A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Dor crônica na Ortopedia: como investigar e tratar
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Dentro da Ortopedia e Traumatologia, a investigação e tratamento de dores crônicas é um dos quadros mais desafiadores tanto para o paciente, quanto para o médico.
São situações nas quais o paciente já realizou diversos exames e tratamentos, e mesmo assim mantém um quadro de dor persistente e de difícil tratamento.
Como fazemos a investigação de dor crônica?
Entretanto, a investigação não precisa se restringir ao local da dor, pois muitas vezes a origem pode estar em outras regiões. Por isso, é essencial avaliar possíveis pontos de irradiação, como a coluna.
A segunda investigação é mais global, acerca do paciente como um todo, avaliando o funcionamento de outros órgãos e sistemas, com exames laboratoriais que investigam principalmente:
- Função renal
- Tireoide
- Metabolismo ósseo
- Inflamação sistêmica (metainflamação)
- Sistema Cardiovascular
- Avaliação hormonal
- Doenças reumatológicas
Junto com essa investigação laboratorial, é essencial que se avalie o peso e índice de massa corpórea (IMC), que influenciam muito nas dores dos pacientes.
Além disso, é importante entender a parte emocional do paciente, avaliando a qualidade do sono e possíveis situações de estresse, ansiedade e depressão.
É importante entender que dores crônicas têm um componente do Sistema Nervoso Central, fazendo com que a dor não seja oriunda apenas de onde é sentida, mas também está presente em nosso cérebro. Tal informação deve ser levada em conta no momento da decisão terapêutica.
Como iniciamos o tratamento da dor crônica?
Assim como a investigação da dor crônica envolve o local da dor e o paciente como um todo, o tratamento da dor crônica é semelhante, ou seja, o local da dor e o paciente devem ser tratados em conjunto.
Modalidades terapêuticas para o local com dor crônica
A primeira linha de tratamento para dores crônicas osteoarticulares é a realização de Fisioterapia. Ela envolve as seguintes modalidades de atuação:
- Analgesia e desinflamação com aparelhos
- Soltura e liberação miofascial
- Alongamentos
- Treinos de propriocepção
- Mobilizações articulares
- Fortalecimento
- Controle neuromuscular

Atividades que podem complementar a Fisioterapia são o pilates, RPG, hidroterapia, hidroginástica e fortalecimento em academia.
Infiltrações
A segunda linha de tratamento é feita com infiltrações nos pontos de dor, sejam pontos gatilho, dor miofascial, tendinites ou bursites, e articulações com desgaste (artrose/osteoartrite).

É possível realizar essas infiltrações com:
- Anestésicos e corticoides: tratamento realizado há décadas, que tende a aliviar temporariamente as dores; aplicações repetidas de corticóides em tendões ou articulações podem levar à degeneração dessas estruturas, e portanto não são recomendadas mais de 3 a 4 por ano.
- Ácido hialurônico (AH): procedimento conhecido como viscossuplementação. Essa substância é aplicada dentro de articulações (AH de alto peso molecular) ou em tendões (AH de baixo peso molecular). Além disso, ela aumenta as propriedades viscoelásticas dessas estruturas, promovendo a desinflamação.
- Proloterapia: aplicação de glicose em diferentes concentrações, para promover reparo e regeneração tecidual.
- Biológicos: substâncias obtidas do próprio paciente (do sangue, medula óssea ou gordura), que quando infiltradas em regiões inflamadas e com desgaste, podem promover uma reparação e desinflamação tecidual. Tem uma ação significativamente maior que a proloterapia.
O médico pode realizar essas infiltrações no próprio consultório, guiando o procedimento por ultrassom e utilizando apenas anestesia local para garantir pouco desconforto ao paciente.
Entretanto, algumas situações como infiltrações na coluna, fazemos o procedimento em Centro Cirúrgico, pois deve ser guiado pela radioscopia, e realizado sob sedação. O paciente recebe alta 3 horas após o procedimento.
Terapia por ondas de choque
Outra opção de tratamento é com a terapia por ondas de choque. Um aparelho emite ondas acústicas diretamente no local da dor para realizar o tratamento. Além disso, essas ondas promovem desinflamação e reparação tecidual.
Realiza-se essa terapia no consultório médico, em sessões de aproximadamente 15 minutos, num total de 3 a 4 sessões.

Radiofrequência
Uma outra modalidade de tratamento muito utilizada em casos de dores crônicas nas articulações é a radiofrequência. Esse procedimento é feito com o auxílio de cânulas (espécie de agulhas) que são ligadas a um gerador.
Essas cânulas são posicionadas ao redor dos nervos sensitivos (responsáveis por enviarem os estímulos dolorosos ao cérebro) e emitem uma radiofrequência que “queima esses nervos”, reduzindo a dor da articulação.

A última linha de tratamento é com a realização de cirurgias, que reservamos para casos refratários, ou lesões que exigem uma intervenção mais invasiva, como uma artroscopia ou prótese.

Tratamento global do paciente com dor crônica
Para isso, é essencial que tenham sua parte metabólica corrigida, para redução da resistência à insulina e melhora dos exames laboratoriais.
Além disso, devem controlar o peso e ganhar condicionamento e massa muscular.
Para isso, a inclusão de hábitos saudáveis, como a realização de atividades físicas regulares e dieta balanceada é essencial.
Outro ponto importante é abordar a qualidade do sono. Desse modo, é essencial praticar a higiene do sono, reduzir o consumo de bebidas estimulantes e minimizar os fatores de estresse ao final do dia.

Além disso, Acupuntura e Eletroacupuntura podem ajudar de maneira significativa a melhorar o sono, reduzir ansiedade e os níveis de dor.


Quais são as principais medicações utilizadas no tratamento de dores crônicas?
As medicações têm um papel importantíssimo no controle das dores crônicas. Devido aos seus efeitos colaterais, evite o uso prolongado de anti-inflamatórios e corticoides Parte inferior do formulário
Analgésicos simples, como as apresentações comerciais de dipirona e paracetamol costumam ajudar pouco nesses casos.
Dessa forma, as medicações mais utilizadas no tratamento da dor crônica são:
Opioides: codeína, tramadol, oxicodona e morfina são os mais comuns. Foram colocadas em ordem crescente de potência e são utilizadas conforme a intensidade de dor do paciente. O paciente pode utilizar por longo prazo. Seu efeito colateral mais comum é a constipação.
Gabapentinóides: os mais utilizados são a gabapentina e a pregabalina, esta última muito mais frequente nos dias atuais. Atuam principalmente no sistema nervoso central, na tentativa de reverter o processo de cronificação da dor. Podem dar efeitos colaterais como sonolência, mal-estar e náuseas, que tendem a reduzir após os primeiros dias de uso.
Antidepressivos: existem diversas medicações dessa classe utilizadas para o tratamento de dor crônica. Dessa forma, elas atuam reduzindo sintomas relacionados a alterações emocionais e no processo de cronificação da dor no sistema nervoso central.
Canabidiol: a cannabis medicinal (maconha medicinal é um termo incorreto) tem seu uso crescente em diversas condições patológicas. Umas das principais indicações para o uso do óleo de canabidiol é a dor crônica. Nesse caso, recomenda-se a utilização dos óleos contendo CBD + THC, em doses lentamente crescentes. Além disso, tal medicação tem eficácia comprovada no controle de ansiedade, enxaqueca e dores crônicas de origem ortopédica, além de melhorar a qualidade do sono. Seus principais efeitos colaterais são boca seca, náuseas, sonolência e aumento do apetite.


Conclusão
Em resumo, o tratamento das dores crônicas é complexo e envolve uma equipe multidisciplinar com várias especialidades médicas e outras especialidades dentro da área da saúde.
Também depende de um empenho grande por parte do paciente em seguir as orientações dos tratamentos e realizar mudanças de hábitos.
Apesar dessa complexidade, é possível melhorar os sintomas e a qualidade de vida dos pacientes portadores de dor crônica.
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é um ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril. Com as melhores especializações e sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), ele pode te ajudar!
Referências
Mayo Clinic
Associação Brasileira da Dor Musculoesquelética
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
FAQ
Quando a dor passa a ser crônica?
Consideramos dor crônica quando ela dura mais de 3 meses. Nesses casos, é importante tratar não apenas o local da dor, mas sim o paciente como um todo, incluindo seu Sistema Nervoso Central, que passa a ter um papel na persistência da dor.
Como investigar dor crônica?
A investigação da dor crônica envolve exames que avaliam o local da dor e o paciente como um todo, incluindo diferentes órgãos e sistemas, que de alguma maneira contribuem para a persistência e intensificação do quadro doloroso
Como tratar dores crônicas?
O tratamento das dores crônicas é multimodal e envolve correção de hábitos de saúde como alimentação e atividades físicas, perda de peso, melhora do sono e de fatores emocionais, além do tratamento direcionado ao local da dor, com Fisioterapia, fortalecimento, infiltrações e possivelmente cirurgia.
Descrição
Dor crônica é a dor que dura mais de 3 meses e tem difícil tratamento, que envolve mudanças de hábitos, Fisioterapia, medicações, infiltrações e até cirurgias.
TAGS
Dor crônica
Canabidiol
Dor miofascial
Maconha medicinal
