skip to Main Content

Lesões do Quadril no Esporte

Lesões do quadril no esporte são diversas. As principais são tendinites, rupturas tendíneas, pubalgia, lesões articulares e fratura por estresse. Saiba mais.

O quadril é uma das principais articulações do corpo humano, fazendo a junção dos membros inferiores com o tronco.

É a segunda articulação mais móvel do nosso corpo, perdendo apenas para o ombro. Por ele passam diversos músculos e tendões, e por isso uma grande variedade de lesões pode ocorrer ao redor do quadril.

Lesões do Quadril no Esporte | Dr. Felipe Bessa
O quadril, articulação composta pela cabeça do fêmur e acetábulo, por onde passam diversas estruturas, podendo ser afetado por uma grande quantidade de lesões.

No Brasil, a prática de atividades físicas é cada vez maior. O futebol é o esporte mais praticado, mas corrida, tênis, beach tennis, ciclismo, academia, crossfit e basquete também são esportes com notoriedade, fazendo com que milhares de atletas, profissionais ou amadores apresentem lesões do quadril.

As principais lesões do quadril no esporte, que podem acometer praticantes de atividades físicas são:

  • Lesões musculares e tendíneas agudas (súbitas)
  • Tendinites
  • Lesões dentro da articulação
  • Pubalgia
  • Fraturas de estresse
  • Fraturas agudas

Neste artigo vamos falar sobre as 5 primeiras. Informações sobre fraturas agudas podem ser encontradas no texto Fraturas do Fêmur neste site.

Lesões musculares e tendíneas agudas

Essas lesões geralmente ocorrem com um trauma (pancada) no quadril ou no membro inferior, levando a uma ruptura ou avulsão do tendão ou um estiramento muscular ou distensão muscular.

Os principais músculos e tendões afetados por lesões agudas no quadril são:

Adutores

São os principais músculos lesados no quadril. Esta lesão do quadril no esporte, geralmente afeta jogadores de futebol e ocorre no momento do chute.

Existem 3 adutores em cada quadril: longo, curto e magno. O adutor longo é o que é mais frequentemente lesionado.

Rupturas parciais do tendão e estiramentos musculares são tratados com repouso, gelo, anti-inflamatórios e Fisioterapia. Já avulsões completas com retração do tendão ou avulsões ósseas podem necessitar de tratamento com cirurgia.

Reto femoral

O reto femoral é um dos quatro músculo que compõem o quadríceps (os outros são o vasto lateral, vasto intermédio e vasto medial). Ele é um músculo bi-articular, pois cruza o quadril e o joelho, tendo uma importância não apenas para esticar o joelho, mas também para flexionar o quadril.

Dessa forma está susceptível a lesões com maior facilidade do que os outros 3 músculos do quadríceps.

O mecanismo de lesão é geralmente um movimento brusco de extensão do quadril com o joelho esticado ou no momento de chutar uma a bola, causando uma avulsão ou ruptura do tendão, lesão na transição mio-tendínea (junção do tendão com o músculo) ou estiramento muscular.

Causa uma dor súbita na região da virilha ou coxa, podendo apresentar hematoma ou não.

Lesões tendíneas parciais e lesões no músculo são tratadas sem cirurgia, com repouso, compressas de gelo, medicações e Fisioterapia. Já as avulsões completas com retração tendínea maior que 2 cm podem necessitar de cirurgia, caso provoquem fraqueza significativa no paciente.

Iliopsoas

O iliopsoas é um dos flexores do quadril (movimento de puxar o quadril para cima), junto com o reto femoral.

Iliopsoas: um dos flexores do quadril | Dr. Felipe Bessa
Iliopsoas, um dos flexores do quadril, que pode se romper em atividades físicas.

Também pode ser lesado com uma extensão abrupta do quadril com o joelho estendido ou durante o ato de chutar uma bola, causando uma dor na região da virilha.

Seu tratamento é sem cirurgia, da mesma maneira que descrita acima para as lesões de adutores e reto femoral.

Isquiotibiais

Os isquiotibiais são os músculo da parte posterior (de trás) da coxa. São os músculos:

  • Bíceps femoral
  • Semitendíneo
  • Semimembranoso

Eles se originam no ísquio, osso da bacia sobre o qual nos sentamos. Sua lesão ocorre geralmente com um movimento brusco de flexão do quadril com o joelho esticado, podendo causar um estiramento muscular, lesão mio-tendínea avulsão parcial ou total dos tendões.

A grande maioria das lesões é tratada sem cirurgia, com repouso, anti-inflamatórios e Fisioterapia. Tal tratamento pode ser complementado com a aplicação de PRP, que é o plasma rico em plaquetas, obtido com a centrifugação do sangue do paciente, e aplicado no local da lesão.

Já ruptura de 2 tendões ou mais, com retração de 2 cm ou mais deve ser tratada com cirurgia, com a refixação dos tendões no ísquio com o auxílio de âncoras, que são pequenos pinos absorvíveis com fios de sutura acoplados a eles.

Caso lesões completas e com retração acima de 2 cm não sejam tratadas com cirurgia, o paciente pode apresentar importante fraqueza nesse grupo muscular, com queda no rendimento esportivo ou mesmo impossibilidade de retornar ao esporte.

Tendinites

Tendinites, também chamadas de tendinopatias, são inflamações nos tendões que podem acometer atletas devido sobrecarga desses tendões, ocasionados por excesso de treinos e/ou prática esportiva. Ao contrário das lesões agudas, elas ocorrem ao longo do tempo, e o paciente se apresenta com uma dor de longa duração.

Podem ser leves no início, mas caso não sejam adequadamente tratadas, podem ficar intensas, interferindo na performance esportiva ou mesmo impedindo que o paciente pratique suas atividades.

Os tendões mais acometidos com inflamações no quadril são:

  • Adutores
  • Iliopsoas
  • Glúteos médio e mínimo
  • Isquiotibiais
Lesões do Quadril no Esporte: Tendinite de glúteos médio e mínimo e de isquiotibiais
Imagens ilustrando a tendinite de glúteos médio e mínimo e de isquiotibiais, respectivamente, comuns em praticantes ade atividades físicas.

O tratamento dessas tendinites é feito com repouso, uso de anti-inflamatórios, compressas de gelo e Fisioterapia.

No caso de persistência dos sintomas, podem ser feitas infiltrações com analgésicos e corticóides, que são medicações com ação anti-inflamatória.

Mais recentemente foram desenvolvidas novas terapias, chamadas de biológicos, que auxiliam na desinflamação e reparação dos tendões lesionados. As principais terapias biológicas são o PRP já citado e o aspirado de medula óssea concentrado (BMAC), que é obtido de sangue aspirado da medula óssea e concentrado em uma centrífuga.

Outra opção para o tratamento de tais tendinopatias é a Terapia por Ondas de Choque, realizada com a utilização de um dispositivo que emite ondas de choque que podem promover reparação tecidual.

Lesões dentro da articulação

As principais lesões do quadril no esporte, que acometem a articulação do atleta, são:

Impacto femoro-acetabular

Causado por uma saliência óssea que pode ser na transição da cabeça com o colo do fêmur, na borda do acetábulo (cavidade da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa) ou nos dois. Causa uma dor na virilha, principalmente ao se fazer uma flexão exagerada do quadril, por conta do impacto ósseo que ocorre entre o fêmur e o acetábulo.

Impacto femoro-acetabular | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando os tipos de impacto femoro-acetabular. À esquerda o tipo Pincer, com a saliência óssea na bora do acetábulo e à direita o tipo CAME, com saliência óssea na transição cabeça/colo do fêmur.

É diagnosticado com a realização de RX e Ressonância Magnética.

Seu tratamento é feito inicialmente com alteração nas atividades físicas praticadas, analgésicos e Fisioterapia para melhora do controle neuromuscular lombopélvico.

Em caso de persistência dos sintomas, está indicada a cirurgia, feita por artroscopia.

Lesão do lábio acetabular

O lábio acetabular é uma estrutura de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo e apresenta diversas funções importante no quadril.

Ele pode ser lesado como consequência do impacto femoro-acetabular, um trauma no quadril ou sobrecarga nessa articulação.

Assim como o impacto femoro-acetabular, costuma causar dor na virilha, e seu tratamento é feito inicialmente com medidas conservadoras, estando a cirurgia reservada para casos que não melhoraram de forma conservadora.

Lesão condral

Lesão condral é um “machucado” na cartilagem do quadril, que recobre tanto o acetábulo quanto a cabeça do fêmur.

Pode estar relacionado ao impacto femoro-acetabular ou um trauma no quadril

Seu tratamento é feito com fortalecimento e alterações nas atividades físicas, e em caso de persistência, a artroscopia está indicada.

Pubalgia

Pubalgia é um termo que se refere a dor na região do púbis e pode ser causada por alguns problemas diferentes. Suas principais causas são:

Lesão de adutores: a lesão crônica dos adutores causa uma dor próxima ao púbis, principalmente ao se fazer movimento de adução (fechar as pernas) contra resistência.

Osteíte púbica ou pubeíte: é uma inflamação nos ossos púbicos, causada por alteração biomecânica na pelve, por sobrecarga na região do púbis. Umas das causas pode ser o impacto femoro-acetabular, que por restringir a mobilidade do quadril, sobrecarrega a sínfise púbica.

Lesão da musculatura da parede abdominal ou do canal inguinal: não são lesões tratadas pelo ortopedista, e sim por cirurgiões gerais. Podem ser uma hérnia inguinal ou uma fraqueza da parede abdominal sem uma hérnia propriamente dita.

Dor no Púbis | Dr. Felipe Bessa
Dor no Púbis

A dor no púbis afeta principalmente homens praticantes de futebol ou atividades com mudança de direção. O diagnóstico exato de sua causa não é fácil, dependendo de uma consulta detalhada e um exame físico minucioso, complementado por RX e Ressonância Magnética, e muitas vezes com uma equipe médica não só ortopédica.

Seu tratamento se inicia com repouso da atividade física desencadeadora, compressas, medicações anti-inflamatórias e Fisioterapia. No caso de persistência, infiltrações locais podem ser realizadas.

Cirurgias estão reservadas para casos refratários, e o procedimento vai depender da causa exata da pubalgia.

Fraturas de estresse

Fraturas de estresse, ao contrário das fraturas agudas, que ocorrem por um trauma súbito que leva a “quebra” abrupta do osso, ocorrem por conta de uma carga repetitiva (estresse) no osso, ao longo do tempo, gerando microlesões que após um período podem se juntar e gerar a fratura por estresse.

Isso ocorre porque a carga cíclica, geralmente o impacto relacionado a treinos com corrida, faz com que as células que removem cálcio do osso trabalhem mais intensamente do que as células que repõem o cálcio, levando a essa fragilidade óssea.

Lesões do quadril no esporte, como as fraturas de estresse, afetam geralmente corredores, principalmente após um aumento significativo na intensidade e frequência dos treinos.

Um outro fator que tem relação com a ocorrência da fratura de estresse é a chamada Tríade da Mulher Atleta, composta por:

  • Irregularidades menstruais: tem relação com baixa produção de estrógeno, hormônio importante para a saúde óssea
  • Dieta restrita: um status nutricional deficitário, com baixa ingesta calórica e cálcio leva a fragilidade óssea
  • Baixa densidade óssea: favorece a ocorrência de fraturas

É importante ressaltar que nem sempre os 3 fatores estão presentes. A presença de um ou mais já é um risco para a ocorrência de fratura de estresse.

A fratura por estresse pode afetar diversos ossos, e no quadril o local mais comum é o colo do fêmur. Seu diagnóstico é feito geralmente com a Ressonância Magnética. O RX não costuma visualizar essa lesão, exceto em casos mais avançados.

Fratura por estresse no colo do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Lesões no Quadril no Esporte: Imagem de Ressonância Magnética evidenciando uma fratura por estresse no colo do fêmur.

O paciente inicia um quadro de dor após os exercícios, geralmente na região da virilha. Com a evolução da doença, começa a ter os sintomas durante o exercício, e depois fica impossibilitado de realizar atividades.

O tratamento é feito com a suspensão da atividade física, além do uso de muletas para caminhar.

Geralmente em 6 semanas a fratura está resolvida, e o paciente pode retomar gradualmente suas atividades.

Cirurgias são restritas para casos com falência do tratamento conservador ou em casos de fraturas instáveis.

Você tem apresentado algum sintoma que sugira a ocorrência de lesões do quadril no esporte?
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Mayo Clinic
OrthoInfo

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

FAQ

1. Como saber se lesionou o quadril?

O quadril é uma articulação importante composta por diversas estruturas. Dessa forma, podem ocorrer vários tipos de lesão. Quando há uma lesão no quadril, o paciente costuma sentir dor na região profunda da virilha, mas também pode ser na região lateral, interna ou glútea. Deve passar por consulta especializada e realizar exames como RX e ressonância magnética para ter o diagnóstico correto, e assim realizar o tratamento adequado para sua lesão.

2. Quem tem problema no quadril pode fazer crossfit?

O quadril é uma articulação muito exigida durante a prática do crossfit, tanto em termos de mobilidade quanto de absorção de cargas e impacto. Dessa forma, pessoas com problemas no quadril devem evitar a prática do crossfit, ou ao menos restringir os exercícios, principalmente em termos de amplitude do movimento realizado e cargas utilizadas durante o exercício.

3. Como tratar uma lesão no quadril?

O quadril está susceptível a uma grande quantidade de lesões, devido a sua complexidade em termos de estruturas ali presentes, tais como tendões, músculos, cartilagem, ossos, entre outras. Quando o paciente apresenta uma dor ou lesão no quadril, o primeiro passo é fazer o diagnóstico correto dessa lesão, para aí sim iniciar o tratamento, que geralmente envolve cessação temporária ou restrição na atividade física, medicações e compressas. Dependendo da lesão, podem ser feitas infiltrações e em último caso, cirurgia.

Back To Top