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Qual é a melhor prótese de quadril?

Uma pergunta frequente no consultório do Médico Especialista em Quadril, realizada pelo paciente que está em programação de passar pela cirurgia de prótese de quadril, principalmente os pacientes portadores de artrose de quadril e osteonecrose da cabeça do fêmur, é: “Qual é o melhor tipo de prótese de quadril?”.

Apesar de frequente, essa pergunta não tem uma única resposta correta, e na verdade a pergunta deveria ser reformulada para: “Qual a melhor prótese de quadril PARA O MEU CASO?

Isso por que o melhor tipo de prótese de quadril depende de algumas características, como idade e grau de atividade do paciente, tipo de doença no quadril e familiaridade do cirurgião com cada técnica e tipo de prótese disponíveis.

Quando um especialista em quadril programa uma prótese de quadril, alguns pontos precisam ser definidos antes de se executar a cirurgia, sendo eles:

  • Via de acesso ao quadril
  • Prótese cimentada ou não cimentada
  • Par tribológico da prótese

Portanto, vamos entender o que são esses pontos e quais fatores devem ser levados em consideração na escolha de cada um.

Vias de acesso ao quadril

Existem 3 vias de acesso à articulação do quadril; 2 tradicionais, amplamente usadas ao redor do mundo e uma via mais nova, com uso crescente pelos cirurgiões de quadril.

As duas vias tradicionais são a via posterior e a via lateral. Em ambas as técnicas, realiza-se um corte nos músculos ou tendões ao redor do quadril para que se consiga chegar na junção da cabeça do fêmur com a bacia (mais precisamente, o acetábulo).

Na via posterior, corta-se a musculatura rotadora externa, fazendo com que haja um leve aumento na incidência de luxação da prótese (um deslocamento da cabeça da prótese com a parte da prótese que está na bacia).

Já na via lateral, corta-se a musculatura abdutora do quadril, causando um leve aumento na incidência de claudicação no pós-operatório (o paciente pode ficar mancando), caso não haja uma cicatrização adequada dessa musculatura.

Dessa maneira, foi desenvolvida uma terceira opção de via de acesso ao quadril, a via anterior, na qual realiza-se a cirurgia entre os músculos, não sendo feitos cortes na musculatura do quadril, evitando assim as complicações acima descritas.

Além disso, a preservação da musculatura permite uma reabilitação mais rápida, por causar menos fraqueza no quadril, além de promover um pós-operatório menos doloroso.

Sua principal desvantagem é que é tecnicamente mais difícil de ser executada, e dessa maneira necessita de um treinamento específico, para que o cirurgião esteja habilitado a realizar a prótese de quadril por essa técnica.

Qual é a melhor prótese de quadril? | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando o local onde realiza-se a incisão nas três diferentes vias de acesso para realização da prótese de quadril.

Apesar das vantagens e desvantagens de cada uma das vias de acesso, a técnica de escolha deve ser a qual o cirurgião está mais acostumado e habilitado para realizar!

Prótese com ou sem cimento?

Outro ponto a ser definido é como será a fixação da prótese no osso do paciente. Existem duas maneiras de realizar essa fixação:

  • Prótese cimentada
  • Prótese não-cimentada

Na técnica cimentada, a prótese é fixada ao osso com um cimento ortopédico, que ao secar, garante uma fixação imediata dos componentes da prótese no osso do paciente.

Já na técnica não-cimentada, a prótese é encaixada “bem apertada” no osso (técnica chamada de press-fit). Nessa técnica, são utilizadas próteses revestidas com micro-porosidades, feitas geralmente com titânio ou hidroxiapatita. Tais revestimentos estimulam o osso do paciente a crescer e adentrar nesses micro-poros, gerando uma fixação biológica, chamada de osteointegração.

Apesar de existir uma grande discussão acerca de qual das duas técnicas é melhor, os estudos mostram que quando bem realizadas, não existem diferenças nos resultados entre prótese com e sem cimento.

Dessa forma, a escolha deve ser baseada na técnica com a qual o cirurgião tem maior familiaridade, pois uma cirurgia bem executada é o que garante um bom resultado para o paciente. Na atualidade, grande parte dos cirurgiões opta pela técnica sem cimento.

Entretanto, em casos de pacientes acima de 75 anos e/ou com qualidade óssea ruim, principalmente os pacientes com osteoporose avançada e na grande maioria dos pacientes com fratura de colo do fêmur, os estudos mostram melhores resultados com a prótese cimentada do que com a prótese sem cimento, uma vez que ela garante uma fixação imediata e não depende da qualidade óssea do paciente.

Qual é a melhor prótese de quadril? | Dr. Felipe Bessa
Na primeira imagem vemos o RX de uma prótese de quadril sem cimento. A prótese, indicada pela estrela azul está em contato com as corticais do fêmur, indicadas pelas imagens ovais pretas, mostrando a técnica de press-fit, na qual a prótese é encaixada apertada no fêmur. Na segunda imagem vemos o RX de uma prótese cimentada. A prótese, indicada pela estrela azul, é mais fina. Ao redor dela vemos uma camada de cimento, indicada pelo X vermelho, fazendo a fixação da prótese com o osso, que apresenta corticais mais finas que o osso da primeira imagem, devido osteoporose da paciente.

Par tribológico da prótese

Esse termo complexo diz respeito aos materiais utilizados na parte que realizará a articulação dos componentes femoral (que vai dentro do fêmur) e acetabular (que vai dentro da bacia) da prótese, mais precisamente a cabeça e o liner da prótese.

Os materiais mais utilizados na cabeça da prótese são:

  • Metal (liga metálica de cromo e cobalto)
  • Cerâmica (liga metálica de alumina e zircônio)

A próteses mais modernas utilizam a cabeça de cerâmica, pois ela garante maior durabilidade à prótese, pois gera menos desgaste na prótese, além de evitar complicações como a metalose.

Os materiais mais utilizados no liner da prótese são:

  • Polietileno convencional (uma espécie de plástico)
  • Polietileno cross-linked: similar ao acima, mas com menos desgaste devido a um processo especial de fabricação e esterilização
  • Cerâmica
  • Metal

Os liners de polietileno convencional foram praticamente abandonados, por terem uma durabilidade comprovadamente menor do que os de polietileno cross-linked, enquanto os de metal, também praticamente não são mais usados, por apresentarem complicações severas, como a metalose, que é a liberação de íons metálicos ao redor da prótese, que podem causar efeitos indesejados na musculatura local e até mesmo a distância, ao entrar na corrente sanguínea.

Dessa forma, os pares tribológicos mais utilizados na atualidade são:

  • Cabeça de cerâmica e liner de cerâmica
  • Cabeça de cerâmica e liner de polietileno cross-linked
Dr. Felipe Bessa
Na primeira imagem vemos os componentes de uma prótese de quadril, sendo eles de cima para baixo: taça acetabular (encaixada na bacia); liner de cerâmica; cabeça de cerâmica; haste femoral (encaixada no fêmur). Na segunda imagem vemos os componentes encaixados entre si, porém com a diferença de ser o liner de polietileno cross-linked (componente branco, onde a cabeça do fêmur está encaixada).

A primeira opção é a que apresenta o menor desgaste, tendo portanto a maior durabilidade entre as próteses. Entretanto, ela apresenta duas potenciais complicações, não vistas na segunda opção, que são a fratura da cerâmica e o squeking, uma espécie de rangido audível ao se movimentar a prótese.

Com isso, reservamos o uso de próteses com par tribológico cabeça de cerâmica e liner de cerâmica para pacientes jovens, nos quais a durabilidade é a prioridade, onde vale a pena correr o risco dessas 2 complicações. É importante salientar que o risco de ocorrer fratura da cerâmica ou squeaking é muito baixo, principalmente com as cerâmicas de segunda geração, que são as utilizadas nos dias de hoje.

Para pacientes que não sejam tão jovens (não existe uma idade de corte para definir esses pacientes, mas algo em torno de 40 anos é o usual), utiliza-se o par tribológico cabeça de cerâmica e liner de polietileno cross-linked, com o qual se obtém uma ótima durabilidade (porém um pouco menor do que com cerâmica x cerâmica) e não há o risco de fratura da cerâmica ou rangido na prótese.

Casos especiais

Apesar das próteses acima citadas atenderam grande parte das patologias de quadril, alguns casos especiais necessitam de próteses específicas. Alguns exemplos são:

  • Pacientes que apresentam uma chance elevada de luxação da prótese, como pacientes com desvios na coluna ou com doenças neurológicas que gerem fraqueza nos membros inferiores, se beneficiam com o uso de próteses que diminuem a chance de luxação, que são as próteses constritas ou de dupla-mobilidade.
  • Pacientes com sequela de displasia de quadril, muitas vezes apresentam ossos pequenos, e podem necessitar de próteses menores do que as usuais, para que se consiga colocar os componentes das próteses dentro do fêmur e da bacia.
  • Pacientes com ossos defeitos ósseos, como por exemplo os que já passaram por uma cirurgia prévia no quadril podem necessitar de implantes específicos, como haste modulares, para que se consiga uma boa fixação da prótese no osso.
Qual é a melhor prótese de quadril? | Dr. Felipe Bessa
RX mostrando uma prótese modular de revisão com componente constrito. O componente modular é para compensar defeitos ósseos no fêmur e o componente constrito para evitar luxação da prótese.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
OrthoInfo
Mayo Clinic 
The Adult Hip – Hip Arthroplasty Surgery – Callaghan, Rosenberg, Rubash

FAQ

1. Do que é feita a prótese de quadril?

A prótese de quadril tem alguns componentes, e cada um deles é feito de materiais diferentes. Os componentes que vão dentro da bacia e do fêmur são geralmente feitos de titânio. A cabeça da prótese é feita de uma liga metálica de alumina e zircônio, chamada de cerâmica, que é encaixada em uma peça dentro do componente da bacia, feito de polietileno (uma espécie de plástico muito resistente) ou de cerâmica.

2. Qual o melhor tipo de prótese de quadril?

Existem alguns tipos de prótese de quadril, e cada um é mais indicado para determinados pacientes ou patologias. A prótese cerâmica x cerâmica é indicada para pacientes jovens, por ser a que tem a maior durabilidade. Já a prótese cerâmica x polietileno é indicada para pacientes idosos e de meia idade.

3. Quanto tempo dura uma prótese de quadril?

Na grande maioria dos casos, quando a cirurgia é bem executada e não há um desgaste acentuado da prótese, ela pode durar cerca de 20 anos com os implantes mais modernos; raros são os casos que duram mais que esse período. Entretanto, atividades físicas intensas podem aumentar o desgaste da prótese, diminuindo assim sua durabilidade.

4. Quais movimentos devem ser evitados na artroplastia de quadril?

Com as próteses e técnicas cirúrgicas mais modernas, a preocupação com os movimentos a serem evitados após a prótese de quadril diminuiu muito, pois elas apresentam uma grande estabilidade. Entretanto, como via de regra, devem ser evitados movimentos muito amplos, principalmente com muita flexão do quadril associada a adução e rotação interna dessa articulação.

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