Skip to content

Inflamação no quadril

A inflamação do quadril pode impactar significativamente a qualidade de vida para quem sofre com essa dor. Sua intensidade pode ser de leve a severa, muitas vezes impedindo até a prática de atividades físicas. O tratamento vai depender da verdadeira causa exata do problema, que pode ser uma tendinite, bursite, osteíte, sinovite ou artrite (artrose).

Introdução

O quadril é uma articulação complexa, composta por diversas estruturas, sendo as principais delas:

  • Ossos: cabeça e colo do fêmur e acetábulo (cavidade da bacia com a qual a cabeça do fêmur se articula); ossos do púbis
  • Cartilagem: tecido extremamente liso que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo, permitindo um movimento sem atrito entre os dois ossos
  • Tendões: estrutura responsável pelos movimentos das articulações; diversos tendões passam pelo quadril, mas os principais são os dos glúteos médio e mínimo, adutores, iliopsoas e isquiotibiais (musculatura da parte de trás da coxa)
  • Cápsula articular: capa que recobre a junção da cabeça do fêmur com o acetábulo, mantendo o líquido sinovial (líquido que lubrifica a articulação) dentro do quadril
  • Nervos: principalmente o ciático

Qualquer uma dessas estruturas pode ser acometida por uma inflamação no quadril, causando dor no paciente, que pode ser sentida em diferentes pontos do quadril.

A seguir vamos entender um pouco mais sobre as principais inflamações que acometem o quadril e como tratá-las.

Inflamação nos ossos do quadril

As principais inflamações que acometem os ossos do quadril são:

Pubeíte ou osteíte púbica

É uma inflamação no quadril que acomete os ossos do púbis, principalmente em atletas praticantes de corrida, futebol e tênis, devido ao impacto e mudança de direção durante sua prática.

Inflamação no Quadril: Pubeíte | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a dor no púbis que pode ser causada pela inflamação dos ossos púbicos (pubeíte).

Cursa com dor na região do púbis, chamada de pubalgia. Sua intensidade pode ser de leve a severa, muitas vezes impedindo o atleta de praticar sua modalidade esportiva.

Seu tratamento é feito com repouso da atividade, medicações anti-inflamatórias, Fisioterapia, infiltrações e em último caso, cirurgia.

Artrose de quadril

Também chamada de osteoartrite, coxartrose ou artrose coxofemoral, é o desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo. Devido ao desgaste, o movimento na articulação passa a ocorrer entre os ossos (situação chamada de “osso com osso”), gerando uma inflamação na cabeça do fêmur e no acetábulo.

Tal condição gera uma dor no quadril importante, geralmente na virilha ou na parte de cima da coxa, além de diminuir a amplitude de movimento do quadril, fazendo com que o paciente tenha dificuldades para andar e realizar atividades cotidianas.

Seu tratamento é feito com perda de peso, medicações analgésicas, condroprotetores como glicosamina e colágenos, e Fisioterapia. No caso de persistência dos sintomas, podem ser feitas infiltrações em casos leves e moderados.

Infiltração com ácido hialurônico | Dr. Felipe Bessa
Imagem de RX mostrando uma artrose moderada do quadril, e um procedimento de infiltração com ácido hialurônico sendo realizado para o tratamento dessa doença.

Já em casos avançados, o tratamento é feito com a prótese de quadril, cirurgia na qual é feita a substituição da articulação com desgaste por uma articulação metálica, que vai reproduzir os movimentos de um quadril sadio, permitindo que o paciente volte a andar e realizar atividades diárias e até mesmo esportivas.

Imagem de uma prótese de quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem de uma prótese de quadril e RX após a realização da prótese de quadril

Osteonecrose da cabeça do fêmur

É uma doença que ocorre por uma falha na irrigação sanguínea para a cabeça do fêmur, levando à morte do osso nessa região, devido a diminuição de oxigênio e nutrientes.

Tal situação gera uma inflamação na cabeça do fêmur, descrita nos laudos de Ressonância Magnética como edema ósseo, além da presença de lesão geográfica ou lesão serpentiforme, típica da osteonecrose.

Osteonecrose da cabeça do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a osteonecrose da cabeça do fêmur e Ressonância Magnética evidenciando a osteonecrose, com a inflamação no osso ao redor da lesão.

Os pacientes apresentam dor de variadas intensidades, sendo de moderada a intensa na maioria dos casos.

Diversas são as causas dessa doença, mas as principais são o etilismo, uso de corticóides, doenças reumatológicas e doenças do sangue como a anemia falciforme. Após a pandemia da Covid-19 houve um aumento significativo no número de casos dessa doença, devido a larga utilização de corticóides para tratamento de casos graves de coronavírus.

Nos casos iniciais, ou seja, em que a cabeça do fêmur está esférica, o tratamento é feito com uma cirurgia chamada de descompressão. Nessa cirurgia, o osso necrótico é removido com uma broca expansível e o “buraco” residual é preenchido com um enxerto, na tentativa de formação de osso sadio novamente.

Cirurgia de Descompressão da Cabeça do Fêmur | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a cirurgia de descompressão da cabeça do fêmur, na qual retira-se o osso necrótico com uma broca por dentro do fêmur, seguida da colocação de enxertos.

Já nos casos em que há achatamento/colapso da cabeça do fêmur, que é a perda da esfericidade, o tratamento é feito com a prótese de quadril.

Fratura de estresse do colo do fêmur

Essa doença afeta principalmente corredores de longas distâncias. É uma fratura que ocorre lentamente, devido à fadiga óssea por conta dos treinos intensos.

Gera uma inflamação no colo do fêmur, causando dor nos atletas, que muitas vezes ficam impedidos de realizarem seus treinos e competições.

Seu tratamento é feito com repouso e uso de muletas por pelo menos 6 semanas, e retorno gradual aos treinos. Além disso, correções metabólicas como baixos níveis de cálcio e vitamina D, correções hormonais em mulheres e ajustes nutricionais são essenciais em alguns casos.

Quando o paciente insiste nos treinos, a fratura pode se complicar, necessitando de cirurgia.

Inflamações nos tendões

As inflamações nos tendões são as chamadas tendinites ou tendinopatias. São inflamações muito comuns no quadril, e geram sintomas leves a intensos e geralmente de longa duração.

As principais tendinites são:

Tendinopatia de glúteos médio e mínimo

É uma inflamação nos tendões que ficam na região lateral do quadril, e por isso causam sintomas na parte de fora do quadril. Acometem principalmente mulheres entre 40 e 60 anos de idade.

Os tendões glúteo médio e mínimo são os responsáveis pela abertura lateral da perna (movimento chamado de abdução), além de terem um papel muito importante na caminhada. Dessa forma, em casos avançados o paciente tem dor e dificuldade para andar ou mesmo ficar em pé.

Com frequência, pacientes com tendinite nos tendões glúteos apresentam também inflamação na bursa que está próxima aos tendões. Tal doença é chamada de bursite trocantérica.

Tendinite dos glúteos médio e mínimo com Bursite Trocantérica | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a tendinite dos glúteos médio e mínimo com bursite trocantérica associada; Ressonância de paciente com tendinopatia de glúteo médio.

Além disso a dor costuma piorar muito ao se deitar de lado sobre a região afetada.

O tratamento é feito com medicações anti-inflamatórias, compressas e principalmente Fisioterapia. Em casos persistentes, podem ser feitas infiltrações nos tendões inflamados.

Tendinopatia de adutores

Os adutores são os responsáveis pelo movimento de fechar a perna e se originam nos ossos púbicos. Dessa forma, uma inflamação nos adutores pode ser a causa da pubalgia.

Esse problema é muito comum em atividades com chutes, principalmente o futebol.

A tendinite de adutores, principalmente do adutor longo, é tratada com um período de repouso, anti-inflamatórios, compressas locais e Fisioterapia.

Casos persistentes podem se beneficiar com a realização de infiltrações.

Tendinite de iliopsoas e entesopatia dos isquiotibiais

Esses termos se referem a inflamação do tendão do iliopsoas que fica na parte da frente do quadril e dos isquiotibiais, que ficam na parte de trás do quadril.

Tendinites de iliopsoas e dos isquiotibiais | Dr. Felipe Bessa
Imagens ilustrando as tendinites de iliopsoas e dos isquiotibiais, respectivamente.

O iliopsoas é responsável pela flexão do quadril, movimento de puxar o quadril para cima, e os isquiotibiais são responsáveis por dobrar o joelho (joelho, isso mesmo!) para trás.

Quando o iliopsoas inflama ele causa uma dor na virilha, pior ao se fazer a flexão do quadril. Quando os isquiotibiais inflamam, o paciente tem uma dor no ísquio, que é o osso logo abaixo da nádega, principalmente ao se sentar em superfícies mais duras e ao fazer caminhadas rápidas ou corridas.

O tratamento é feito da mesma forma que as outras inflamações nos tendões, com medicações, repouso, compressas, Fisioterapia e possivelmente infiltrações.

Inflamação da cápsula do quadril

Essa condição é chamada de sinovite, uma inflamação da sinóvia, que é a camada de dentro da cápsula articular do quadril. Ela é a responsável por gerar um derrame articular no quadril, que é o aumento do líquido que lubrifica a articulação.

Isso ocorre pois é a sinóvia que produz o líquido, e quando está inflamada, acaba produzindo mais líquido que o normal.

Quando presente, é indicativa de algum problema dentro da articulação coxofemoral, tal como artrose, osteonecrose ou uma fratura de estresse.

Inflamação do Quadril: Sinovite | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem ilustra um quadril normal e a segunda um quadril com artrose, mostrando o desgaste da cartilagem e a inflamação que ela gera na sinóvia do quadril, chamada de sinovite.

Mas pode aparecer em outras situações tais como doenças reumatológicas (auto-imunes), como artrite reumatóide e lúpus ou infecções na articulação do quadril, que são raras.

Uma situação relativamente frequente é a sinovite transitória que acomete crianças, como uma reação a uma infecção viral, como em resfriados ou gripes.

Inflamação nos nervos do quadril

Nesse caso, inflamação não seria o termo mais correto. O que ocorre é uma compressão de algum nervo que passa próximo ao quadril, sendo o mais comum o nervo ciático, mas podendo acometer o nervo pudendo também.

Essa compressão ocorre geralmente pelo músculo piriforme, que pode estar encurtado, com uma contratura ou pode ser um músculo com uma anatomia variante. Como o nervo ciático passa logo abaixo do piriforme, caso ele apresente alguma dessas alterações, ele pode comprimir o nervo ciático.

Essa é a chamada síndrome do piriforme, que causa dor na região glútea, podendo irradiar para a coxa em alguns casos.

Seu tratamento não é simples e exige o uso prolongado de medicações analgésicas, massagens e diversas sessões de Fisioterapia.

Em alguns casos, o paciente pode não apresentar melhora dos sintomas após um longo período, necessitando então de cirurgia para “liberar” o nervo da compressão sofrida.

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Mayo Clinic
OrthoInfo

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

FAQ

1. Quais são os sintomas de inflamação no quadril?

O principal sintoma de uma inflamação no quadril é a dor. Dependendo do local da dor, existem doenças mais prováveis. Quando a dor é na virilha, possivelmente estamos diante de uma inflamação dentro da articulação, como artrose, ou uma tendinite de iliopsoas. Quando a dor é na lateral do quadril, o mais provável é que seja uma tendinite de glúteos médio e mínimo. Quando a dor é na nádega, o problema pode ser a síndrome do piriforme, causando uma inflamação no nervo ciático.

2. O que causa inflamação no quadril?

A causa exata da inflamação no quadril depende de qual problema estamos lidando. Uma inflamação na articulação pode ser causada por uma artrose, também chamada de osteoartrite. Tal problema é degenerativo, com desgaste da cartilagem. Uma inflamação nos tendões pode ser causada por excesso de uso (sobrecarga) ou por alterações degenerativas.

3. Qual exame detecta inflamação no quadril?

O melhor exame para detectar uma inflamação no quadril é a Ressonância Magnética. Ela pode detectar inflamação nos ossos, tendões, bursas e articulação do quadril. Entretanto, outros exames também são importantes, tais como o RX, que avalia a anatomia e relação entre os ossos do quadril.

4. Como tratar uma inflamação no quadril?

O tratamento de uma inflamação no quadril depende da verdadeira causa do problema. Uma tendinite por exemplo, que é uma inflamação nos tendões, é tratada geralmente com Fisioterapia e medicações. Uma inflamação no osso como uma osteíte púbica, também é tratada com Fisioterapia. Já uma inflamação no osso da cabeça do fêmur caudada por uma artrose, pode necessitar de infiltração ou mesmo de cirurgia, com a prótese de quadril. Dessa forma, é importante que uma adequada avaliação seja iniciada antes de se realizar um tratamento.

Back To Top