A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Perda de mobilidade no quadril: o que causa e como tratar?
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O quadril é a segunda articulação mais móvel do nosso corpo, ficando atrás apenas do ombro. Essa mobilidade se dá pelo fato de a articulação ser formada pela cabeça femoral esférica, que se encaixa numa cavidade da bacia, chamada de acetábulo.
Esse formato gera movimentos em todas as direções, permitindo que a perna vá para frente, para trás e para os lados, e realize movimentos rotacionais.

É graças a essa mobilidade tão completa que conseguimos andar, nos vestir, calçar meias e sapatos, além de realizar atividades físicas das mais simples às mais complexas.
A rigidez no quadril pode afetar significativamente as atividades cotidianas e esportivas de qualquer pessoa. Ela pode ocorrer por diversos motivos, que abordaremos a seguir.
Artrose (desgaste) no quadril
O quadril, assim como qualquer outra articulação, é formado por 2 ossos que têm um revestimento de cartilagem em suas superfícies. A cartilagem é um tecido extremamente liso, permitindo que o movimento da articulação seja sem dor, atrito ou resistência.
Em situações em que essa cartilagem está gasta, como na artrose, um dos principais sintomas que o paciente apresenta é perda dos movimentos no quadril.

Quanto maior o desgaste da cartilagem, maior a perda dos movimentos. Em casos mais avançados, o paciente fica impossibilitado de calçar meias ou amarrar calçados por conta própria, além de ficar limitado para diversas outras atividades do dia a dia.
Além da perda de mobilidade no quadril, esses pacientes também apresentam dor e restrições para caminhadas e realização de atividades físicas.
Por ser uma doença degenerativa, a artrose costuma afetar pacientes de idade mais avançada.
Seu diagnóstico é feito geralmente com RX de bacia e quadril. Raramente solicitamos Ressonância Magnética para fazer esse diagnóstico.

Opções de tratamentos
Casos leves de artrose podem ser tratados com medicações analgésicas, medicações para cartilagem (como glicosamina e colágeno), Fisioterapia para melhorar a mobilidade e o fortalecimento e uso de muletas ou bengala.
Os médicos podem tratar casos refratários ou de artrose em estágio intermediário com as medidas acima, associando-as à infiltração dentro da articulação do quadril, com:
- Ácido hialurônico
- Hidrogel bioativo
- Produtos biológicos obtidos do próprio paciente (sangue, aspirado de medula óssea ou gordura) preparados em dispositivos como centrífugas ou kits de microfragmentação da gordura

Já nos casos avançados, fazemos o tratamento com a cirurgia de prótese de quadril, na qual a cabeça do fêmur e a articulação são substituídos por implantes metálicos, que vão exercer as funções de um quadril normal, melhorando a dor e devolvendo mobilidade total ou quase total à articulação.

Deformidades sequelares no quadril
Para que a mobilidade do quadril seja normal é imprescindível que o formato da cabeça do fêmur e do acetábulo sejam perfeitos, ou seja, como uma bola dentro de um soquete.
Se alguma doença ou lesão alterar o formato dessas estruturas, elas afetarão a mobilidade.
As causas mais comuns dessas deformidades no acetábulo são:
- Displasia de desenvolvimento do quadril: antigamente chamada de luxação congênita do quadril, cursa com uma cavidade mais “rasa” do acetábulo, fazendo com que uma parte da cabeça femoral fique fora do acetábulo; em alguns casos ela pode estar completamente fora. Tal alteração pode causar rigidez no quadril.
- Sequela de fratura do acetábulo: fraturas do acetábulo são causadas por acidentes graves, como acidentes de carro ou moto ou por quedas de alturas elevadas. Se os profissionais de saúde não operarem adequadamente essas fraturas, poderá ocorrer uma deformidade residual no acetábulo, o que reduzirá os movimentos do quadril.

Seta apontando quadril com displasia, evidenciada pela falta de cobertura da cabeça do fêmur pelo acetábulo.
Deformidades na cabeça do fêmur
Já as causas mais comuns de deformidades na cabeça do fêmur, são as doenças da infância e adolescência Legg-Perthes e epifisiolistese da cabeça do fêmur.
Quanto maior a deformidade residual, maior tende a ser a perda de mobilidade na articulação do quadril.
Os exames que evidenciam tais alterações são as radiografias e a tomografia computadorizada, que avalia em detalhes o formato ósseo do quadril.
As doenças que cursam com muita deformidade no quadril tendem a melhorar pouco com medidas conservadoras, como medicações, Fisioterapia e infiltrações. Isso ocorre porque a perda de mobilidade não é causada por falta de lubrificação no quadril, e sim porque existe uma incongruência entre os dois ossos.
Dessa forma, o tratamento mais eficiente nesses casos é a cirurgia de prótese, que resolve de vez qualquer deformidade presente no quadril, melhorando não apenas a mobilidade, mas também a dor, o comprimento dos membros que geralmente está diferente, e a capacidade de realizar atividades físicas.
Impacto femoroacetabular
O impacto femoroacetabular é causado porque alguns pacientes desenvolvem ao longo da vida saliências ósseas no acetábulo e/ou na cabeça do fêmur, fazendo com que movimentos mais amplos sejam impedidos pela presença anômala dessas saliências ósseas.
Quando a saliência é na transição da cabeça e colo do fêmur, chamamos de impacto tipo Came, que costuma afetar mais homens jovens (20 a 40 anos).
Quando a saliência óssea é na borda do acetábulo, chamamos de impacto tipo Pincer, que afeta mais frequentemente mulheres de meia idade.

Além da perda de mobilidade, esses pacientes costumam apresentar dor para realizar atividades cotidianas como entrar e sair do carro e andar médias distâncias, além de dor em atividades físicas de impacto ou que exigem muitos movimentos no quadril.
Para fazer o diagnóstico, realizamos alguns testes específicos durante o Exame Físico do paciente, que podem demonstrar dor e/ou movimentos restritos no quadril.
Além disso, complementamos o Exame Físico com radiografias e Ressonância Magnética.

Iniciamos o tratamento com medicações analgésicas e redução na frequência e intensidade das atividades físicas que desencadeiam a dor.
Caso o paciente persista com limitações por conta da falta de movimentos no quadril e com dor, ele se torna um candidato a passar pela cirurgia de artroscopia do quadril.
Realiza-se essa cirurgia com uma câmera, inserida na articulação junto com instrumentos minimamente invasivos, que utilizamos para fazer uma raspagem das saliências ósseas e devolver uma anatomia normal aos ossos do quadril, melhorando a mobilidade e a dor.

Contraturas e encurtamentos músculo-tendíneos
Alguns casos de perda de mobilidade no quadril são causados principalmente por músculos ou tendões encurtados, sem que haja uma real doença na articulação do quadril.
Nesses casos, os exames de imagem provavelmente são normais ou com alterações mínimas.
Os músculos mais comumente afetados são:
- Adutor: impede uma abertura completamente normal da perna por manter a perna em posição de adução (fechada)
- Iliopsoas: impede extensão total do quadril, ou seja, o movimento de trazer a perna para trás
- Trato iliotibial: restringe a adução da perna
Nesses casos, inicia-se o tratamento com Fisioterapia e alongamentos diários, para tentar alongar as estruturas encurtadas.
Caso o paciente persista com o encurtamento e restrição dos movimentos, indicamos cirurgias para alongar ou cortar os tendões encurtados, chamadas de tenotomia.
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O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo
Mayo Clinic
FAQ
Como recuperar a mobilidade do quadril?
Isso vai depender da causa exata da perda de mobilidade. Se for um encurtamento de músculo ou tendão, é possível recuperar a mobilidade com alongamentos e Fisioterapia. Caso seja um problema da articulação, como artrose ou deformidade óssea, alongamentos podem ajudar em alguns casos, mas outros necessitarão de cirurgia.
O que causa rigidez no quadril?
A principal causa de perda de mobilidade no quadril é a artrose, doença degenerativa que cursa com desgaste da cartilagem da cabeça do fêmur e da bacia. Além disso, outra causa é o impacto femoroacetabular, causado pela presença anormal de saliências ósseas na articulação. O Ortopedista especialista deve realizar o diagnóstico durante a consulta e complementá-lo com exames de imagem.
Descrição
Para garantir a mobilidade normal do quadril, o corpo precisa manter o formato perfeito da cabeça do fêmur, bem como do acetábulo, como uma bola encaixada em um soquete. O tratamento pode ser conservador ou com cirurgia.
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