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Ortopedista de Quadril

O que é um ortopedista de quadril?

O ortopedista de quadril é o médico que realizou Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia e depois se especializou no tratamento das doenças do quadril.

Mas afinal de contas, o que é o quadril e quais são as suas principais doenças?

O quadril é uma articulação, assim como ombro, cotovelo, joelho e tornozelo, sendo a junção de 2 ou mais ossos, onde são realizados os movimentos dos nossos membros.

O quadril especificamente é a junção da cabeça do fêmur com a bacia, numa cavidade chamada acetábulo. Essa junção permite a realização de uma ampla gama de movimentos, sendo a segunda articulação mais móvel em nosso corpo, ficando atrás apenas do ombro.

Figura Ilustrando o Quadril | Dr. Felipe Bessa
Figura ilustrando o quadril, que é a articulação formada pela cabeça do fêmur e o acetábulo.

Dessa forma, é esperado que essa região denominada quadril seja extremamente complexa, e dependa do funcionamento adequado não só da cabeça do fêmur e do acetábulo, mas sim de diversas outras estruturas.

As principais estruturas do quadril são:

  • Cartilagem: é o tecido que recobre a cabeça do fêmur e o acetábulo, permitindo que o movimento entre esses dois ossos seja sem atrito, e portanto, sem dor
  • Lábio acetabular: é um tecido de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo, e tem diversas funções importantes, como estabilizar, aprofundar e selar a articulação
  • Ossos do fêmur e bacia: responsáveis pela estrutura óssea do quadril, e essenciais para a sustentação da pelve e tronco
  • Músculos: ao fazerem a contração muscular, conseguem puxar os ossos e assim fazerem os mais diversos movimentos realizados pelo quadril. Os principais músculos da região do quadril são:
    • Quadríceps: estica o joelho e faz flexão do quadril (puxar a coxa para cima)
    • Iliopsoas: junto com o quadríceps, faz a flexão do quadril
    • Abdutores: abertura lateral da coxa
    • Adutores: responsáveis por fechar a perna
    • Rotadores externos: rodam o pé para fora
    • Isquiotibiais: situados na parte de trás da coxa, puxam o joelho para trás, e são muito importantes durante a corrida
  • Tendões: estruturas responsáveis por conectar os músculos aos ossos, tendo um papel muito importante nos movimentos e estabilização do quadril.
  • Bursas: são pequenas bolsas que ficam sobre proeminências ósseas, para proteger de traumas e lubrificar a região

Dessa forma, as principais doenças que acometem o quadril ocorrem nessas estruturas, e são elas:

Artrose do quadril

A artrose do quadril é uma doença causada pelo desgaste da cartilagem do quadril. Ela tem uma relação com a idade, sendo mais comum em faixas etárias mais avançadas, mas pode também acometer pacientes mais jovens, por ser secundária a outras doenças do quadril, que levam a degradação da cartilagem.

Quadril com Artrose | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando um quadril normal à esquerda e um quadril com artrose à direita, com um importante desgaste da cartilagem

Os pacientes costumam sentir dor na região da virilha, principalmente ao movimentarem o quadril ou caminharem. Além disso, percebem uma perda da mobilidade do quadril, causando dificuldade para colocar meias ou amarrarem calçados.

O diagnóstico de artrose de quadril é simples, feito com as informações obtidas durante a consulta, e confirmado com a realização de um RX, que evidencia:

  • Diminuição do espaço articular: diminuição do espaço entre a cabeça do fêmur e a bacia
  • Esclerose subcondral: o osso fica mais branco e espesso, por conta da perda da cartilagem
  • Cistos subcondrais: pequenos buracos no osso, por conta da degradação da cartilagem
  • Osteófitos marginais (conhecidos como “bicos de papagaio”)

O tratamento da artrose se inicia com tratamento conservador, com Fisioterapia, mudanças nas atividades físicas e medicações analgésicas. Casos moderados podem ser tratados com infiltrações de ácido hialurônico.

Já os casos avançados são tratados com cirurgia, com a realização da prótese de quadril,que alivia a dor, restaura a mobilidade da articulação e permite que o paciente volte a caminhar sem dor, devolvendo qualidade de vida aos pacientes.

Prótese de quadril utilizada para o tratamento de artrose avançada
RX mostrando um quadril com artrose à direita e o segundo RX mostra uma prótese de quadril utilizada para o tratamento de artrose avançada pelo Ortopedista de Quadril.

Lesão do Lábio Acetabular

Também chamada de lesão labral, essa patologia acomete o lábio acetabular, que tem uma elevada importância no quadril, causando dor e limitações aos pacientes.

Lábio acetabular com fissura e destacamento do osso
Lábio acetabular normal à esquerda e lábio acetabular com fissura e destacamento do osso.

Ela pode ser causada por um trauma no quadril, por alterações degenerativas (acompanhando o desenvolvimento da artrose do quadril), ou pelo impacto femoro-acetabular (será explicado logo abaixo).

Seu diagnóstico é feito com a Ressonância Magnética, que identifica alterações como:

  • Degeneração do lábio acetabular
  • Fissura na base de implantação do lábio acetabular
  • Destacamento do lábio acetabular

Seu tratamento de inicia com medidas conservadoras, como Fisioterapia e mudanças nas atividades físicas. Em casos de falha desse tratamento, está indicada a cirurgia por meio da artroscopia de quadril, técnica minimamente invasiva, realizada com auxílio de câmera e pequenos cortes na pele.

Impacto Femoro-Acetabular

Citado acima, o impacto femoro-acetabular é uma patologia causada por um contato anormal (impacto) entre o fêmur e o acetábulo (cavidade da bacia onde se encaixa a cabeça do fêmur), causando dor no quadril. Esse impacto é secundário a presença de uma saliência óssea no quadril, e pode ser de dois tipos:

  • CAME: quando a saliência óssea está presente no fêmur, sendo descrita como uma retificação na transição cabeça/colo do fêmur
  • Pincer: quando a saliência está na borda do acetábulo, causando um aumento de cobertura da cabeça femoral
Impacto femoro-acetabular tipo Pincer | Dr. Felipe Bessa
Imagem mostrando o impacto femoro-acetabular tipo Pincer à esquerda, com saliência na borda acetabular, e tipo CAME à direita, com saliência óssea na transição cabeça/colo do fêmur.

Seu diagnóstico é feito com um bom Exame Físico realizado durante a consulta com o Ortopedista de Quadril e com a realização de RX e Ressonância Magnética do quadril.

Essa patologia geralmente acomete pacientes jovens e ativos, e da mesma forma que a lesão do lábio acetabular, seu tratamento se inicia com medidas conservadoras, e em casos de persistência dos sintomas, é feito com a artroscopia do quadril.

Osteonecrose da Cabeça do Fêmur (Necrose Avascular)

Essa doença acomete o osso da cabeça femoral, e ocorre pela falta de aporte sanguíneo para essa região do fêmur. Com isso, faltam nutrientes e oxigênio, levando à morte das células ósseas.

O paciente sente dor no quadril, geralmente na virilha ou na coxa, que piora com atividades mais intensa. Em alguns casos, o paciente apresenta dificuldade para caminhar e fazer atividades cotidianas.

Seu diagnóstico é feito com RX e Ressonância Magnética, que evidenciam:

  • Lesão geográfica na cabeça do fêmur
  • Lesão serpentiforme na área de carga da cabeça do fêmur
Osteonecrose da cabeça do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a osteonecrose da cabeça do fêmur à esquerda, e corte de Ressonância Magnética mostrando a lesão típica dessa doença.

Seu tratamento é cirúrgico na grande maioria dos casos, e depende do estágio da doença.

Em casos iniciais, ou seja, em que a esfericidade da cabeça femoral está preservada, a cirurgia é a descompressão da cabeça do fêmur, na qual retira-se o osso doente por meio de uma broca especializada, e preenche-se o defeito ósseo com um enxerto ósseo, para estimular a formação de osso sadio.

Descompressão da cabeça do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Imagem mostrando como é feita a descompressão da cabeça do fêmur, para tratamento da osteonecrose em estágios iniciais.

Em casos avançados, quando houve colapso da cabeça femoral, ou seja, perda da esfericidade, o tratamento é feito com a prótese de quadril, similar aos casos de artrose do quadril.

Fraturas do quadril

As fraturas do quadril, ou mais precisamente do fêmur, na região do quadril, têm uma elevada prevalência na população idosa, e são secundárias a osteoporose e osteopenia. Elas ocorrem após uma queda ao solo, geralmente no ambiente domiciliar.

O paciente apresenta uma dor súbita no quadril acometido, ficando impossibilitado de se levantar. Ao exame, esses pacientes apresentam um encurtamento e rotação do pé no membro faturado.

O diagnóstico é simples, feito na grande maioria dos casos com a realização de RX. Apenas em alguns casos, onde a fratura é incompleta, necessita-se da realização de Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética para fechar o diagnóstico.

O tratamento é obrigatoriamente cirúrgico, salvo em casos onde o paciente apresenta doenças muito avançadas, que impedem a realização da cirurgia. O procedimento cirúrgico deve ser realizado dentro de 24 a 48 horas, para diminuir a chance de complicações clínicas e melhorar o resultado da cirurgia.

Existem 2 tipos principais de fraturas do fêmur no idoso:

  • Fratura do colo do fêmur: região entre a cabeça do fêmur e o restante do osso; fraturas sem desvio são tratadas com fixação com parafusos ou placa ou parafusos, enquanto que fraturas desviadas (a grande maioria dos casos), são tratadas com prótese de quadril.

    Fratura de Colo do Fêmur | Dr. Felipe Bessa
    Imagem ilustrando uma fratura de colo do fêmur à esquerda, e seu tratamento com prótese de quadril.
  • Fraturas transtrocanterianas: acometem a região um pouco mais abaixo do colo do fêmur, e são mais comuns em paciente de mais idade. O tratamento é feito com fixação com placa ou haste intra-medular.

    Fratura transtrocanteriana | Dr. Felipe Bessa
    RX evidenciando uma fratura transtrocanteriana e seu tratamento com haste intra-medular.

Essas fraturas também podem acometer pacientes jovens, porém geralmente ocorrem após traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura.

Tendinites

Tendinites são inflamações nos tendões, e podem acometer todas as articulações do nosso corpo. No quadril, as tendinites mais comuns são:

  • Tendinite do glúteo médio e mínimo: são os tendões abdutores do quadril; essa tendinite é extremamente comum em mulheres entre 40 e 60 anos de idade; cursa com dor na lateral do quadril. Seu tratamento é conservador (Fisioterapia e analgésicos) na maioria das vezes. Casos refratários podem ser tratados com infiltrações locais e cirurgia apenas em casos avançados.
  • Tendinite de iliopsoas: é o principal flexor do quadril; cursa com dor na região da virilha, que piora ao se fazer a flexão do quadril.
  • Tendinite de adutores: responsáveis pelo movimento de fechar a perna, acomete com frequencia jogadores de futebol, e cursa com dor na região interna da virilha e púbis.
  • Tendinite de isquiotibiais: acometem corredores e praticantes de atividades com saltos; cursa com dor na região glútea, além de impossibilitar os pacientes de correrem. Seu tratamento é conservador na grande maioria dos casos; entretanto, casos com rupturas podem necessitar de cirurgia.
Tendinite de iliopsoas | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando uma tendinite de iliopsoas à esquerda e tendinite de isquiotibiais à direita

Bursites

As bursites são inflamações nas bursas do nosso organismo. No quadril, a principal Bursa acometida é a bursa trocantérica, causando a bursite trocantérica, que muitas vezes vem associada a tendite de glúteo médio, e cursa com dor na região lateral do quadril.

Acomete principalmente mulheres acima de 40 anos de idade. A dor costuma piorar ao deitar-se de lado sobre o quadril acometido.

Fisioterapia e medicações analgésicas solucionam a grande maioria dos casos. Infiltrações são frequentemente realizadas, e costumam resolver casos refratários. Cirurgia é raramente realizada na bursite trocantérica.

Bursite Trocantérica | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando uma bursite trocantérica e sua associação com a tendinite glútea, e o tratamento com infiltração local com anestésicos.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Mayo Clinic
OrthoInfo

FAQ

1. Por que o quadril dói?

Diversas são as causas de dor no quadril. Tendinites, bursites, traumas, artrose e osteonecrose da cabeça do fêmur são algumas causas de dor na articulação do quadril. A causa exata deve ser investigada por um Ortopedista de Quadril, com uma consulta detalhada e realização de exames de imagem, para que o tratamento adequado possa ser realizado.

2. Qual o médico que cuida do quadril?

O médico responsável por tratar doenças do quadril é o Ortopedista de Quadril. Essa é uma sub-especialidade dentro da Ortopedia e Traumatologia, na qual o ortopedista foca seus estudos e capacitação técnica para cirurgias envolvendo o quadril. Tal enfoque proporciona um resultado otimizado para pacientes com doenças nessa articulação.

3. Quando procurar um especialista em quadril?

O Ortopedista de Quadril deve ser procurado quando o paciente apresenta dor na região da virilha, parte de cima da coxa, parte baixa da região lombar, nádegas e região lateral do quadril e bacia. Sintomas nessas localizações provavelmente são causados por doenças do quadril, e portanto devem ser tratados por em especialista em quadril.

4. O que fazer para aliviar a dor no quadril?

Antes de pensar num tratamento para dores no quadril, é importante identificar a causa exata da dor. Casos de tendinite e bursite, podem ser aliviados com Fisioterapia, compressas locais e anti-inflamatórios. Doenças como impacto femoro-acetabular e lesão labral podem melhorar com Fisioterapia específica, mas podem precisar de cirurgia. Casos de artrose, dependendo do estágio, podem ser tratados com medicações, infiltração ou cirurgia.

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