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Dor na lateral do quadril: o que pode ser, como investigar e como tratar?

Dor na lateral do quadril é uma das queixas mais comuns no consultório do Médico Especialista em Quadril. Lesões e doenças diferentes podem causar a condição, e, por isso, é essencial investigar adequadamente antes de iniciar qualquer tratamento.

Ao contrário do que muitos pensaram, o primeiro passo não é realizar um RX ou uma Ressonância Magnética, mas sim realizar uma boa consulta, entendendo em detalhes como é a dor do paciente, assim como outros fatores importantes para que um diagnóstico correto seja realizado.

Depois de uma conversa com o paciente, é imprescindível que o especialista realize um bom Exame Físico, para entender em detalhes o quadro clínico do paciente. Esses dois passos já fornecem informações essenciais para formular uma hipótese diagnóstica.

A investigação complementa-se com exames de imagem, principalmente o RX, que avalia bem a parte óssea do quadril, e a Ressonância Magnética, que, além de avaliar a parte óssea, é o único exame que fornece informações precisas sobre as partes moles, como músculos, tendões e ligamentos, e sobre estruturas dentro da articulação, como a cartilagem e o lábio acetabular.

Em alguns casos, podemos solicitar também um ultrassom e/ou tomografia, porém são exames que pedimos com menor frequência.

Uma vez finalizado o processo de investigação, provavelmente os diagnósticos estarão entre os descritos abaixo.

Tendinite de glúteo médio e glúteo mínimo

Os tendões glúteos médio e mínimo são os principais tendões do quadril, sendo responsáveis pelo movimento de abertura do quadril, chamado de abdução.

Entretanto, eles não têm apenas essa função. Eles têm a importante função de estabilizar o quadril e a pelve durante a marcha e a corrida, sendo constantemente exigidos durante essas atividades.

Eles ficam na região lateral do quadril (parte de fora), muito próximos ao osso palpável nessa região, chamado de trocanter maior, muitas vezes erroneamente chamado de cabeça do fêmur.

Imagem ilustrando o que é o trocanter maior, região onde estão os tendões glúteos médio e mínimo.

A tendinite ou tendinopatia do glúteo médio e mínimo é a inflamação desses tendões. Afetando principalmente mulheres entre 40 e 60 anos, e a sua principal causa é um atrito constante entre os tendões e uma camada de tecido acima deles, chamada de trato iliotibial. Essa alteração é frequentemente descrita em laudos de Ressonância Magnética como: “edema entre o trato iliotibial e o trocanter maior, inferindo atrito”.

Outras causas da peritendinite dos glúteos médio e mínimo são:

  • Sobrecarga ou excesso de uso
  • Fraqueza ou desbalanço muscular na região
  • Traumas (pancadas) locais
  • Diferença de comprimento dos membros

O principal sintoma é uma dor na parte externa do quadril, que se intensifica quando o paciente se deita de lado sobre o quadril afetado, realiza muitas atividades físicas ou caminha por longas distâncias.

Seu tratamento é com Fisioterapia, medicações, fortalecimento, perda de peso e compressas.

Quando esse tratamento não resolve, os médicos podem realizar infiltrações locais com corticóides, proloterapia ou substâncias biológicas, obtidas do próprio paciente, para promover a desinflamação e a reparação dos tecidos lesados.

Esse procedimento é simples, sendo realizado no consultório, com pouquíssimo desconforto ao paciente.

Infiltração sendo realizada para tratar tendinopatia de glúteo médio no quadril.

Ruptura dos tendões glúteos

Em casos de tendinite dos glúteos em estágios mais avançados, o processo de inflamação pode levar à ruptura parcial ou total dos tendões glúteos, causando dor mais intensa e maior fraqueza no quadril.

Nesses casos é possível uma tentativa de tratamento conservador como descrito acima, com fortalecimento, fisioterapia e infiltração com biológicos, mas com uma menor chance de bom resultado, pois os tendões podem não cicatrizar adequadamente.

Caso isso aconteça e os pacientes permaneçam com dor e limitações, está indicada a cirurgia para reparo dos tendões rompidos.

Essa cirurgia é feita com auxílio de pequenos materiais chamados de âncoras, que são utilizados para suturar os tendões, conforme figura abaixo.

Imagem ilustrando os tendões glúteos com ruptura à esquerda, e o resultado final da cirurgia, após reparo com a utilização de âncoras absorvíveis.

Essa cirurgia tem o tempo de recuperação de 4 a 5 meses, e o paciente apresenta alívio da dor, melhora da força e capacidade de andar após sua recuperação.

Bursite trocantérica

A bursite trocantérica é uma inflamação da bursa trocantérica, uma pequena bolsa de líquido que fica logo acima dos tendões glúteos, na região do trocanter maior.

Imagens de Ressonância Magnética de quadril apontando a bursite trocantérica.
Imagens de Ressonância Magnética de quadril apontando a bursite trocantérica.

Seu principal sintoma é dor na parte lateral do quadril. O quadril fica sensível ao toque e causa dor quando o paciente se deita de lado.

Caminhar longas distâncias, realizar atividades físicas moderadas a intensas e sentar com as pernas cruzadas pioram o desconforto.

Assim como a tendinite de glúteo médio, o tratamento é feito com medicações analgésicas e anti-inflamatórias, compressas, Fisioterapia, fortalecimento e ajustes nas atividades físicas.

Se os sintomas persistirem, os médicos podem realizar infiltrações com corticóides, proloterapia ou biológicos.

Apenas raros casos necessitam de cirurgia para ressecção da bursa inflamada.

Ressalto externo do quadril

O ressalto externo é uma condição na qual o paciente sente um estalo na região externa do quadril (parte de fora/lateral).

Na grande maioria das vezes o estalo é indolor. Em apenas uma minoria dos casos o estalo vem junto com dor nessa região.

O ressalto externo ocorre porque o trato iliotibial, uma camada de tecido que recobre a parte lateral do quadril e da coxa, desliza de maneira abrupta para trás e para frente do trocanter maior do fêmur, ao fazer movimentos de flexão e extensão do quadril.

Imagem ilustrando o ressalto externo do quadril.
Imagem ilustrando o ressalto externo do quadril.

Apesar de esse ressalto ser visível e muitas vezes audível até por outras pessoas, não é uma condição grave.

A maior parte dos casos é tratada apenas com Fisioterapia, para fortalecimento dessa região e alongamento do trato iliotibial.

Apenas casos que cursam com dor significativa necessitam de cirurgia, para alongamento do trato iliotibial. Essa cirurgia é feita com um pequeno corte na lateral do quadril e é feita uma ressecção de parte do trato iliotibial, para que deixe de causar o ressalto sobre o trocanter maior.

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Outras causas de dor na parte de fora do quadril

As lesões citadas acima são as principais causas de dor na parte de fora do quadril, uma vez que afetam tecidos presentes nessa região.

Entretanto, outras lesões no quadril, que não costumam causar dor na lateral do quadril, mas sim em outras localizações, principalmente na região da virilha e coxa, podem com menor frequência cursar com dor na lateral do quadril, sendo elas:

  • Artrose do quadril: é o desgaste da cartilagem do quadril, e se apresenta na grande maioria das vezes com dor na região da virilha ou parte da frente do quadril e com perda de mobilidade do quadril
  • Osteonecrose da cabeça do fêmur: doença causada por um defeito na circulação sanguínea para a cabeça do fêmur, levando a dor no quadril e dificuldade para caminhar
  • Impacto femoroacetabular: doença ocasionada pela presença de saliências ósseas no quadril, levando a um contato anormal entre o fêmur e o acetábulo, gerando dor e perda de mobilidade no quadril

Além dessas doenças, o médico deve estar atento à outras possíveis fontes de dor, principalmente dores irradiadas da região lombar.

Muitas vezes, pacientes que apresentam lesões na coluna lombar, tais como artrose e protrusões discais, podem apresentar dor nas nádegas ou na região lateral do quadril, ao invés de dor na região lombar.

Dessa forma, no caso de suspeita de dor com origem na coluna lombar, essa região precisa ser avaliada com exames adequados, para que o tratamento da real causa da dor seja feito de maneira adequada.

 

Entre em contato com o Dr. Felipe Bessa

 

 

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Mayo Clinic

 

FAQ

O que pode ser dor na lateral do quadril?

As principais causas de dor na lateral do quadril são a tendinite dos glúteos médio e mínimo, que são tendões importantes nessa região e frequentemente podem inflamar, e a bursite trocantérica, que é uma inflamação de uma pequena bolsa de líquido nessa região, chamada de bursa trocantérica.

O que causa dor na parte de fora do quadril?

As principais causas de dor na parte de fora do quadril são a tendinite glútea e a bursite trocantérica. Essas lesões afetam principalmente mulheres de 40 a 60 anos de idade. A principal causa é um atrito constante nessa região, por conta da pelve mais larga na mulher. Outras causas são: traumas nessa região, excesso de exercícios, fraquezas musculares e diferença no comprimento das pernas.

O que é bom para bursite trocantérica?

Bursite trocantérica é uma inflamação na bursa trocantérica, uma pequena bolsa de líquido presente na parte de fora do quadril. Quando inflamada, causa dor nessa região. Seu tratamento é com repouso, compressas, Fisioterapia e medicações. Em casos de persistência, os médicos podem realizar infiltrações na região inflamada.

O que é tendinopatia dos glúteos médio e mínimo?

Esse termo, frequentemente presente em laudos de Ressonância Magnética do quadril, indicam uma inflamação nos tendões glúteos, que são os abdutores do quadril, ou seja, fazem o movimento de abertura do quadril. Essa lesão costuma causar dor na lateral do quadril, mas em algumas situações, pode estar presente sem causar sintomas ao paciente.

Descrição

A dor na lateral do quadril é causada na maioria das vezes pela tendinite de glúteos médio e mínimo ou bursite trocantérica, que afetam principalmente mulheres de 40 a 60 anos.

TAGS

Dor na lateral do quadril

Tendinite de glúteo médio

Bursite trocantérica

Edema entre o trato iliotibial e trocanter maior

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