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Osteoporose e osteopenia: o que são, como investigar, e como tratar

Definição

A osteoporose é uma desordem esquelética que cursa com diminuição da resistência óssea, aumentando o risco de fraturas.

A densidade óssea e a qualidade do osso compõem a resistência óssea, sendo a densidade o fator mais importante.

A densidade óssea é medida pelo exame densitometria óssea (DMO).

Nesse exame, definimos como osteoporose o paciente idoso que tem uma perda de massa óssea maior do que 25% quando comparado com a população jovem (resultado T-score < -2,5 na DMO).

Já para pacientes jovens, definimos como osteoporose aqueles que têm uma perda da densidade óssea maior do que 20% quando comparado a pacientes da mesma faixa etária (resultado Z-score < -2,0 na DMO).

A osteopenia corresponde a uma perda de massa óssea entre 10 e 25% (resultado T-score entre -1,0 e -2,5 na DMO); os especialistas não a consideram uma doença, mas sim uma condição de baixa densidade óssea.

Imagem ilustrando um osso normal à esquerda e um osso com osteoporose à direita, caracterizada pela importante perda da densidade óssea e da microarquitetura do osso.
Imagem ilustrando um osso normal à esquerda e um osso com osteoporose à direita, caracterizada pela importante perda da densidade óssea e da microarquitetura do osso.

Como a osteoporose é classificada?

A osteoporose é classificada em primária ou secundária.

Na osteoporose primária existe a osteoporose pós menopausa que afeta as mulheres após a menopausa, e a osteoporose senil que afeta tanto homens quanto mulheres, após os 70 anos de idade.

Já a osteoporose secundária ocorre como consequência de alguma outra doença, sendo as principais delas:

  • Uso de corticoides: aumentam a reabsorção óssea
  • Tabagismo
  • Doenças intestinais como doença de Crohn, doença celíaca ou cirurgia bariátrica: reduzem a absorção de vitamina D
  • Insuficiência renal crônica
  • Hipogonadismo masculino: níveis baixos de testosterona reduzem a formação óssea e aumentam a reabsorção óssea
  • Deficiência de vitamina D
  • Hiperparatireoidismo: aumenta a reabsorção óssea
  • Doença de Paget
  • Sedentarismo
  • Diabetes mellitus

Como a osteoporose é diagnosticada?

O principal exame utilizado para diagnosticar a osteoporose é a densitometria óssea. Os sítios avaliados neste exame são a coluna lombar (L1 a L4) e a região superior do fêmur (colo do fêmur e fêmur total). Assim, define-se o resultado pelo pior valor dentre os avaliados.

Imagens de densitometria óssea de um paciente demonstrando osteoporose, devido valores de T-score apresentados no seu quadril.
Imagens de densitometria óssea de um paciente demonstrando osteoporose, devido valores de T-score apresentados no seu quadril.

Realiza-se esse exame nas mulheres que já entraram na menopausa e nos pacientes de ambos os sexos a partir dos 70 anos de idade.

Todo paciente diagnosticado com osteoporose deve realizar esse exame anualmente para acompanhamento de sua doença.

Entretanto, ele não é a única forma de se diagnosticar a osteoporose. Pacientes idosos que apresentam fratura na coluna, punho, ombro e/ou quadril com traumas de baixa energia, tais como queda ao solo da própria altura, também já são considerados como pacientes com osteoporose.

Além da densitometria óssea, realiza-se exames de sangue para medir os níveis de cálcio e vitamina D, além de exames para avaliar se o paciente pode ter osteoporose secundária, sendo eles exames dos rins, fígado, tireóide, hormônios, entre outros.

Além disso, existe uma ferramenta chamada FRAX, que calcula o risco de o paciente apresentar uma fratura osteoporótica nos próximos anos de sua vida. Essa ferramenta leva em conta o histórico de saúde do paciente e familiar e hábitos de vida que impactam, sobretudo, na saúde óssea e no risco de uma fratura.

Questionário da ferramenta FRAX, que auxilia na decisão terapêutica para a osteoporose.
Questionário da ferramenta FRAX, que auxilia na decisão terapêutica para a osteoporose.

Por que devemos tratar pacientes com osteoporose?

A osteoporose é uma doença silenciosa, ou seja, não causa dor ao paciente.

Entretanto, ela aumenta significativamente o risco de se apresentar uma fratura com traumas leves como uma simples queda ao solo.

Além dos transtornos e limitações causados por uma fratura, algumas dessas fraturas principalmente a fratura de quadril (principalmente a fratura do colo do fêmur), têm elevados riscos à saúde do paciente, como complicações cardiovasculares, pulmonares e até mesmo o óbito.

Dessa forma, é importante que os pacientes sejam ativamente investigados e quando diagnosticados com osteoporose, sejam adequadamente tratados, para evitar a ocorrência dessas complicações.

Como é o tratamento da osteopenia e da osteoporose?

Pacientes com osteopenia devem ser tratados apenas com reposição de cálcio e vitamina D e realização de atividades físicas, a não ser que apresentem alto risco de fratura calculado pelo FRAX.

Já os pacientes com osteoporose, além de receber a suplementação de cálcio e vitamina D devem receber medicações ativas para a doença, sendo as principais delas:

Medicações anti-reabsortivas: impedem que haja reabsorção óssea, porém têm baixa capacidade de aumentar a densidade óssea. As principais delas são:

  • Bisfosfonatos: alendronato, risedronato, ibandronato e ácido zoledrônico
  • Prolia® (denosumabe): Injetado no subcutâneo abdominal a cada 6 meses

Medicações formadoras de osso (também chamadas de anabólicas): essas medicações intensificam o trabalho das células que formam o osso, e portanto, aumentam a massa óssea. São elas:

  • Forteo® (teriparatida): injetado no subcutâneo abdominal diariamente por 24 meses
  • Evenity® (romososumabe): 2 injeções no subcutâneo abdominal uma vez por mês, por 12 meses

Pacientes com baixo risco de fratura podem seguir tratamento com medicações anti-reabsortivas por até 10 anos.

Já pacientes com alto ou muito alto risco de fratura devem ser tratados com as medicações formadoras de osso.

Pacientes com alto risco de fratura são os pacientes que:

  • tiveram uma fratura de vértebra ou do quadril há mais de 12 meses
  • apresentam um T-score <2,5 na DMO
  • alto risco de fratura pelo FRAX.

Pacientes com muito alto risco de fratura são os pacientes que:

  • apresentaram uma fratura nos últimos 12 meses
  • apresentaram fratura em vigência de tratamento para osteoporose
  • já apresentaram múltiplas fraturas
  • apresentam T-score <3,0 na DMO
  • apresentam muito alto risco de fratura pelo FRAX
  • tem alto risco de queda.

Apesar de caras, alguns pacientes que preenchem critérios específicos, podem conseguir essas medicações com seus planos de saúde.

Outras opções de tratamento

Outra opção de tratamento para mulheres na fase inicial da menopausa é a reposição hormonal, que deve ser orientada por um ginecologista especialista no assunto. Mulheres que têm histórico familiar de câncer de mama ou que já tiveram câncer de mama não podem receber essa terapia, então devem ser tratadas com as medicações anti-reabsortivas ou formadoras de osso para a osteoporose.

Além de tratar a osteoporose com as medicações descritas acima, os profissionais de saúde devem tratar também a sarcopenia, condição de baixa massa muscular, para corrigi-la, já que ela aumenta o risco de quedas e facilita a ocorrência de fraturas.

O tratamento se inicia com a realização de atividades físicas para ganho de massa muscular, principalmente a musculação, correção da dieta, com aporte nutricional apropriado, incluindo proteínas necessárias para o ganho de massa muscular.

Além disso, profissionais de saúde podem recomendar suplementos alimentares, como whey protein, creatina e ômega 3, para auxiliar no ganho de massa e força muscular.

A prevenção de quedas dentro do ambiente domiciliar com a retirada de tapetes e objetos soltos pela casa, também é parte essencial do tratamento desses pacientes.

Quais as principais fraturas relacionadas a osteoporose?

As principais fraturas que podem ocorrer nos pacientes portadores de osteoporose não tratada são:

  • Fratura de vértebras lombares e torácicas
  • Fratura do ombro, especificamente da parte proximal do úmero
  • Fratura do punho, notadamente da região distal do rádio
  • Fratura do 1/3 proximal do fêmur no quadril sendo as principais a fratura do colo do fêmur e a fratura transtrocantérica

As fraturas da coluna vertebral são na maioria das vezes de tratamento conservador, ou seja, sem cirurgia, com repouso e colete. Muitas vezes elas podem passar despercebidas no momento da fratura. Entretanto, ao longo do tempo elas podem causar uma dor lombar crônica, de difícil tratamento.

Já as fraturas do ombro e punho podem ser de tratamento cirúrgico ou sem cirurgia, dependendo do tipo de fratura e condições clínicas do paciente. Independentemente do tratamento, existe a necessidade de imobilização e fisioterapia prolongada para a sua recuperação.

Imagens ilustrando fratura de coluna vertebral, ombro e punho respectivamente, relacionadas à osteoporose.
Imagens ilustrando fratura de coluna vertebral, ombro e punho respectivamente, relacionadas à osteoporose.

Fraturas do fêmur

Já as fraturas do fêmur são obrigatoriamente de tratamento cirúrgico, uma vez que o tratamento conservador ou a demora em se operar o paciente, tem riscos comprovados para a saúde do paciente, tais como complicações cardiovasculares, pulmonares e neurológicas, além de causar um déficit funcional significativo no membro afetado.

Imagem de raio X de uma paciente que apresentou uma fratura do colo do fêmur esquerdo, e já havia passado por cirurgia para tratamento de fratura do colo do fêmur direito no passado. Não foi tratada adequadamente para osteoporose, e apresentou nova fratura, necessitando de nova cirurgia, dessa vez à esquerda.
Imagem de raio X de uma paciente que apresentou uma fratura do colo do fêmur esquerdo, e já havia passado por cirurgia para tratamento de fratura do colo do fêmur direito no passado. Não foi tratada adequadamente para osteoporose, e apresentou nova fratura, necessitando de nova cirurgia, dessa vez à esquerda.

Entretanto, mesmo com o tratamento adequado, essas fraturas continuam a provocar uma mortalidade elevada, cerca de 30% no primeiro ano após uma fratura por osteoporose do fêmur.

Por isso, os profissionais de saúde devem investigar e tratar adequadamente os pacientes com essa condição óssea.

O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.

 

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Referências

OrthoInfo
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Sociedade Brasileira de Reumatologia

Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo

 

FAQ

O que é osteoporose e o que causa?

A osteoporose é uma desordem esquelética que cursa com diminuição da resistência óssea, levando a uma fragilidade dos ossos. Essa condição causa um aumento significativo no risco de um paciente apresentar fraturas mesmo com traumas de baixa energia, como simples quedas dentro de casa.

Quais são os primeiros sinais da osteoporose?

A osteoporose é uma doença silenciosa, ela por si só não causa dor ao paciente. Entretanto, como ela aumenta o risco de fraturas, o paciente pode apresentar fraturas espontâneas das vértebras lombares, causando dor na coluna e perda de altura. Além disso, caso o paciente apresente uma fratura importante, como do fêmur, sem apresentar um acidente grave, ele já tem o diagnóstico de osteoporose.

Como prevenir a osteoporose?

Para a prevenção da osteoporose, as pessoas devem desde cedo ter uma ingesta adequada de cálcio, com leite e derivados em sua dieta, exposição solar adequada, e realização de atividades físicas regularmente. Além disso, deve-se evitar o tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou uso de corticoides, medicações que tem um importante papel no surgimento da osteoporose.

Como tratar a osteoporose?

A osteoporose deve ser tratada com suplementos de cálcio e vitamina D, medicações anti reabsortivas ou formadoras de osso, tratamento das condições que causam osteoporose secundária tais como tabagismo e uso de corticoides, além da realização de atividades físicas regulares e dieta saudável.

 

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