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Edema Ósseo no Quadril

Edema ósseo é um processo inflamatório do osso causado por contusões, sobrecargas mecânicas, impacto e fratura, podendo acometer a cabeça do fêmur e acetábulo.

O que é edema ósseo no quadril?

Pacientes que realizam uma ressonância magnética de quadril e olham o laudo antes de retornar à consulta médica podem se assustar com alguns termos que são utilizados no laudo. Um desses termos seria o edema no osso, geralmente descrito como:

  • Edema ósseo
  • Edema subcondral
  • Edema medular
  • Edema no osso subcondral

Todos esses termos são sinônimos, e descrevem uma inflamação no osso, que é decorrente de algum insulto ao osso dessa região, e é visualizado apenas no exame de Ressonância Magnética.

Os principais locais acometidos por edema ósseo no quadril são:

  • Cabeça do fêmur
  • Colo do fêmur
  • Teto acetabular (parte de cima da cavidade onde a cabeça do fêmur se encaixa)
  • Ossos púbicos

Veremos a seguir as principais doenças que podem se apresentar com edema no osso do quadril.

Artrose de quadril (osteoartrite de quadril ou artrose coxofemoral)

A artrose do quadril é o desgaste da cartilagem dessa articulação, fazendo com que os movimentos que antes aconteciam entre duas superfícies lisas e lubrificadas (cabeça do fêmur e acetábulo revestidos pela cartilagem), agora ocorrem na situação conhecida como “osso com osso”.

Essa é uma condição anormal, que leva a um atrito muito grande entre os dois ossos, causando uma inflamação nesses ossos, que se resulta em dor, estalos, perda de mobilidade e restrições para o paciente realizar atividades diárias e esportivas.

Esse edema pode ocorrer tanto na cabeça do fêmur quanto no acetábulo, principalmente na sua parte de cima, chamada de teto acetabular.

Edema Ósseo no Quadril | Dr. Felipe Bessa
Laudo de ressonância magnética de quadril com artrose, evidenciando o edema ósseo subcondral (imagem mais esbranquiçada) no acetábulo e cabeça do fêmur, apontados pelas setas na imagem.

O tratamento do desgaste do quadril é feito com Fisioterapia e medicações em casos iniciais, infiltrações em casos moderados e cirurgia em casos avançados.

A cirurgia é feita com a realização da prótese de quadril, uma articulação artificial metálica que substitui o quadril normal, fazendo com que o paciente volte a movimentar o quadril e andar sem dor.

Artrose avançada e Prótese de Quadril | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem mostra uma artrose avançada no quadril direito e a segunda, uma prótese de quadril feita para tratar uma artrose avançada.

Osteonecrose da cabeça do fêmur

A osteonecrose da cabeça do fêmur, também chamada de necrose avascular ou necrose asséptica, é uma doença que ocorre por conta de uma interrupção ou diminuição da irrigação sanguínea para a cabeça do fêmur.

Assim como outros tecidos do nosso organismo, o osso da cabeça do fêmur precisa receber oxigênio e nutrientes, que chegam pelo sangue. Com o aporte sanguíneo inadequado, as células ósseas da cabeça do fêmur acabam morrendo.

Isso gera dor no quadril, de variada intensidade entre pacientes. Ela é geralmente sentida na região das virilhas.

A morte do osso na cabeça femoral gera uma inflamação nessa região, que pode causar um edema ósseo na cabeça do fêmur.

Os laudos das ressonâncias magnéticas geralmente descrevem uma lesão geográfica ou serpentiforme na cabeça do fêmur, confirmando a hipótese de osteonecrose.

Edema ósseo na cabeça do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Laudo de ressonância magnética evidenciando edema ósseo na cabeça do fêmur por conta de osteonecrose, e imagem correspondente.

Nos casos iniciais, o tratamento é feito com a descompressão da cabeça do fêmur, cirurgia na qual remove-se com uma broca o osso morto. O espaço remanescente é preenchido com um enxerto ósseo, que pode ser enriquecido com substâncias biológicas, na tentativa de formar um osso normal novamente.

Já em casos avançados, ou seja, em que há perda da esfericidade da cabeça do fêmur (descrita como achatamento ou colapso), o tratamento é feito com a prótese de quadril, uma vez que houve uma alteração irreversível do formato da cabeça femoral.

Fratura de estresse do colo do fêmur

As fraturas de estresse ocorrem por uma sobrecarga contínua em algum osso, gerando uma fadiga nesse osso, que ao longo do tempo acaba apresentando pequenas “rachaduras”, que são as fraturas.

Esse mecanismo é diferente das fraturas agudas, que ocorrem com um trauma súbito e intenso no osso, causando uma fratura imediata.

No quadril, o local mais comum de se apresentar com fratura de estresse é o colo do fêmur. Acomete principalmente corredores, que aumentaram significativamente a intensidade de seus treinos.

Eles começam a apresentar dor na virilha, inicialmente ao final do exercício e vai progredindo até impedir o paciente de praticar qualquer atividade.

Seu diagnóstico é feito com a ressonância magnética, que evidencia um edema ósseo na região ínfero-medial do colo femoral, podendo apresentar traço de fratura visível ou não.

Laudo: Edema ósseo na região ínfero-medial do colo femoral

Seu tratamento é feito com a cessação dos treinos e uso de muletas por 6 semanas. Com a melhora da dor e das alterações nos exames de imagem, o paciente pode retomar gradualmente os treinos.

Caso o paciente insista nos treinos, a fratura pode ficar completa, necessitando de cirurgia, que é feita com a colocação de parafusos ou placa + parafusos, dependendo do caso.

Edema Ósseo no Quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem mostrando um edema ósseo no colo femoral, compatível com fratura por estresse do colo do fêmur, e imagens de RX mostrando possíveis cirurgias em casos que não foram adequadamente tratados.

Impacto femoro-acetabular

O impacto femoro-acetabular é uma doença causada pela presença anormal de saliências ósseas no fêmur ou no acetábulo, fazendo com que ao se realizar um movimento amplo de flexão do quadril, ocorra um impacto entre a saliência óssea e o outro osso do quadril.

Impacto femoro-acetabular | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando o impacto femoro-acetabular, que por conta de saliências ósseas na transição cabeça/colo do fêmur ou na borda do acetábulo, podem levar ao aparecimento de edema ósseo no quadril.

O impacto entre os ossos de forma repetitiva pode levar ao aparecimento de edema ósseo, geralmente no teto acetabular.

Isso ocorre principalmente em praticantes de atividades físicas, devido dos movimentos repetitivos nessa articulação.

O principal sintoma do impacto femoro-acetabular é dor na região da virilha, principalmente ao se fazer muita flexão do quadril, em movimentos como de chute ou agachamento, em movimentos torcionais e ao entrar e sair do carro.

Seu tratamento se inicia com alterações das atividades desencadeadoras, medicações analgésicas e anti-inflamatórias e Fisioterapia. Pacientes que persistem com sintomas e limitações podem necessitar de cirurgia, para remoção das saliências ósseas.

Pubeíte ou osteíte púbica

Esses termos se referem a uma inflamação nos ossos púbicos, ossos que ficam na parte da frente da pelve, no púbis.

Essa patologia é uma das causas de pubalgia. Ela ocorre por alterações mecânicas nessa região, levando a uma sobrecarga sobre os ossos púbicos, que acabam inflamando, situação vista na ressonância magnética como um edema ósseo subcondral nos ossos púbicos.

Laudo Pubeíte ou osteíte púbica | Dr. Felipe Bessa

Seu tratamento não é fácil, pois na grande maioria das vezes, afeta praticantes de atividades físicas que não tem desejo ou não podem se afastar de seus treinos por muito tempo.

Apesar disso, o tratamento se inicia com repouso, medicações anti-inflamatórias e Fisioterapia. Em casos persistentes, pode-se realizar infiltrações nessa região.

É importante avaliar se o paciente pode apresentar impacto femoro-acetabular, pois ele pode ser um dos responsáveis pela sobrecarga nos ossos púbicos.

Junto com a osteíte púbica, pode estar presente tendinopatia (tendinite) de adutores e lesão da aponeurose retoadutora, membrana que junta os músculos do abdome com os adutores.

Contusão no quadril

Contusão é quando ocorre uma “pancada” em alguma região do nosso corpo, sem a ocorrência de fratura. Apesar de não existir uma fratura no osso, ele acaba sofrendo um insulto, e caso seja feita uma ressonância magnética, o exame pode detectar um edema ósseo no fêmur, como consequência da contusão.

O tratamento nesses casos é feito com repouso, compressas de gelo e anti-inflamatórios. Caso o paciente apresente muita dor para andar, bengala, muletas ou andador podem ser utilizados por alguns dias ou semanas, até que a dor se resolva.

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Mayo Clinic
OrthoInfo

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

FAQ

1. O que causa edema no osso?

Edema ósseo é uma inflamação no osso, que pode ocorrer por conta de uma “pancada” (contusão), fratura, sobrecarga mecânica, impacto repetitivo ou desgaste. No quadril, as principais causas são artrose, impacto femoro-acetabular, osteonecrose da cabeça do fêmur, fratura de estresse e lesões esportivas.

2. O que significa edema ósseo subcondral?

Isso significa que está havendo algum insulto ao osso de uma determinada região. O edema ósseo é o resultado de um processo inflamatório causado por traumas, esforço repetitivo, sobrecargas e até fraturas, sendo visualizado no exame de ressonância magnética.

3. Como tratar edema ósseo no quadril?

O tratamento do edema ósseo depende da causa do edema. Se for uma contusão, o tratamento é feito com gelo, medicações e repouso. Se for por sobrecarga mecânica, repouso e Fisioterapia. Já uma fratura de estresse, deve ser tratada com repouso, muletas e retorno gradual ao esporte. E no caso de artrose, vai depender do grau da artrose, podendo ser com medicações, Fisioterapia, infiltração ou cirurgia.

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