A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Lesão dos adutores: Sintomas, diagnóstico e tratamentos
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A lesão dos tendões adutores é a lesão músculo-tendínea mais frequente em jogadores de futebol, portanto extremamente comum no nosso país.
Entretanto, não é apenas no futebol que ocorre frequentemente. Skate, surfe, Jiu-Jitsu e basquete também são esportes que cursam com essa lesão.
Neste texto, abordaremos os principais aspectos da lesão dos adutores, como sintomas, diagnóstico e tratamento.

Causa da lesão e sintomas
O principal mecanismo de lesão do tendão adutor, mais frequentemente o adutor longo, é uma contração forte e abrupta do tendão, como num movimento de chute ou ao tentar impedir uma abertura forçada do quadril.
O paciente sente um estalo e uma dor súbita na região interna da virilha, ficando impossibilitado de continuar com a prática esportiva.
A presença de dor prévia na região da virilha ou alguma fraqueza dos adutores, são fatores de risco para a ocorrência dessa lesão.
Ao longo dos primeiros dias pode haver a formação de hematomas na face interna da coxa, que variam de pequenos a extensos, dependendo do grau da lesão do adutor.
O paciente apresenta uma dor persistente nessa região, não consegue retomar suas atividades físicas e tem dificuldades inclusive em situações cotidianas como andar e se vestir.
Nessa situação, é importante que um especialista faça uma avaliação para diagnosticar corretamente o problema e instituir o melhor tratamento.
Durante a consulta médica, geralmente encontramos:
- Dor à palpação e ativação do tendão machucado
- Dor à abertura forçada do quadril
- Fraqueza do adutor no lado lesado
Investigação complementar
Além do exame físico realizado durante a consulta, devemos complementar a investigação com exames de imagem.
O ultrassom é um exame comum, mas não é a melhor opção.
O exame que melhor avalia essa possível lesão e sua extensão é a Ressonância Magnética. Ela indica de maneira precisa se realmente foi uma lesão de adutor, além de caracterizar melhor essa lesão, apontando:
- Localização da lesão: se avulsão tendínea, lesão na junção miotendínea (transição do tendão com o músculo) ou um estiramento/distensão muscular
- Grau da lesão: no caso de ruptura tendínea, aponta se foi uma lesão parcial ou total e no caso de total, se houve retração ou não do tendão; já no caso de lesões musculares ou miotendíneas, se foram de graus leve, moderado ou extenso

Essa caracterização da lesão é importante na definição do tratamento e para passar uma estimativa de tempo de recuperação ao paciente.
Quais as opções de tratamento para a lesão de adutores?
A grande maioria das lesões é tratada de maneira conservadora, ou seja, sem cirurgia.
Na fase inicial, repouso para evitar uma piora da lesão e dor é fundamental. No caso de dor intensa, compressas de gelo e uso de anti-inflamatórios podem ajudar a amenizar esse sintoma.
Passada a fase de dor aguda, o tratamento com Fisioterapia deve ser iniciado, para auxiliar na recuperação dos tecidos lesionados e evitar piora da fraqueza muscular.

Iniciamos os exercícios de maneira muito leve, sem pesos ou até mesmo sem movimentos, fazendo apenas isométricos.
Progredimos para exercícios com elásticos quando tolerado, e a resistência é aumentada gradualmente, dentro de um nível confortável para o paciente.
Quando a evolução de cada paciente permite, introduzimos exercícios específicos para o retorno ao esporte.
Lesões leves geralmente exigem 3 a 4 semanas de afastamento, moderadas 8 semanas e lesões graves podem necessitar de 3 a 4 meses para o retorno ao esporte.
A presença dor prévia, indicativa de tendinopatia crônica, costuma prolongar o tempo de retorno, bem como a presença de edema ósseo no púbis eleva ainda mais o tempo de tratamento e afastamento.
Apenas avulsões completas com retração maior de 3 centímetros podem necessitar de cirurgia, a depender do grau de atividade física praticada pelo paciente e pela fraqueza apresentada após a lesão.
Métodos auxiliares de tratamento
Para acelerar o processo de recuperação, foram desenvolvidas algumas técnicas que podemos acrescentar ao trabalho de reabilitação da Fisioterapia.
Uma delas é a Terapia por Ondas de Choque, tratamento no qual ondas acústicas são emitidas por um aparelho colocado no local da lesão, induzindo uma reparação tecidual.
Outra possibilidade é a infiltração de produtos biológicos, obtidos do próprio paciente, que contêm substâncias chamadas de citocinas e fatores de crescimento, que quando aplicados em um tecido lesionado, principalmente os tendões, induzem uma cicatrização mais acelerada e de melhor qualidade.
As opções mais comuns são:
- Plasma rico em plaquetas (PRP): coletamos sangue da veia do paciente e o colocamos numa centrífuga, que faz a separação dos glóbulos vermelhos e do plasma; uma segunda centrifugação concentra as plaquetas numa pequena quantidade de plasma, e esse é o produto infiltrado. O procedimento é feito no próprio consultório, com anestesia local, guiado por ultrassom, sem necessidade de jejum, internação ou sedação.
- BMA: sigla em inglês para aspirado de medula óssea (bone marrow aspirate), é um procedimento no qual aspiramos sangue de dentro do osso da bacia e infiltramos no local da lesão. Esse sangue contém células e substâncias que induzem a reparação tecidual. Por ser mais invasivo que o PRP, preferimos realizar tal procedimento em Centro Cirúrgico, com o paciente sedado, para maior conforto.
- BMAC: procedimento igual o BMA, mas realizamos a centrifugação do sangue aspirado, assim como fazemos com o PRP, para gerar um produto mais concentrado e eficiente.
O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
FAQ
Quais os sintomas da lesão de adutor?
A lesão de adutor ocorre geralmente num movimento de chute forte ou numa abertura forçada da perna. Os sintomas são dor súbita na região da virilha, fraqueza, impossibilidade de fazer esportes, hematoma na face interna da coxa.
Como é o tratamento da lesão de adutores?
Uma vez diagnosticada lesão de adutores o paciente deve cessar suas atividades físicas. Compressas e medicações podem ajudar a aliviar a dor. Deve iniciar Fisioterapia para analgesia e condicionamento gradual. O retorno aos esportes leva de 4 a 16 semanas, dependendo do tipo de lesão. Casos de avulsão total com retração de mais de 3 centímetros podem necessitar de cirurgia. A utilização de biológicos, como PRP, pode ajudar na cicatrização mais rápida.
Referências
Pubmed
OrthoInfo
Mayo Clinic
