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Estalos no Quadril: o que podem significar?

Uma queixa frequente no consultório do Especialista em Quadril é a presença de estalos no quadril, ao se realizar algum movimento nessa articulação. Neste artigo, escrito por um Ortopedista e Cirurgião de Quadril, Dr. Felipe Bessa, você entenderá mais sobre as possíveis causas associadas a este sintoma. Continue lendo!

Estalos no Quadril | Dr. Felipe Bessa

Como os estalos no quadril se manifestam?

Alguns pacientes relatam estalos acompanhados de dor, enquanto outros descrevem estalos indolores.

Além disso, em alguns casos os estalos são apenas sentidos pelo paciente, enquanto em outros casos, os estalos são audíveis tanto para os pacientes quanto para pessoas que estão ao seu redor.

Independentemente dessas características, os estalos no quadril causam preocupação aos pacientes, gerando dúvidas se o quadril sai do lugar, se houve alguma fratura ou se algum tendão ou ligamento se rompeu.

Mas afinal de contas, o que podem ser os estalos no quadril? Diversas causas originam os estalos, e as principais serão explicadas a seguir.

Ressalto externo do quadril

O ressalto externo é um fenômeno causado pela excursão do trato iliotibial sobre o trocanter maior do fêmur. O trato iliotibial é uma camada de tecido que se inicia no osso ilíaco, na bacia, e recobre a face lateral da coxa, indo até o joelho. O trocanter maior é a parte mais saliente do fêmur, aquele osso que palpamos na região lateral do quadril (muitas vezes confundido erroneamente com a cabeça do fêmur).

Estalos no Quadril | Dr. Felipe Bessa

Em condições normais, ao se fazer movimentos e flexão e extensão do quadril (para frente e para trás), o trato iliotibial desliza sutilmente sobre o trocanter maior, sem causar nenhuma estranheza.

Entretanto, em pacientes nos quais essa estrutura apresenta um encurtamento, contratura ou espessamento, existe um atrito entre ele e o trocanter maior, fazendo com que o trato iliotibial se movimente “raspando” no osso, o que gera o estalo.

Devido à sua localização, sente-se o estalo na região lateral do quadril, e ele é indolor na grande maioria dos casos. Nesses pacientes o tratamento é conservador, sendo realizado apenas com alongamentos e Fisioterapia, além da orientação sobre a benignidade do caso.

Nos casos em que o ressalto é acompanhado de dor, inicia-se o tratamento com as mesmas medidas. No entanto, se a dor persistir, realiza-se uma cirurgia que envolve o corte de um pequeno pedaço do trato iliotibial, impedindo que ele continue raspando no fêmur.

Essa cirurgia pode ser feita de forma aberta, ou seja, com um corte maior na pele e visualização direta, ou por meio da artroscopia de quadril, que se realiza com pequenos cortes na pele, chamados de portais, com o auxílio de uma câmera.

Ressalto interno do quadril

Esse estalo ocorre porque um dos tendões que passam pelo quadril, o do iliopsoas, logo à frente do quadril, raspa em alguma estrutura óssea logo abaixo dele, geralmente a cabeça do fêmur ou a eminência iliopectínea (uma parte do osso da bacia), ao se fazer a extensão do quadril (levar o quadril para trás).

Movimento que o tendão do iliopsoas faz sobre a eminência iliopectínea
Imagem ilustrando o movimento que o tendão do iliopsoas faz sobre a eminência iliopectínea ou a cabeça do fêmur, causando o ressalto interno do quadril

Teorias menos utilizadas são de que o tendão raspa na Bursa do iliopsoas ou no trocanter menor, região do fêmur onde o tendão está inserido.

Esse estalo é geralmente audível e pode ou não ser acompanhado de dor. Devido à localização do tendão, ele é sentido na parte da frente do quadril, na região da virilha.

Como o ressalto interno do quadril é tratado?

Seu tratamento também se inicia com medidas conservadoras, como uso de medicações anti-inflamatórias, repouso e Fisioterapia, focada em alongamento e exercícios de condicionamento muscular.

Nos casos de falha de tratamento, podem ser realizadas infiltrações no tendão e na bursa do iliopsoas, reduzindo assim o processo inflamatório, e consequentemente a dor.

Caso o incômodo com o ressalto persista, podem ser realizadas cirurgias para alongamento do tendão, via artroscopia do quadril. Esse é um procedimento pequeno, que permite que o paciente receba alta no mesmo dia da cirurgia.

Ressalto intra-articular

O ressalto intra-articular ocorre por conta de alguma patologia dentro da articulação do quadril, ou seja, na junção da cabeça do fêmur com a bacia.

As principais causas de ressalto intra-articular são:

  • Lesão do lábio acetabular: o lábio acetabular é uma estrutura de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo (região da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa); ele tem diversas funções no quadril, entre elas, a de estabilizar a cabeça do fêmur na articulação; ao estar lesionado, permite movimentos instáveis da cabeça femoral, podendo gerar estalos e dor no quadril.
  • Corpos livres: fragmentos de osso ou cartilagem soltos dentro da articulação do quadril que se deslocam quando a cabeça do fêmur se movimenta, causando dor e estalos nessa articulação.
  • Fraturas da cabeça do fêmur: uma fratura na cabeça do fêmur faz com que os movimentos nessa articulação não sejam sutis, e sim irregulares e possivelmente acompanhados de estalos.

No ressalto intra-articular, a grande maioria dos casos apresenta dor, uma vez que o estalo é causado por uma lesão importante no quadril. Esse tipo de ressalto, geralmente se inicia após um trauma no quadril, causando alguma das lesões citadas acima.

Além disso, a sensação é diferente dos ressaltos externo e interno, nos quais parece que alguma estrutura está “saltando” ou “pulando” no quadril. No ressalto intra-articular, a sensação é de um clique ou estalido, ou seja, a dor chama mais atenção do que o estalo em si.

Como se trata o ressalto intra-articular?

O tratamento desse tipo de ressalto é na grande maioria das vezes cirúrgico, uma vez que existe uma lesão anatômica dentro da articulação do quadril, não melhorando com tratamento conservador.

No caso de lesão do lábio acetabular, é possível repará-la por meio da artroscopia de quadril, suturando a lesão com o uso de âncoras absorvíveis.

Em casos com presença de corpos livres no quadril, deve-se removê-los também por meio da artroscopia, sem causar grandes danos à articulação.

E no caso de fratura osteocondral na cabeça do fêmur, pode-se fixar a fratura por via aberta com pequenos parafusos ou ressecá-la por via artroscópica, dependendo do tamanho da lesão.

Artrose do quadril

A artrose do quadril também pode causar estalos nessa articulação. Mas diferentemente das outras causas, não existe uma estrutura solta na articulação ou um tendão ressaltando sobre uma proeminência óssea.

Na artrose do quadril, há um desgaste da camada de cartilagem que recobre tanto a cabeça do fêmur, quanto o acetábulo, fazendo com que em casos avançados, o osso da cabeça femoral raspe no osso do acetábulo, gerando estalos sentidos pelo paciente.

Estalos no Quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando um quadril normal a esquerda e um quadril com artrose a direita, evidenciada pelo desgaste da cartilagem e inflamação na articulação.

No caso da artrose, os estalos são menos frequentes, e os sintomas mais comuns são dor no quadril, dificuldade para deambular e perda de mobilidade nessa articulação.

Como se trata a artrose do quadril?

O tratamento da artrose depende do grau da doença. Casos iniciais são tratados com Fisioterapia e medicações, e podem ser realizadas infiltrações com ácido hialurônico ou células tronco obtidas do tecido adiposo abdominal.

Em casos avançados, realiza-se o tratamento com a prótese de quadril, uma cirurgia que substitui a articulação desgastada por uma prótese metálica, aliviando assim a dor e devolvendo qualidade de vida ao paciente.

Como se diagnostica a causa dos estalos no quadril?

Primeiramente, as informações colhidas durante a consulta são essenciais para entender se os sintomas se iniciaram abruptamente, após um trauma por exemplo, ou se vem de longa data. Além disso, entender a localização, frequência e fatores desencadeantes dos estalos também é essencial nessa avaliação.

Ao realizar um exame físico detalhado, obtém-se informações importantes que auxiliam no diagnóstico da causa e possíveis lesões associadas.

E por último, a realização de exames de imagem é essencial para se confirmar o diagnóstico. Os principais exames realizados nessa situação são:

RX

O raio-x mostra a relação entre a cabeça do fêmur e a bacia, além de deformidades nesses ossos e artrose na articulação.

RX de bacia mostrando a anatomia dos quadris
RX de bacia mostrando a anatomia dos quadris e a relação adequada entre as cabeças femorais e os acetábulos.

Ultrassom

O ultrassom é um exame dinâmico que pode mostrar o trato iliotibial ou o tendão do iliopsoas ressaltando sobre as proeminências ósseas. Além disso, pode mostrar processos inflamatórios nos tendões e bursas, também relacionados aos estalos.

Ressonância Magnética

A ressonância magnética é o exame que mais informações fornece. Ele mostra em detalhes inflamações nos tendões, bursas ou outros tecidos ao redor do quadril; mostra artroses mesmo em estágios iniciais; e mostra possíveis corpos livres ou fraturas pequenas na articulação do quadril. Um achado comumente descrito em laudos de ressonâncias é: “edema da gordura interposta entre o trato iliotibial e o trocanter maior”, que é um indício de atrito entre essas duas estruturas.

Estalos no Quadril | Dr. Felipe Bessa
Ressonância Magnética evidenciando atrito entre o trato iliotibial e o trocanter maior do fêmur, causando uma tendinite no local

Após o diagnóstico adequado, deve-se tratar as lesões conforme citado acima. A boa notícia é que grande parte das lesões que causam estalos no quadril são leves, sendo o ressalto externo e interno os mais frequentes, melhorando na grande maioria dos casos com medidas conservadoras.

Todo o tratamento deve ser feito de forma individualizada e definido após uma avaliação médica criteriosa. Portanto, em caso de sinais e sintomas que possam estar relacionado a alguma condição citada neste artigo, consulte um especialista em quadril o quanto antes.

O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) e Club des AMIS. Com atuação no Núcleo de Ortopedia Especializada, ele tem enfoque em tratamento clínico e procedimentos minimamente invasivos para patologias esportivas e degenerativas do quadril.

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Referências
Ortho Info
Healthline
Snapping Hip Syndrome: A Comprehensive Update

FAQ

1. O que podem ser estalos no quadril?

Diversas são as causas de estalos no quadril. Mas as mais comuns são encurtamentos ou contraturas músculo-tendíneas, causando os chamados ressalto externo ou ressalto interno do quadril. Entretanto, lesões dentro da articulação, tais como lesão do lábio acetabular, corpos livres ou artrose também podem causar estalos no quadril.

2. Como tratar estalos no quadril?

O tratamento dos estalos no quadril depende da causa exata dos estalos. Se um encurtamento ou contratura tendínea ou muscular causar o problema, deve-se tratar com repouso, medicações anti-inflamatórias e exercícios de alongamento e fortalecimento. Entretanto, os casos que não melhoram com tais medidas podem ser submetidos a cirurgias para alongamento, com importante melhora dos sintomas. Entretanto, realizar uma avaliação especializada é essencial para proporcionar o tratamento adequado.

3. Como saber se o quadril está fora do lugar?

Uma dúvida frequente ao se sentir uma dor no quadril é se o quadril saiu do lugar. Não é impossível que o quadril saia do lugar, mas a luxação do quadril (esse é o nome correto) é uma lesão rara, que acontece apenas em acidentes graves. O paciente sente uma dor muito importante no quadril e não consegue andar; o diagnóstico é feito com RX, e deve ser tratado com urgência. Entretanto, na grande maioria das vezes, dores no quadril são causadas por outros problemas no quadril, devendo ser avaliado por médico especialista.

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