A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Dor na nádega: como investigar e tratar
Dor na nádega é uma queixa relativamente frequente, e quando presente, é um sintoma que incomoda significativamente os pacientes, principalmente se for de longa duração.
Neste texto, abordaremos como é feita a investigação de dor glútea e as principais causas de dor nessa região.

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Investigação da dor na nádega
O primeiro passo para termos um diagnóstico assertivo nesses casos é realizar uma boa consulta, entendendo em detalhes as queixas do paciente, fatores associados, tais como: irradiação da dor para a coxa, presença de dor lombar, alterações de força ou sensibilidade e fatores de piora ou melhora da dor.
Além disso, examinar o paciente de maneira minuciosa é fundamental para que possamos alcançar um diagnóstico definitivo. Pelo Exame Físico, conseguimos diversas informações sobre a origem da dor, pontos gatilho, irradiação, força muscular e mobilidade do paciente.

Por último, o paciente deve realizar exames de imagem adequados para finalizar a investigação da causa da dor no glúteo.
Os principais exames solicitados são RX de bacia e quadris, Ressonância Magnética da coluna lombar e quadris e em alguns casos, a eletroneuromiografia ou tractografia pélvica, que avaliam a parte dos nervos dessa região.
Video mostrando como é o exame de tractografia pélvica, que combina imagem de Ressonância Magnética da pelve e plexo nervoso lombo-sacro, com avaliação funcional dos nervos.
E para complementar essa investigação podemos solicitar alguns exames de sangue, para avaliar fatores metabólicos do paciente, como inflamações crônicas, que podem piorar o quadro doloroso.
Logo após essa investigação, provavelmente chegaremos a uma conclusão sobre a causa da dor, sendo as principais descritas abaixo:
Problemas na coluna lombar
Doenças da coluna lombar são causas extremamente frequentes de dor na nádega, sendo as mais comuns:
- Hérnia de disco, também chamada de extrusão discal
- Protrusões ou abaulamentos discais
- Artrose das interapofisárias
- Estenose lombar
Quando a dor na nádega é causada por um dos problemas acima, ela pode estar associada a dor na região lombar ou não. Além disso, principalmente quando é causada por uma hérnia de disco, a dor pode irradiar pela face de trás ou do lado da coxa, chegando ao joelho, panturrilha ou até mesmo nos dedos dos pés.

Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar alteração de sensibilidade na região afetada e até mesmo perda de força na perna.
Entretanto, a grande maioria dos casos tem apenas dor “na bunda”, que piora ao ficar muito tempo em pé ou sentado, fazer atividades físicas ou mesmo em repouso.
O tratamento geralmente se inicia com medicações analgésicas e anti-inflamatórias, Fisioterapia de qualidade e alterações nas atividades que desencadeiam dor.
Casos refratários se beneficiam com infiltrações na coluna lombar, que aliviam de maneira significativa a dor, sendo um procedimento simples, seguro e eficaz.
Nesse procedimento, infiltramos medicações analgésicas, anti-inflamatórias e regenerativas nos pontos de dor. Além disso, o médico não realiza nenhum corte na pele e libera o paciente para ir para casa cerca de 3 horas após o término do procedimento.

Apenas casos mais avançados, como hérnias de disco ou estenose lombar, ou casos que não melhoram com a infiltração, podem necessitar de cirurgia.
Síndrome do piriforme
O piriforme é um músculo que fica logo abaixo do glúteo máximo (músculo que dá o formato da nádega), e que está muito próximo do nervo ciático.
Em algumas situações ele pode causar uma compressão no nervo ciático, gerando uma dor “na bunda” que pode irradiar ou não para a coxa. As principais alterações no piriforme que podem gerar essa situação são:
- Variação anatômica do piriforme, podendo ser bífido (dividido em dois), fazendo com que o ciático fique entre as duas partes do piriforme
- Encurtamento do músculo
- Hipertrofia ou contratura do piriforme

Esse é um dos casos que os médicos têm mais dificuldade para tratar, tanto porque o diagnóstico é desafiador, quanto porque os tratamentos disponíveis costumam oferecer pouca melhora. Mas as principais formas de tratar são:
- Analgésicos e anti-inflamatórios
- Relaxantes musculares
- Medicações para dor crônica e neuropática, principalmente a pregabalina e gabapentina
- Fisioterapia, focada em liberação mio-fascial profunda e mobilizações dessa região
- Fortalecimento e estabilização lombo-pélvica
- Terapia por ondas de choque focal
- Infiltração do piriforme com toxina botulínica (o famoso Botox®), para relaxar o músculo
- Cirurgia para liberar o músculo piriforme e soltar tecidos que podem estar prendendo o nervo ciático (raramente realizado)


Impacto isquio-femoral ou isquio-trocantérico
Essa doença afeta apenas mulheres e ocorre quando há uma redução do espaço entre o fêmur e a bacia, mais especificamente entre o ísquio e o trocanter menor do fêmur.
A redução da distância entre esses 2 ossos faz com que haja uma fricção nessa região, levando à dor principalmente ao caminhar.
Esses pacientes geralmente não conseguem levar a perna afetada muito para trás, pois é nessa posição que o fêmur encosta na bacia. Como resultado, eles acabam caminhando com passos mais curtos.
O diagnóstico é feito com o RX de bacia que evidencia a redução do espaço entre o trocanter menor e o ísquio, e com a a Ressonância Magnética de quadril, que identifica um edema (inflamação) no músculo quadrado femoral, que está exatamente na região do espaço mais estreito.

O tratamento é com Fisioterapia para analgesia local, fortalecimento muscular e estabilização da região lombo-pélvica e alterações das atividades que causam dor no paciente.
Apenas alguns raros casos necessitam de tratamento com cirurgia, para raspagem de um dos ossos que causam o atrito.
Tendinite de isquiotibiais
Uma outra causa de dor na região glútea é a tendinite ou tendinopatia dos isquiotibiais, que são os músculos da parte de trás da coxa (semimembranoso, semitendíneo e bíceps femoral). Eles começam no ísquio, o osso da nádega sobre o qual nos sentamos e descem pela coxa até o joelho.
Com frequência eles podem apresentar uma inflamação em sua inserção no ísquio, causando dor na parte baixa da nádega, principalmente ao ficar sentado ou fazer atividades físicas que exijam movimentos dos isquiotibiais.

O tratamento dessa lesão é com anti-inflamatórios, compressas, repouso e Fisioterapia. Casos que não melhoram com esse tratamento podem se beneficiar com infiltrações locais, que podem ser feitas com corticóides ou com terapias biológicas.
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
FAQ
Qual a doença que dá dor nas nádegas?
Algumas doenças podem dar dor nas nádegas, sendo as principais delas: problemas de coluna lombar como artrose facetaria e hérnia de disco, além de problemas da própria região glútea, como síndrome do piriforme, impacto ísquio-femoral ou tendinite de isquiotibiais.
Como investigar dor na nádega?
Pacientes que apresentam dor persistente na nádega ou nas nádegas necessitam ser avaliados por médicos especialistas em quadril. Na consulta serão realizados testes específicos que darão um direcionamento da doença. Além disso, o médico pode solicitar exames como RX, Ressonância Magnética e eletroneuromiografia para auxiliar no diagnóstico.
Como aliviar a dor nas nádegas?
O médico começa o atendimento realizando uma investigação adequada para chegar a um diagnóstico assertivo. Depois disso, ele pode indicar tratamentos com medicações, fisioterapia, alongamentos, repouso das atividades físicas, infiltrações ou até cirurgias, conforme a causa da dor do paciente.
Descrição
Problemas na lombar ou nos quadris podem causar dor na nádega. O médico deve investigar adequadamente a origem do problema para definir o tratamento mais adequado.
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