de soltura do componente femoral, pela presença de linha escura ao redor do mesmo.
Neste RX vemos um importante desgaste do liner de polietileno, associado a soltura desse componente, visualizado pela alteração de seu posicionamento, além de soltura do componente femoral, pela presença de linha escura ao redor do mesmo.

Essas imagens de RX são de modelos antigos de prótese de quadril, nas quais a qualidade dos materiais era muito inferior às disponíveis atualmente. Dessa forma, o desgaste nessas próteses era muito mais rápido e frequente, fazendo com que a durabilidade dessas próteses não fosse muito longa, em torno de 12 a 15 anos.

Com o desenvolvimento das cabeças de cerâmica e liners de polietileno cross-linked, a durabilidade aumentou significativamente, para 25 a 30 anos.

Quais são os sintomas do desgaste e soltura da prótese?

O principal sintoma que os pacientes com desgaste e soltura da prótese de quadril apresentam é dor no quadril, principalmente ao andar, fazer atividades físicas e ao movimentar o quadril.

A dor pode ser tão intensa que impede alguns pacientes de andarem, tornando-os muitas vezes dependentes de cadeira de rodas.

Além disso, alguns pacientes também apresentam fraqueza muscular e perda de mobilidade no quadril afetado.

Como é o tratamento do desgaste e da soltura da prótese?

No caso de haver apenas desgaste do polietileno, sem soltura da prótese, deve ser feita uma cirurgia para troca do polietileno, uma vez que a persistência do desgaste pode levar a um processo de soltura com perda óssea, situação que deve ser evitada.

Essa cirurgia é mais simples, sem haver necessidade de troca dos componentes de titânio, que permanecem fixos (integrados) ao osso do paciente.

Já no caso de soltura, os componentes soltos devem ser removidos e substituídos por outros componentes, geralmente de maior tamanho, para uma adequada fixação num local onde houve perda óssea. Essa cirurgia é chamada de Revisão de Prótese de Quadril.

Imagem de uma prótese de revisão. Ela tem um tamanho maior que a prótese primária, para que fique em contato com osso de boa qualidade.
Imagem de uma prótese de revisão. Ela tem um tamanho maior que a prótese primária, para que fique em contato com osso de boa qualidade.

Para esses casos foram desenvolvidos implantes com revestimento em metal trabecular, que tem uma porosidade muito semelhante à do nosso osso, aumentando ainda mais a capacidade de fixação da prótese ao osso do paciente.

Imagens de componentes de prótese de revisão, feitos em metal trabecular, para resolver até os casos mais complexos de soltura de prótese, com grandes perdas ósseas.
Imagens de componentes de prótese de revisão, feitos em metal trabecular, para resolver até os casos mais complexos de soltura de prótese, com grandes perdas ósseas.

Essa cirurgia geralmente demora mais do que a colocação da primeira prótese e também possui uma recuperação mais lenta. Entretanto, seu resultado é bom, devolvendo novamente a qualidade de vida ao paciente após a recuperação.

Como fazer para aumentar a durabilidade da prótese de quadril?

Essa sem dúvida é uma preocupação de todos os pacientes portadores de prótese de quadril.

É intuitivo pensar que quanto mais se usa a prótese, maior será o desgaste. Entretanto, com a utilização dos melhores materiais disponíveis, como o polietileno cross-linked e as cerâmicas de última geração, o desgaste da prótese é quase nulo.

Dessa forma, os médicos deixaram de impor diversas restrições aos pacientes. A idéia da prótese é devolver qualidade de vida, e isso inclui a realização de atividades físicas por parte dos pacientes.

Entretanto, evitar atividades de alto impacto, com frequência e intensidade muito elevados, continua sendo recomendado.

Conforme já citado neste texto, a expectativa de durabilidade das próteses mais modernas, com a utilização de técnicas adequadas, é de 25 a 30 anos.

O acompanhamento com um especialista em cirurgia do quadril é indispensável para evitar complicações relacionadas ao desgaste da prótese de quadril.
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é um ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril. Com as melhores especializações e sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), ele pode te ajudar!

 

Entre em contato e agende uma avaliação inicial com o Dr. Felipe Bessa

Referências Sociedade Brasileira de Quadril Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Mayo Clinic

FAQ

Quais os cuidados com a prótese de quadril?

Logo após a realização da prótese, o paciente deve utilizar muletas ou andador por aproximadamente 4 semanas, além de realizar Fisioterapia. Após a recuperação, o paciente deve seguir as orientações de evitar sentar-se em locais muito baixos, ou fazer muita flexão do quadril. Deve evitar atividades de alto impacto, mas ao contrário do que se pensa, pode realizar algumas atividades físicas com academia, caminhadas, natação e bicicleta.

Quanto tempo dura a prótese de quadril?

Utilizando-se os materiais mais modernos, como a cabeça de cerâmica delta (última geração) e liners de cerâmica ou polietileno cross-linked, a duração da prótese pode ser de 25 a 30 anos.

Como saber se a prótese de quadril gastou?

Todos os pacientes portadores de prótese no quadril devem realizar uma consulta anual com RX. Esse exame avalia se está havendo algum desgaste ou soltura na prótese. Caso isso ocorra, é possível que o médico indique uma cirurgia mesmo que o paciente esteja sem dor, para evitar uma piora na condição.

Quando é preciso trocar a prótese de quadril?

Isso é um processo natural da prótese. Outras indicações seriam quando ela apresenta algum problema, como infecção bacteriana ou deslocamentos recorrentes.

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