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Problemas no quadril: tudo o que você precisa saber

Somente quem tem um problema no quadril sabe o quão incômodo e perturbador é isso. E problemas no quadril são muito mais comuns do que se pensa.

Eles podem afetar pessoas de todas as idades, homens e mulheres, praticantes de atividades físicas ou não e podem ser problemas leves até graves.

Neste texto vamos comentar os principais problemas que atingem o quadril, dividindo pela localização principal onde os pacientes sentem a dor.

Dor na parte da frente do quadril

A parte da frente do quadril, chamada de região inguinal, referida na maioria das vezes como virilha, é o principal local onde os pacientes sentem a dor, sendo geralmente relacionada a um problema de dentro da articulação.

Os principais são:

Artrose do quadril

A artrose do quadril é um problema na cartilagem, que se apresenta com desgaste, além de inflamação na articulação.

Artrose | Problemas no Quadril | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem mostra um quadril sem artrose, evidenciado pelo bom aspecto da cartilagem; a segunda imagem mostra uma artrose, evidenciada pelos buracos (desgaste) na cartilagem.

Ela afeta geralmente pacientes de mais idade, mas pode afetar pacientes jovens, como sequela de alguma patologia no quadril, que levou ao desgaste precoce.

Além da dor na virilha, os pacientes queixam-se de perda de mobilidade na articulação, estalos, dificuldade para caminhar e realizar atividades diárias.

Os sintomas são progressivos ao longo do tempo, iniciando de forma leve, até que fiquem intensos, causando grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.

É diagnosticada com RX na maioria das vezes. A ressonância magnética é útil apenas em casos muito iniciais.

Problemas no Quadril | Artrose de Quadril - Dr. Felipe Bessa
RX e ressonância magnética mostrando artrose de quadril.

Os casos leves e moderados são tratados com medicações analgésicas, Fisioterapia e infiltrações, que podem ser de ácido hialurônico, procedimento chamado de viscossuplementação ou com a substâncias biológicas, tais como PRP (plasma rico em plaquetas), BMAC (aspirado de medula óssea centrifugado) ou gordura abdominal microfragmentada, que são explicados em mais detalhes no texto Terapias Biológicas no Quadril.

Já os casos avançados não se beneficiam com os tratamentos acima, e devem ser tratados com cirurgia de prótese de quadril, na qual é feita a substituição da articulação gasta por uma articulação artificial, metálica.

Infiltração e prótese de quadril | Dr. Felipe Bessa
Problemas no Quadril: Infiltração e prótese de quadril, possíveis tratamentos para a artrose de quadril, dependendo do estágio da doença.

O resultado dessa cirurgia é fantástico, devolvendo qualidade de vida aos pacientes que sofrem com a artrose no quadril.

Impacto femoro-acetabular

Essa doença ocorre pois algumas pessoas tem uma saliência óssea no colo do fêmur ou no acetábulo (cavidade da bacia onde a cabeça do fêmur se encaixa), fazendo com que em alguns movimentos do quadril, ocorra um contato anormal entre o fêmur e a bacia, levando a dor e na parte da frente do quadril.

Impacto femoro-acetabular | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando possíveis saliências ósseas no quadril, causadoras do impacto femoro-acetabular.

Ela afeta principalmente pessoas jovens e praticantes de atividades físicas, sendo comuns em esportes com impacto, chutes e movimentos com muita flexão do quadril, tais como corrida, futebol, lutas e balé.

Além do impacto ósseo, pode haver a lesão do lábio acetabular, estrutura de fibrocartilagem que recobre a borda do acetábulo. Essa estrutura exerce diversas funções importantes no quadril, e quando lesionada, pode causar dor nos pacientes.

O tratamento do impacto femoro-acetabular se inicia com a suspensão ou alteração das atividades que desencadeiam a dor, anti-inflamatórios e Fisioterapia.

Nos casos persistentes, indica-se a artroscopia do quadril para “raspagem” das saliências ósseas e reparo da lesão do lábio acetabular com o uso de âncoras, que são pequenos implantes absorvíveis, conectados a fios, usados para suturar o lábio acetabular na borda do acetábulo novamente.

Artroscopia de Quadril | Dr. Felipe Bessa
Primeira imagem ilustra uma artroscopia de quadril, e segunda imagem ilustra uma lesão de lábio acetabular suturada com 3 âncoras.

Osteonecrose da cabeça do fêmur

Essa doença ocorre devido a uma deficiência na circulação sanguínea que leva oxigênio e nutrientes para o osso da cabeça femoral, levando à morte das células dessa região.

Isso faz com que o osso que sustenta o formato adequado da cabeça do fêmur não consiga exercer sua função, levando ao colapso da cabeça femoral, ou seja, achatamento/perda da esfericidade da cabeça do fêmur.

Isso ocasiona dor na região profunda da virilha, que piora com movimentos, caminhadas e atividades físicas.

Além disso, a deformidade pode levar à artrose do quadril em pacientes jovens, devido ao desgaste acelerado da cartilagem.

O diagnóstico da osteonecrose da cabeça do fêmur é feito na maioria das vezes com a Ressonância Magnética.

O tratamento depende do estágio da doença. Casos em que a cabeça continua perfeitamente esférica, podem ser submetidos a cirurgia de descompressão, associada a colocação de enxerto, para estimular a formação de osso sadio novamente. Essa cirurgia é feita com uma broca, que remove o osso morto da cabeça femoral. É importante salientar que essa cirurgia tem uma taxa de sucesso de 60 a no máximo 70% dos casos.

Cirurgia de descompressão da cabeça do fêmur | Dr. Felipe Bessa
Problemas no Quadril: Cirurgia de descompressão da cabeça do fêmur, com colocação de enxerto ósseo para tratamento de osteonecrose com cabeça ainda esférica (sem colapso).

Já nos casos em que houve a perda da esfericidade, o tratamento é feito com a prótese de quadril, assim como na artrose.

Dor na lateral do quadril

As principais doenças que causam dor na lateral (parte de fora) do quadril são:

Tendinite de glúteo médio e mínimo

É uma inflamação dos tendões do glúteo médio e mínimo, músculos importantes, que ficam na lateral do quadril.

Eles têm a função de abertura do quadril, além de estabilizar a articulação durante a marcha.

Quando inflamados, causam dor na região lateral do quadril, geralmente sobre o osso saliente nessa região, que é o trocanter maior do fêmur, muitas vezes confundido com a cabeça do fêmur.

Seu diagnóstico é clínico, ou seja, realizado com durante a consulta e exame físico, mas pode ser confirmado com a realização de Ressonância Magnética ou Ultrassom.

Tendinite glútea | Dr. Felipe Bessa
Localização típica da dor de tendinite glútea e imagem de Ressonância Magnética evidenciando uma tendinite de glúteo médio.

O tratamento é feito com Fisioterapia, medicações analgésicas e anti-inflamatórias e compressas.

Nos casos persistentes, podem ser realizadas infiltrações com analgésicos ou com PRP e BMAC, as terapias biológicas já citadas.

Em casos mais avançados, nos quais existe uma ruptura dos tendões, uma cirurgia pode ser necessária, para reparar/suturar lesão, conectando novamente os tendões ao fêmur.

Bursite trocantérica

Bursite trocantérica é a inflamação de uma pequena bolsa que contém líquido, presente naturalmente sobre os tendões glúteos, chamada bursa trocantérica.

A principal causa dessa inflamação é o atrito no espaço entre o trocanter maior e o trato iliotibial, camada de tecido inelástico nessa região, exatamente onde fica a bursa.

Da mesma forma que a tendinite dos glúteos médio e mínimo, o tratamento é feito com Fisioterapia, medicações, compressas e em casos persistentes, infiltrações.

Bursite Trocantérica | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando uma bursite trocantérica, sendo tratada com infiltração local.

Raramente é indicado o tratamento cirúrgico para tal patologia, uma vez que a grande maioria dos pacientes melhora com o tratamento conservador.

Dor na região glútea

As principais doenças que causam dor na região glútea/nádegas são:

Síndrome do piriforme

O piriforme é um músculo que fica na região posterior (parte de trás) do quadril, logo abaixo do glúteo máximo.

Abaixo do piriforme passa o nervo ciático, principal nervo dos membros inferiores, formado na coluna, e que desce até os pés.

Caso o músculo piriforme apresente um encurtamento, contratura, hipertrofia ou variação anatômica, ele pode comprimir o nervo ciático na região glútea, causando dor nessa localização.

Síndrome do Piriforme | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando a síndrome do piriforme à esquerda, com o nervo ciático sendo comprimido pelo músculo piriforme.

A dor pode ficar localizada ali ou pode irradiar até a coxa. Alguns pacientes sentem piora se ficam muito tempo sentados, outros em pé e outros ao andar muito.

Seu diagnóstico não é fácil, dependendo de um bom exame físico, que deve ser complementado com exames de RX, Ressonância Magnética e eletroneuromiografia, que avalia a parte de nervos.

É importante que se avalie a coluna, pois muitos desses sintomas são causados por patologias na coluna, como hérnias de disco.

O tratamento é com Fisioterapia, medicações, soltura mio-fascial e alterações de atividades desencadeadoras da dor.

Infiltrações não costumam promover alívio significativo e nem por muito tempo.

Casos refratários podem ser tratados com cirurgia, na qual corta-se o músculo piriforme, além de soltar os tecidos ao redor do nervo ciático, deixando seu trajeto livre.

Tendinite de isquiotibiais

Isquiotibiais é o nome que se dá aos músculos da parte de trás da coxa. Seus tendões estão no ísquio, osso na região glútea, sobre o qual sentamos.

A inflamação dos tendões isquiotibiais cursa com dor na parte de baixo da nádega, piorando ao ficar sentado ou ao fazer caminhadas longas ou em ritmo acelerado.

O diagnóstico definitivo é feito com a Ressonância Magnética.

Tendinite de Isquiotibiais | Dr. Felipe Bessa
Problemas no Quadril: Imagem ilustrando a tendinite de isquiotibiais, e Ressonância Magnética evidenciando inflamação importante em um dos tendões isquiotibiais.

Seu tratamento é feito com repouso, compressas, anti-inflamatórios e Fisioterapia.

Em casos avançados, quando há ruptura de tendão, pode ser necessária a realização de cirurgia, com reparo/sutura dos tendões com auxílio de âncoras, para que os mesmos cicatrizem adequadamente no ísquio.

Dor no púbis

A dor no púbis, chamada de pubalgia, não tem uma causa única.

Pode ser causada por uma tendinite dos tendões adutores, uma inflamação nos ossos do púbis, sobrecarga mecânica nessa região ou fraqueza/insuficiência da musculatura da parede abdominal.

É frequentemente causada em pacientes jovens e praticantes de atividades com impacto e/ou mudanças de direção.

Precisa ser adequadamente investigada com RX, Ressonância Magnética e Ultrassom.

Seu tratamento envolve cessar a atividade desencadeadora, uso de anti-inflamatórios e muita Fisioterapia.

Atletas portadores de pubalgia chegam a ficar diversos meses afastados de suas atividades, devido a demora para conseguirem alívio das dores relacionadas à pubalgia.

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
OrthoInfo

Mayo Clinic

FAQ

1. Quais são os problemas mais comuns no quadril?

Os problemas mais comuns no quadril são a artrose, que é o desgaste da cartilagem; o impacto femoro-acetabular, que ocorre pela presença de saliências ósseas no quadril e geralmente afeta pacientes jovens; osteonecrose da cabeça do fêmur, que ocorre por um defeito na circulação sanguínea da cabeça femoral, além da tendinite de glúteo médio e a bursite trocantérica, que causam dor na lateral do quadril e são frequentes em mulheres de 40 a 60 anos de idade.

2. Quando a dor no quadril é preocupante?

Ela é preocupante quando não melhora com o tempo ou com medicações, quando começa a limitar as atividades diárias, esportivas e laborais e principalmente quando vem associada a perda de mobilidade no quadril. Nesses casos é importante que seja investigada adequadamente, para que o tratamento adequado seja instituído.

3. Quais os primeiros sintomas de desgaste no quadril?

O principal sintoma de desgaste no quadril é dor, sentida na maioria das vezes na parte profunda da virilha, principalmente ao fazer caminhadas longas ou atividades físicas. É o primeiro sintoma a aparecer. Outros sintomas são perda de mobilidade no quadril, estalos e encurtamento do membro afetado.

4. Qual exame detecta problemas no quadril?

O primeiro exame a ser pedido para pacientes que apresentam algum problema ou dor no quadril é o RX. Apesar de ser um exame antigo, ele fornece informações importantes, como a conformação óssea e relação entre os ossos do quadril. Quando normal, a investigação deve ser prosseguida com a Ressonância Magnética, exame que mostra em detalhes os músculos, tendões, cartilagem entre outras estruturas do quadril.

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