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Desgaste no Quadril

O que é?

Os termos “desgaste no quadril” ou “desgaste do quadril” se referem à degeneração da cartilagem articular do quadril, que é a articulação da cabeça do fêmur com o acetábulo, região da bacia onde a cabeça do fêmur está encaixada.

O nome técnico desse problema é artrose ou osteoartrite, mas utilizaremos o termo desgaste neste texto. Assim como outras articulações, os ossos nessa região são revestidos com uma cartilagem, tecido que permite a movimentação entre os ossos sem atrito e de forma indolor.

Além do desgaste da cartilagem, ocorre também uma inflamação na articulação, sendo uma das responsáveis pela dor dos pacientes.

Quadril com desgaste da cartilagem | Dr. Felipe Bessa
Imagem mostrando um quadril normal à esquerda e um quadril com desgaste da cartilagem à direita, condição chamada de artrose.

O que causa o desgaste no quadril?

Vários fatores são responsáveis pela instalação de um desgaste no quadril, sendo os principais deles:

  • Idade: pessoas de faixas etárias mais avançadas são sem dúvida mais propensas a apresentarem desgaste no quadril do que paciente jovens, que costumam apresentar desgaste apenas como consequência de outras lesões na articulação
  • Gênero: pacientes mulheres tem uma incidência aumentada de desgaste em comparação com pacientes do gênero masculino
  • Atividades físicas: pacientes que realizaram atividades físicas extenuantes durante muitos anos também podem apresentar desgaste no quadril. No nosso país, o futebol é uma causa importante de desgaste no quadril, após vários anos de sua prática
  • Obesidade: a obesidade também é responsável por um maior desgaste nas articulações, não só por aumentar o peso sobre elas, mas também por causar uma inflamação generalizada no organismo, que é responsável por degradar a cartilagem
  • Deformidades no quadril: pacientes que apresentam alguma deformidade no quadril, seja por doenças genéticas ou do desenvolvimento, também podem apresentar desgaste no quadril mesmo em idades pouco avançadas. Exemplos disso são a luxação congênita do quadril, também chamada de displasia do desenvolvimento e doenças como o Legg-Perthes que acomete crianças e a epifisiolistese, que acomete adolescentes
  • Traumas no quadril: acidentes que ocasionam lesões graves, como luxação ou fratura no quadril, seja no fêmur ou no acetábulo, podem ser causa de artrose precoce nos pacientes, e por isso esses pacientes devem ser acompanhados após a lesão inicial

Além desses fatores, outras patologias próprias do quadril também podem evoluir com desgate, tais como a osteonecrose da cabeça do fêmur e o impacto femoro-acetabular.

A osteonecrose ocorre por uma deficiência da circulação sanguínea para o osso da cabeça do fêmur, levando à sua morte, deixando de dar sustentação adequada a essa região.

Já o impacto femoro-acetabular é um contato anormal entre o fêmur e o acetábulo, por conta de proeminências ósseas na articulação, que ao longo do tempo degradam a cartilagem, ocasionando a artrose.

Quais são os sintomas do desgaste no quadril?

O principal sintoma que o paciente portador de desgaste no quadril apresenta é dor, sentida geralmente na região profunda da virilha. Entretanto, a dor também pode ser sentida na coxa, região lateral do quadril ou mesmo nos glúteos.

Nos casos iniciais, a dor costuma ser leve, mas conforme a doença vai avançando, a intensidade da dor aumenta, podendo ser excruciante em alguns casos.

Outros sintomas comuns no desgaste do quadril são:

  • Perda de movimento: a artrose do quadril cursa com diminuição da mobilidade nessa articulação. Da mesma forma que a dor, essa restrição do movimento pode ser leve, mas em alguns casos pode ser significativa. O paciente apresenta dificuldade para abrir ou cruzar as pernas, calçar meias, amarrar sapatos e cortar as unhas dos pés
  • Dificuldade para caminhar: por conta da dor e perda de mobilidade, os pacientes apresentam dificuldade para andar, e acabam “mancando” na grande maioria das vezes. Alguns pacientes acabam necessitando de bengalas, muletas ou andadores, e em casos graves, podem inclusive ficar restritos à cadeira de rodas
  • Encurtamento da perna: com o desgaste mais avançado da cartilagem, a perna afetada fica mais curta do que a outra, sendo outro fator que dificulta a caminhada
  • Estalos: em alguns casos, o paciente sente e até mesmo ouve estalos ao movimentar o quadril, geralmente acompanhados de dor na articulação.

Como é feito o diagnóstico do desgaste no quadril?

Na grande maioria dos casos, o diagnóstico é simples, sendo realizado durante a consulta com o Ortopedista de Quadril e com a realização do RX. Tal exame evidencia perda do espaço articular no quadril, osteófitos marginais (conhecidos como “bicos de papagaio”) e cistos subcondrais, característicos da artrose do quadril.

Desgaste no Quadril | Dr. Felipe Bessa
RX de bacia mostrando um desgaste acentuado no quadril direito, evidenciado pela perda do espaço articular, “bicos de papagaio” e cistos subcondrais.

Apenas em alguns casos se faz necessária a realização de Ressonância Magnética do quadril acometido. Os principais achados desse exame, geralmente descritos no laudo são:

  • Afilamento condral
  • Irregularidades do revestimento condral
  • Degeneração do ligamento redondo
  • Cistos subcondrais ou cistos subcorticais
  • Esboços osteofitários ou reação osteofitária
  • Artropatia degenerativa

Como é o tratamento do desgaste no quadril?

Após diagnosticado, o tratamento do desgaste no quadril deve ser iniciado o quanto antes, para aliviar os sintomas do paciente e melhorar sua qualidade de vida.

Em casos de desgaste leve, o tratamento é realizado com medicações analgésicas e anti-inflamatórias, Fisioterapia, perda de peso e alterações nas atividades que desencadeiam a dor.

Casos de artrose moderada podem não melhorar com o tratamento acima, e podem ser tratados com infiltração de ácido hialurônico no quadril afetado, procedimento chamado de viscossuplementação.

Infiltração de ácido hialurônico no quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a infiltração de ácido hialurônico no quadril, para tratamento de artrose moderada.

O ácido hialurônico é uma substância que tem propriedades viscoelásticas, lubrificantes, anti-inflamatórias e de absorção de impacto, promovendo uma melhora significativa dos sintomas apresentados pelo paciente, por até um ano.

Exemplos de ácidos hialurônicos | Dr. Felipe Bessa
Exemplos de ácidos hialurônicos utilizados com frequência no quadril com desgaste.

O procedimento é realizado em Centro Cirúrgico para maior conforto e segurança do paciente, sendo guiado por ultrassom ou radioscopia. O paciente recebe apenas uma sedação leve, e tem alta para casa 3 horas após o procedimento, andando sem necessidade de muletas ou andador. Pode retomar a prática de atividades físicas 3 dias após o procedimento.

Viscossuplementação no Quadril | Dr. Felipe Bessa
Na primeira imagem vemos a viscossuplementação sendo realizada por radioscopia, uma espécie de RX. Na segunda imagem vemos o procedimento sendo realizado com o ultrassom.

Já em casos avançados, ou seja, em que houve um desgaste completo da cartilagem do quadril, os tratamentos acima são ineficazes.

Sendo assim, o tratamento indicado é a realização da prótese de quadril. Nessa cirurgia, o quadril é substituído por um implante metálico, que passa a exercer as mesmas funções de um quadril normal.

Prótese de quadril, utilizada para o tratamento de desgaste de quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a prótese de quadril e RX de paciente com prótese de quadril, utilizada para o tratamento de desgaste de quadril avançado.

A prótese tem 4 componentes principais. Dois deles são metálicos, feitos em titânio, sendo um encaixado na bacia e outro no fêmur. Dentro do componente da bacia, é colocado uma segunda peça, chamada de liner, que pode ser feita de polietileno, uma espécie de “plástico” de última geração ou de cerâmica. Já no componente do fêmur, é colocada a cabeça da prótese, feita também em cerâmica, que é uma liga metálica, cuja superfície é extremamente lisa, com o intuito de promover uma movimentação ampla e sem atrito na prótese.

Prótese de Quadril | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem evidencia os 4 componentes da prótese de quadril separados, com o liner feito de cerâmica (cúpula rosa). A segunda imagem evidencia a prótese já encaixada, dessa vez, com o liner de polietileno (parte branca da prótese).

Dessa forma, o paciente deixa de apresentar dor, volta a andar e movimentar o quadril praticamente sem restrições e pode retomar a prática de uma enorme quantidade de modalidades esportivas.

Com o desenvolvimento de próteses mais modernas, a durabilidade desses implantes aumentou muito, podendo chegar até a 30 anos, segundo trabalhos mais recentes. Com isso, pacientes jovens podem ser submetidos a essa cirurgia, sem a preocupação com cirurgias subsequentes, o que não era possível com as próteses do passado.

Existem 3 vias principais para a realização da prótese de quadril: posterior, lateral e anterior. Minha via de preferência é a via anterior, que é uma técnica minimamente invasiva, na qual não são cortados músculos ou tendões, causando menos dor e promovendo reabilitação mais rápida e menos complicações no pós-operatório.

A recuperação dessa cirurgia costuma ser tranquila, com a dor sendo controlada com medicações analgésicas básicas. O paciente anda no dia seguinte à cirurgia, com auxílio de muletas ou andador. Realiza Fisioterapia para ganho de fortalecimento muscular e os pontos são retirados 3 semanas após a cirurgia. O tempo total de recuperação varia de 2 a 3 meses.

Apesar do receio em relação aos riscos dessa cirurgia, principalmente os de rejeição da prótese, luxação e ocorrência de trombose, eles não são frequentes, e são minimizados com uma técnica apropriada e cuidados antes, durante e após a cirurgia.

O nível de satisfação dos pacientes submetidos a essa cirurgia é tão grande, que a prótese de quadril foi eleita a Cirurgia do Século pela revista Lancet, uma das mais renomadas no mundo científico.

Apenas os pacientes com idade extremamente avançada e/ou com doenças graves não podem ser submetidos a essa cirurgia. Esses pacientes podem passar por um procedimento chamado de radiofrequência ou neuromodulação, no qual se faz uma lesão nos nervos responsáveis por enviar o estímulo doloroso ao cérebro, com o auxílio de cânulas especiais conectadas a geradores, promovendo um alívio parcial e temporário da dor nessa articulação. Tal procedimento é rápido e realizado sem cortes na pele. O paciente recebe alta no mesmo dia, e não há necessidade de repouso após a alta.

Radiofrequência | Dr. Felipe Bessa
Cânula utilizada para a realização da radiofrequência e o gerador ao qual ela está conectada.

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Mayo Clinic
OrthoInfo

FAQ

1. O que provoca desgaste no quadril?

O desgaste no quadril é o processo de degradação da cartilagem dessa articulação, associado a uma inflamação. Ele pode ser causado pelo envelhecimento natural do quadril, ou ser secundário a uma fratura ou luxação nessa articulação, doenças congênitas, lesões esportivas ou patologias próprias do quadril, como a osteonecrose da cabeça do fêmur.

2. É possível recuperar a cartilagem do quadril?

A resposta é não! Apesar de diversos estudos, medicações e tratamentos, ainda não existe uma terapia que reconstitua de forma eficaz a cartilagem gasta no quadril. Dessa forma, existem tratamentos paliativos, tais como infiltração com ácido hialurônico e medicações analgésicas e condroprotetoras. Em casos avançados, ou seja, quando houve o desgaste completo da articulação, a solução é a realização da prótese de quadril.

3. Quais são os sintomas de desgaste no quadril?

O principal sintoma é a dor, geralmente sentida na região profunda da virilha, mas também pode ser sentida na coxa, região lateral e na nádega. Além disso, há uma perda de mobilidade nessa articulação, causando dificuldade para colocar meias e calçados. O paciente também apresenta dificuldade para caminhar se levantar da posição sentada. Estalos podem estar presentes em alguns casos.

4. O que fazer quando se tem desgaste no quadril?

Inicialmente, o paciente deve perder peso, usar medicações analgésicas, realizar fortalecimento leve e modificar as atividades que desencadeiam dor. No caso de falha, pode-se realizar infiltração com ácido hialurônico, substância que “lubrifica” a articulação. Já em casos avançados, o tratamento é feito com a cirurgia de prótese no quadril.

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