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Osteólise ao redor da prótese de quadril: devo me preocupar?

 

 

Todo paciente portador de prótese de quadril necessita de acompanhamento com seu médico especialista em quadril, avaliando o RX em cada consulta.

Inicialmente, as consultas têm um intervalo menor, que vão aumentando no primeiro ano. Após o primeiro ano da cirurgia, realizamos esse seguimento anualmente.

O RX tem o intuito principal de mostrar o posicionamento da prótese e o processo de integração da prótese com o osso, essencial para o adequado funcionamento da prótese, fazendo com que o paciente realize suas atividades sem dor ou limitações.

Após a colocação da prótese, o osso do paciente vai ao longo dos primeiros meses adentrando microporos que revestem os componentes encaixados na bacia e no fêmur. Esse processo é chamado de osteointegração.

Imagem ilustrando o processo de osteointegração, no qual o osso do paciente adentra microporos da prótese, garantindo a adequada fixação da prótese ao osso.
Imagem ilustrando o processo de osteointegração, no qual o osso do paciente adentra microporos da prótese, garantindo a adequada fixação da prótese ao osso.

O que pode acontecer com a prótese?

Com o passar do tempo, existe um desgaste natural da prótese, mais especificamente do componente de polietileno, que articula com a cabeça da prótese. Esse desgaste gera pequenos fragmentos de polietileno ao redor da prótese, que são englobados pelas células de defesa do nosso organismo. Nesse processo, as células também englobam um pouco do osso que está preso à prótese.

A retirada progressiva de osso ao redor da prótese gera uma perda óssea local (o osso fica mais fino), que chamamos de osteólise, vista no RX ou Tomografia como uma área mais escura.

A progressão da osteólise, que passa a acometer o osso ao redor de todo o componente, seja a taça acetabular, seja a haste femoral, gera um processo de soltura ou afrouxamento da prótese. Casos de osteólises mais acentuadas podem cursar com mudança na posição da prótese, indicando maior gravidade da soltura.

Imagem de RX mostrando osteólise circunferencial ao redor da haste femoral, causando soltura desse componente.
Imagem de RX mostrando osteólise circunferencial ao redor da haste femoral, causando soltura desse componente.

Entretanto, não é apenas depois de muitos anos que a osteólise pode aparecer. Ela também pode aparecer nos primeiros anos após a cirurgia, por conta de uma não integração da prótese ao osso. Os principais motivos para isso acontecer são:

Soltura asséptica

A osteólise nesse caso ocorre porque a prótese não integra ao osso sem que haja relação com infecção na prótese, sendo os principais motivos:

  • má qualidade da prótese
  • má qualidade do osso do paciente, como osteoporose ou por radioterapia na região do quadril
  • técnica cirúrgica inadequada, utilizando-se prótese de tamanho menor do que deveria ser ou por mal posicionamento do componente da prótese

Soltura séptica

Nesse caso, a osteólise ao redor do componente femoral ou do componente acetabular ocorre por uma infecção na prótese, ou seja, uma contaminação bacteriana que ocorreu durante ou após a cirurgia, e que não foi adequadamente combatida pelo organismo do paciente.

Essa infecção impede que a osteointegração ocorra, gerando osteólise ao redor de um ou dos dois componentes da prótese.

Como é feita a investigação de possível infecção na prótese?

Quando visualizamos osteólise, inicialmente solicitamos exames de sangue, principalmente o hemograma e provas inflamatórias, como PCR e VHS.

Se alterados, podem indicar uma infecção na prótese. Assim, seguimos com a punção do líquido ao redor da prótese, o qual analisamos em laboratório para contagem de células e cultura de bactérias, que irão confirmar ou afastar a possibilidade de infecção.

Quais são os sintomas da osteólise ao redor da prótese de quadril?

O principal sintoma apresentado no caso de osteólise é dor na região da prótese. Essa dor é geralmente nos primeiros passos ao se levantar da posição sentada ou deitada.

Em casos mais avançados, a dor pode permanecer durante toda a caminhada do paciente ou mesmo ser em repouso, principalmente quando já existe soltura da prótese de quadril.

Entretanto, em casos iniciais de osteólise, o paciente pode não apresentar dor no quadril.

Como tratamos osteólise ao redor da prótese de quadril?

Nos casos de pacientes sem dor ou com pouca dor e com osteólises pequenas, é possível tratar os pacientes sem cirurgia, utilizando medicações analgésicas e restrição de atividades físicas mais extenuantes.

Além disso podemos utilizar medicações geralmente usadas em osteoporose, na tentativa de aumentar a massa óssea e reduzir o processo de reabsorção óssea ao redor da prótese.

Nesses casos o paciente deve ser acompanhado com exames de imagem, como RX e/ou tomografia a cada 6 meses para avaliação se a osteólise pode estar aumentando.

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O que fazer em caso de dor persistente?

Já em casos de dor persistente e com osteólises afetando toda a extensão do componente da prótese ou nos casos já com soltura da prótese, devemos realizar uma nova cirurgia, para troca do componente afetado. Essa cirurgia recebe o nome de revisão de prótese de quadril.

Realize essa cirurgia o quanto antes, pois, com o passar do tempo, ocorre uma perda óssea progressiva, tornando mais difícil obter um bom resultado em uma nova intervenção.

Nessa cirurgia removemos o componente da prótese solto e substituímos por outro componente, geralmente de maior tamanho, para preencher adequadamente a falha óssea que ocorreu no fêmur ou no acetábulo.

Para tais fins, no caso do componente acetabular nós utilizamos materiais com revestimento ultraporoso, chamados de metal trabecular, que tem uma fixação ao osso bem maior do que os materiais convencionais.

Já no fêmur, muitas vezes utilizamos hastes mais longas e largas, além de haste femorais modulares, para facilitar o correto posicionamento da haste.

Imagens de hastes de revisão modulares e componentes acetabulares de metal trabecular, utilizados nas revisões de prótese de quadril.
Imagens de hastes de revisão modulares e componentes acetabulares de metal trabecular, utilizados nas revisões de prótese de quadril.

Além disso, em casos com grandes perdas ósseas, é possível utilizar enxertos ósseos de banco de osso ou enxertos sintéticos.

Imagem de RX com soltura da taça acetabular com perda óssea. Feita revisão da prótese com utilização de enxerto ósseo para preenchimento da falha óssea e componente acetabular de revisão para melhor fixação do material ao osso.
Imagem de RX com soltura da taça acetabular com perda óssea. Feita revisão da prótese com utilização de enxerto ósseo para preenchimento da falha óssea e componente acetabular de revisão para melhor fixação do material ao osso.

Como é o tratamento da osteólise associada a infecção?

Se há uma infecção associada à osteólise ou processo de soltura da prótese, o tratamento é um pouco mais complexo.

Nesses casos, retira-se toda a prótese, mesmo que um de seus componentes não apresente osteólise. Isso porque a bactéria acomete a prótese como um todo e não apenas um de seus componentes.

Em casos de infecção por bactérias facilmente combatidas por antibióticos convencionais e em pacientes com boas condições clínicas, retiramos a prótese infectada e colocamos outra prótese em uma única cirurgia.

Logo após a cirurgia, administramos antibióticos adequados, conforme orientação de um infectologista, e realizamos exames de sangue periódicos para confirmar que a infecção está sob controle.

Já em casos de infecções por bactérias mais agressivas ou quando a bactéria não foi identificada, ou em casos de saída de pus por uma fístula, precisamos fazer duas cirurgias.

Na primeira delas retiramos a prótese com infecção e colocamos uma prótese provisória, revestida com antibióticos, para combater a infecção. Essa prótese fica algumas semanas no quadril do paciente, período no qual o paciente recebe antibióticos.

Após 6 a 12 semanas, com a infecção sob controle, fazemos uma segunda cirurgia, na qual retiramos a prótese provisória e colocamos a prótese definitiva, seguido de novo período de antibióticos.

RX mostrando prótese provisória com antibiótico. A segunda imagem mostra a prótese definitiva, feita com metal trabecular e haste modular, para tratamento de infecção com cirurgia em 2 tempos.
RX mostrando prótese provisória com antibiótico. A segunda imagem mostra a prótese definitiva, feita com metal trabecular e haste modular, para tratamento de infecção com cirurgia em 2 tempos.

Coletam-se materiais ao redor da prótese nas duas cirurgias, como osso, líquido e partes moles, para análise em laboratório e identificação da bactéria causadora da infecção.

Resumo

Portanto, casos de osteólise ao redor da prótese de quadril devem ser avaliados com cautela e quando necessário, realizar a troca de um ou dos dois componentes da prótese.

Entretanto, com a utilização de próteses mais modernas e com os processos adequados de esterilização dos materiais, essa complicação é infrequente em próteses colocadas há pouco tempo.

Sendo assim, as próteses atuais tem uma grande durabilidade, que gira em torno dos 25 anos, promovendo alívio de dor e qualidade de vida aos pacientes.

O Dr. Felipe Spinelli Bessa é um ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril. Com as melhores especializações e sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), ele pode te ajudar!

Entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Felipe Bessa

 

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Mayo Clinic

FAQ

Quais complicações podem ocorrer após a colocação de uma prótese de quadril?

Assim como qualquer outra cirurgia, existem possíveis complicações após a realização da prótese de quadril. Além das complicações gerais que podem ocorrer em cirurgias, tais como infecção, sangramento e dor. Algumas complicações específicas da prótese são a luxação (deslocamento da prótese), osteólise e soltura da prótese e fratura ao redor da prótese.

O que fazer quando a prótese fica solta?

A prótese de quadril deve estar adequadamente fixa ao osso do paciente, seja pela osteointegração do componente, seja pela fixação com cimento ortopédico. Quando há a perda dessa fixação, chamamos essa situação de soltura da prótese, na qual o paciente tem dor e dificuldade para caminhar. Nesses casos precisamos fazer uma nova cirurgia para substituir o componente solto da prótese.

O que é soltura séptica?

Soltura séptica de prótese é quando existe uma infecção bacteriana ao redor da prótese, fazendo com que ela perca sua fixação ao osso do paciente. O paciente costuma apresentar dor e limitações para realizar atividade diárias, esportivas e de trabalho. Nesses casos devemos trocar a prótese e tratar o paciente com antibióticos para combater a infecção.

Descrição

Osteólise é o processo de perda óssea ao redor da prótese, podendo causar dor e soltura da prótese. Casos iniciais podem ser tratados com acompanhamento, mas outros casos devem ser tratados com cirurgia.

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Osteólise na prótese

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Soltura de prótese de quadril

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