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Fratura do Colo do Fêmur

O que é fratura do colo do fêmur?

A fratura do colo do fêmur é uma das fraturas mais comuns no quadril, e ocorre principalmente em pacientes que apresentam osteoporose ou osteopenia e em pacientes com idades avançadas.

Ocorrem geralmente com quedas simples em casa, escorregando em objetos no chão, tapetes ou no banheiro molhado.

Mais raramente elas acometem pacientes jovens, e nesses pacientes são geralmente decorrentes de traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura.

Essas fraturas são muitas vezes chamadas erroneamente de fratura da cabeça do fêmur, que é uma fratura rara, ao contrário da fratura de colo do fêmur, cada vez mais comum devido ao envelhecimento da população.

Fratura do colo do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a fratura do colo do fêmur, que fica na região do quadril.

Quais são os seus sintomas?

O principal sintoma da fratura do colo do fêmur é uma dor súbita e importante no quadril, geralmente na região profunda virilha ou parte de cima da coxa. Palpar ou tentar mobilizar a perna acometida causa ainda mais dor no paciente.

Além disso, o paciente não consegue se apoiar na perna fraturada ou andar.

Também é visualizada uma deformidade na perna, que devido à fratura, fica mais curta que a outra perna, além de fazer com que o pé fique rodado para fora.

Posição clássica dos pés após fratura de colo do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Posição clássica dos pés após fratura de colo do fêmur. A perna fica mais curta e o pé rodado para fora.

Como a fratura de colo do fêmur é diagnosticada?

Devido os sintomas descritos acima, o paciente é sempre levado ao Pronto Socorro, onde é realizado RX, que detecta a grande maioria das fraturas do colo do fêmur.

RX mostrando fratura de colo do fêmur
Imagens de RX mostrando fratura de colo do fêmur desviada e sem desvio, respectivamente.

Apenas fraturas ocultas, que são muito raras, necessitam da realização de Ressonância Magnética para serem diagnosticadas

Como as fraturas do colo do fêmur são tratadas?

Todas as fraturas agudas de colo do fêmur são de tratamento cirúrgico, pelos seguintes motivos:

  • Fraturas não operadas não irão consolidar (colar/calcificar) adequadamente
  • O paciente não conseguirá mais apoiar a perna afetada no chão, ou conseguirá com muita dor e dificuldade
  • A ocorrência de complicações clínicas é muito alta nos pacientes não operados. As principais são trombose venosa, embolia pulmonar, broncoaspiração, pneumonia, escaras de decúbito (feridas na pele por ficar apenas deitado), além de alterações do nível de consciência e morte.

Além disso, não devemos esperar muito tempo para operar paciente com fratura do colo do fêmur. O ideal é que esses pacientes sejam operados entre 24 e 48 horas da ocorrência da fratura.

O tratamento vai depender de alguns fatores, tais como:

  • Idade do paciente
  • Desvio da fratura (se está alinhada ou desalinhada)
  • Grau de osteoporose
  • Condições clínicas do paciente

Dessa forma, os tratamentos são feitos geralmente da seguinte maneira:

Em fraturas sem desvio, que são as menos comuns, a cirurgia é realizada com a colocação de 3 parafusos ou uma placa associada a alguns parafusos pelo colo do fêmur, seja em pacientes jovens ou idosos.

Opções de tratamento
Opções de tratamento com parafusos na primeira imagem e placa com parafusos na segunda imagem, para tratamento de fratura de colo do fêmur.

Já em fraturas desviadas, que são a grande maioria dos casos, o ideal é que em pacientes jovens realize-se o realinhamento do osso do colo do fêmur, seja utilizando uma mesa ortopédica específica que auxilia nessa manobra, ou com uma cirurgia aberta, seguida da colocação de uma placa e parafusos metálicos para manter o alinhamento do osso, até que ele consolide adequadamente.

Nestes casos, é importantíssimo que a cirurgia seja realizada o mais rápido possível, pois a demora em realinhar o osso pode levar a complicações e sequelas irreversíveis no quadril.

Já nas fraturas desalinhas em pacientes de mais idade (geralmente a partir de 60 anos de idade), o tratamento é feito com a prótese de quadril, uma vez que o osso desses pacientes é mais frágil e tem menor capacidade de consolidar adequadamente.

Assim, retira-se o osso fraturado e é feita sua substituição com uma prótese metálica, que devolve a mobilidade ao quadril, bem como a capacidade de o paciente andar e realizar atividades do dia a dia e até mesmo atividades esportivas.

Para fraturas de colo do fêmur, existem alguns tipos diferentes de próteses que podem ser utilizadas.

Em relação à fixação dos componentes da prótese no osso, ela pode ser feita sob pressão (técnica chamada de press-fit), na qual o componente entra bem apertado no osso, e ao longo do tempo o osso cresce ao redor da prótese, garantindo uma boa fixação no longo prazo. Essa técnica é ideal para pacientes com uma boa qualidade óssea.

Prótese de Quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a prótese de quadril e RX de prótese de quadril.

Como a grande maioria dos pacientes que apresentam fratura do colo do fêmur tem algum grau de osteoporose, a técnica de press-fit pode não ser a ideal. Nesses casos, o recomendado é que o componente que vai dentro do fêmur seja fixado com cimento ortopédico, que endurece em alguns minutos na cirurgia, garantindo uma boa fixação da prótese.

Outro detalhe que deve ser pensado é se a prótese é total ou parcial.

Prótese total é a que tem componentes tanto no fêmur quanto na bacia. Já a prótese parcial só tem o componente do fêmur, fazendo com que a cabeça da prótese articule com a bacia do próprio paciente.

Prótese total de quadril cimentada no fêmur | Dr. Felipe Bessa
O primeiro RX mostra uma prótese total de quadril cimentada no fêmur, para garantir melhor fixação em osso de má qualidade. O segundo RX é de uma prótese parcial, que tem apenas o componente do fêmur.

As próteses totais têm uma durabilidade maior do que as parciais, mas são um pouco mais agressivas para o paciente. Dessa forma, pacientes mais jovens e com boas condições de saúde, se beneficiam mais com a prótese total. Já pacientes muito idosos e com uma saúde mais debilitada, podem ser submetidos a prótese parcial.

Como é a recuperação após a cirurgia para fratura de colo do fêmur?

Pacientes que foram submetidos a fixação da fratura com placa e/ou parafusos, devem permanecer algumas semanas (6 a 8 na maioria dos casos) sem apoiar o pé no chão, para não correr o risco de o peso do corpo desalinhar a fratura até que ela esteja razoavelmente estabilizada. Depois desse período, o paciente começa a andar apoiando o pé no chão com auxílio de andador ou muletas, e vai progressivamente aumentando o peso do corpo que pode apoiar na perna operada.

A Fisioterapia para fortalecimento muscular e mobilidade do quadril é realizada desde o primeiro dia após a cirurgia.

Esses pacientes devem ser acompanhados regularmente com RX, para se avaliar a adequada calcificação da fratura, e os pontos são retirados entre 15 e 20 dias após a cirurgia.

Já os pacientes que foram submetidos à prótese de quadril também irão realizar Fisioterapia para fortalecimento e mobilidade do quadril desde o início.

Entretanto, com a prótese o paciente já pode pisar no chão no dia seguinte à cirurgia, com auxílio de andador ou muletas, geralmente por 4 a 6 semanas. Após esse período, o paciente já costuma ter condições de caminhar sem nenhum apoio.

A dor no pós-operatório não costuma ser importante, e é controlada com medicações analgésicas comuns. Além dos analgésicos, o paciente deve utilizar meias elásticas e anti-coagulantes por 1 mês para evitar a ocorrência de trombose ou embolia.

Quais as possíveis complicações após a cirurgia?

Com a técnica escolhida da melhor maneira e com a realização de uma cirurgia de maneira apropriada, por um Especialista em Quadril, conseguimos minimizar muito a ocorrência de complicações no pós-operatório.

Entretanto, mesmo infrequentes, algumas complicações podem ocorrer. Para os casos que foram submetidos a fixação da fratura com parafusos e/ou placa, as complicações mais comuns são osteonecrose da cabeça do fêmur, principalmente nos pacientes que demoraram para serem operados, além de calcificação inadequada ou ausência de calcificação da fratura.

Nesses casos, o paciente deve ser submetido a nova cirurgia, para colocação de uma prótese de quadril.

Já nos pacientes em que foi colocada uma prótese, não existe a possibilidade de osteonecrose e nem há a necessidade de se preocupar com a consolidação da fratura. As principais complicações que podem ocorrer com a prótese são:

  • Infecção pós-operatória: é uma contaminação por bactérias, erroneamente chamada de rejeição. Felizmente é rara.
  • Luxação da prótese: é quando há um deslocamento entre a cabeça da prótese e o componente da bacia
  • Trombose: o sangue cogula dentro dos vasos; felizmente pode ser facilmente evitada com o uso de meias elásticas e anti-coagulantes.

É possível prevenir a fratura do colo do fêmur?

Sim! As medidas que devem ser feitas para evitar fratura de colo do fêmur são:

  • Prevenção da osteoporose: isso se faz com a prática regular de atividades físicas, dieta contendo quantidades adequadas de cálcio e exposição solar em horários de baixa radiação, para aumentar os níveis de Vitamina D
  • Realização de densitometria óssea nos pacientes de alto risco para osteoporose (mulheres na menopausa e população geral acima dos 70 anos)
  • Tratamento adequado da osteoporose, quando diagnosticada
  • Removendo-se objetos largados no chão de casa e colocando barras nos banheiros para evitar quedas

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Mayo Clinic
OrthoInfo

FAQ

1. O que acontece quando quebra o colo do fêmur?

A fratura do colo do fêmur é muito comum em pacientes idosos e com osteoporose, mas também pode acontecer em pacientes jovens, geralmente em acidentes de trânsito. O paciente apresenta uma dor forte no quadril e não consegue andar. O tratamento é sempre com cirurgia, seja com a utilização de parafusos, placa + parafusos ou prótese de quadril, dependendo da idade e condições de saúde do paciente e tipo da fratura.

2. Como é feita a cirurgia de colo do fêmur?

Toda fratura de colo do fêmur deve ser operada. Fraturas sem desvio podem ser tratadas com a colocação de parafusos ou uma placa e parafusos. Fraturas desviadas em pacientes jovens devem ser tratadas com o realinhamento do osso e colocação de placa com parafusos. Já as fraturas desviadas em pacientes idosos devem ser tratadas com prótese de quadril, que é uma articulação artificial, metálica.

3. Quais os riscos de uma cirurgia no colo do fêmur?

Os principais riscos da cirurgia de fratura de colo do fêmur são a calcificação inadequada ou ausência de calcificação da fratura, nos casos tratados com parafusos ou placa. Já nos casos tratados com prótese os riscos são infecção, luxação (deslocamento) da prótese, sangramento, trombose e assimetria entre as pernas. Entretanto, o maior risco é não operar ou demorar para operar um paciente com fratura de colo do fêmur, que fica acamado e pode ter diversas complicações graves.

4. O que é fratura de colo do fêmur?

O colo do fêmur é a parte desse osso que fica entre a cabeça do fêmur e o trocanter maior, que é o pedaço de osso que palpamos na parte lateral do nosso quadril. É uma das regiões mais comuns de apresentar fratura, principalmente em idosos e pacientes com osteoporose. Quando ela ocorre, o paciente tem uma dor importante no quadril, não consegue andar ou mobilizar a perna afetada. Precisa de cirurgia para seu tratamento, seja com parafusos, placa ou prótese de quadril.

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