A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Infiltrações no quadril em consultório: Quando e como realizar
Índice ocultar
Infiltrações são procedimentos utilizados pelos Ortopedistas há muitos anos, para tratar uma série de lesões e doenças.
Na especialidade de Quadril, as principais indicações para a realização desse procedimento são:
- Artrose do quadril
- Tendinopatias (tendinites)
- Síndrome do piriforme
Neste texto vamos abordar as indicações exatas e quais os produtos mais utilizados para essas infiltrações. Por isso, continue lendo!
Infiltrações para artrose do quadril
A artrose do quadril é uma doença degenerativa, cuja principal alteração é o desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo, geralmente associado a algum grau de inflamação da articulação. Por isso, o nome mais correto é osteoartrite, indicando a presença de desgaste e inflamação.

Pacientes portadores de osteoartrite do quadril costumam apresentar dor, perda de mobilidade, dificuldade para caminhar e realizar atividades diárias e esportivas.
Geralmente, o tratamento inicial é com Fisioterapia, medicações analgésicas e condroprotetoras como a glicosamina e colágenos (existe uma grande controvérsia se elas realmente funcionam), e perda de peso.
Caso esse tratamento não gere bom resultado e o paciente tenha uma artrose inicial ou moderada, podemos indicar a infiltração dentro da articulação.
Esse procedimento geralmente proporciona:
- Redução da dor
- Aumento da mobilidade do quadril
- Melhora na capacidade de realizar atividades diárias e esportivas
Entretanto, é necessário compreender que os efeitos são variáveis de paciente para paciente, e que a melhora não é definitiva, tendo uma duração média de 6 a 12 meses.
Quais são os principais produtos utilizados na infiltração?
Os principais produtos que usamos atualmente são:
- Ácido hialurônico: gel que tem propriedades viscoelásticas e de lubrificação, por ser um componente natural em nossa articulação. O mais indicado para o quadril é o de alto peso molecular. Geralmente associamos com uma pequena quantidade de corticóide, que ajuda a desinflamar a articulação. Procedimento feito em aplicação única.

- Hidrogel bioativo: similar ao ácido hialurônico, porém produto mais novo. Ainda existem poucos estudos que comprovam sua eficácia. Exige duas aplicações, com intervalo de uma semana entre cada uma.

- Plasma rico em plaquetas: também conhecido pela sua sigla PRP, é um produto obtido do sangue do paciente, feito com a centrifugação e concentração das plaquetas. Faz parte das terapias regenerativas. Tem potencial de reparação e desinflamação tecidual. Geralmente infiltramos em associação com o ácido hialurônico. Pode necessitar de mais de uma aplicação para alcançar o resultado esperado.

Realizamos essas aplicações com o paciente acordado, com anestesia local, com pouco desconforto, utilizando o ultrassom para guiar a infiltração no local correto.
O paciente não precisa fazer nenhum preparo específico, como jejum ou suspender o uso de canetas emagrecedoras. Recomendamos que não realize atividades físicas ou grandes caminhadas nos 4 a 5 dias seguintes à aplicação.
É esperado ter dor leve a moderada nos primeiros dias após a infiltração, devido ao volume infiltrado. O paciente pode usar analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.
Entretanto, no caso de infiltração com PRP, o paciente não pode utilizar anti-inflamatórios ou corticóides nas semanas antes e depois da aplicação, pois essas medicações podem reduzir o efeito do PRP.
Infiltrações para tendinite de glúteos médio e mínimo e da bursite trocantérica
Os tendões glúteos médio e mínimo são os tendões mais importante do quadril, sendo chamados de abdutores, pois são eles que fazem o movimento de abertura do quadril.
Entretanto, essa não é a única função dos abdutores. Eles também são essenciais para estabilizar a pelve durante a marcha, principalmente nos momentos em que o corpo está apoiado apenas em uma perna.
Dessa forma, esses tendões são constantemente demandados no nosso dia a dia, sem que tenhamos noção disso.
E esses tendões são frequentemente acometidos por processos inflamatórios, que chamamos de tendinite ou tendinopatia. E muito frequentemente, existe uma inflamação da bursa trocantérica associada, que chamamos de bursite trocantérica.
Os pacientes mais afetados por essas condições são mulheres entre 40 e 60 anos de idade. Isso ocorre pois como as mulheres têm a pelve mais larga, existe um atrito constante entre os tendões e o trato iliotibial, que fica em íntimo contato com eles, levando à inflamação ao longo do tempo.
O principal sintoma que os portadores apresentam é dor na região lateral do quadril, principalmente nas seguintes situações:
- Deitar-se de lado sobre o quadril afetado
- Fazer cadeira abdutora na academia
- Andar muito
- Subir e descer escadas
- Ficar com a perna cruzada
- Fazer movimentos rotacionais com o quadril

Diagnóstico dessas patologias
Na maioria das vezes o diagnóstico dessas patologias é clínico, ou seja, realizado apenas com a consulte médica. Entretanto podemos utilizar exames de imagem para aumentar a acurácia do diagnóstico, ou para investigar outras possíveis doenças.
O melhor exame nesse caso é a Ressonância Magnética (RNM), que evidencia as alterações.

As descrições nos laudos da RNM mais frequentes são:
- Tendinopatia e peritendinite insercional dos glúteos médio e mínimo
- Sinais de atrito entre o trato iliotibial e o trocanter maior femoral
- Distensão líquida da bursa trocantérica
- Bursite subglútea
O tratamento inicial é com medicações para reduzir a dor e inflamação, além de compressas e Fisioterapia.
Quando esse tratamento falha, realizamos infiltrações nos tendões glúteos e na bursa trocantérica, em consultório, com pouco desconforto para o paciente. As medicações/produtos que mais utilizamos nessas infiltrações são:
- Corticóides com anestésicos locais: promovem um alívio temporário da dor, geralmente de 6 a 8 semanas
- Plasma rico em plaquetas: assim como utilizamos para o tratamento de osteoartrites iniciais, podemos utilizar o PRP em casos de tendinites glúteas e bursites trocantéricas refratárias ao tratamento convencional. O PRP promove uma desinflamação e cicatrização tecidual, melhorando principalmente a dor em boa parte dos casos. O paciente pode necessitar de 1 a 3 aplicações, dependendo de sua evolução.

Infiltrações para tendinite do iliopsoas
O iliopsoas é um dos principais flexores do quadril, ou seja, responsável por puxar o quadril para cima.
Seu tendão passa bem em frente à articulação do quadril e à cabeça do fêmur. Em alguns pacientes, pode haver um atrito entre o tendão e as estruturas ósseas do quadril, causando inflamação no iliopsoas.
O sintoma mais comum é dor na parte da frente do quadril, principalmente ao fazer movimento do quadril para cima.
Esse problema também pode ocorrer após a colocação de uma prótese no quadril, principalmente se ela for colocada saliente, aumentando as chances de atrito entre o tendão e algum componente da prótese.

O tratamento inicial é com Fisioterapia, medicações e compressas, mas em casos refratários, podemos realizar infiltrações nos tendões com corticóides ou PRP em consultório, assim como realizamos nos casos de tendinite glútea, também guiadas por ultrassom.
Infiltração para síndrome do piriforme
O piriforme é um músculo profundo na região da nádega, que fica logo abaixo do glúteo máximo, músculo que dá o formato da nádega.
O piriforme está em contato muito próximo com o nervo ciático, e em pacientes que apresentam um encurtamento, hipertrofia ou contratura do músculo piriforme, ele pode “pinçar” o nervo ciático, causando uma dor na nádega, que pode irradiar para a coxa em alguns casos.

Fazer o diagnóstico de Síndrome do Piriforme não é fácil, e exige uma ampla investigação clínica com exames físicos e de imagem, incluindo coluna lombar e pelve.
Se confirmada, essa lesão é inicialmente tratada com medicações analgésicas, Fisioterapia direcionada e possivelmente Terapia por Ondas de Choque.


No caso de persistência dos sintomas após esse tratamento podemos realizar infiltração com a toxina botulínica, o famoso Botox®, que promove um relaxamento do músculo, aliviando a compressão sobre o nervo ciático, e consequentemente, reduzindo a dor do paciente.
Essa infiltração também é realizada no consultório, guiada por ultrassom, com anestesia local, com pouco desconforto para o paciente.
Geralmente, os efeitos começam a ser percebidos aproximadamente 2 semanas após a infiltração.
É importante lembrar que os efeitos da toxina botulínica são temporários, de aproximadamente 6 a 8 meses. É possível repetir o procedimento sem problemas, caso o paciente volte a sentir incômodos.
. . .
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Mayo Clinic
FAQ
Como é feita a infiltração articular no quadril?
Fazemos a infiltração na articulação do quadril em consultório, com o paciente acordado, apenas com anestesia local. Utilizamos o ultrassom para guiar a infiltração, tendo assim a certeza de que o ácido hialurônico está sendo injetado dentro da articulação. O procedimento é pouco doloroso e não exige nenhum preparo específico.
Pode repetir infiltração com ácido hialurônico no quadril?
Sim. Caso um paciente que já fez infiltração articular no quadril com ácido hialurônico volte a sentir dor e limitações após meses ou anos da primeira infiltração, podemos realizar outras infiltrações sem problemas. Só é importante reforçar que apenas casos de artroses iniciais e moderadas se beneficiam com infiltrações.
Quais medicamentos são infiltrados no quadril para artrose?
A medicação que mais utilizamos na infiltração do quadril para tratar artrose é o ácido hialurônico, geralmente associado com uma pequena quantidade de corticóide, para promover lubrificação e desinflamação no quadril. Mas também podemos utilizar o plasma rico em plaquetas (PRP), aspirado de medula óssea centrifugado (BMAC) e aspirado de gordura microfragmentado, preparado pelo kit Lipogems®.
