A prótese de quadril é uma das cirurgias mais bem sucedidas de toda a Medicina,…
Rejeição da Prótese de Quadril: Sinais e tratamentos
O termo “rejeição de prótese” é frequentemente utilizado para se referir a uma infecção ou complicação pós-operatória na prótese. Geralmente, existem sinais associados à essa condição que devem ser um alerta para os pacientes. Neste artigo, você entenderá os sintomas que indicam uma infecção crônica ou aguda, como é feito o diagnóstico e o tratamento dessa condição.

O que é a rejeição da prótese?
O termo “rejeição da prótese” é um termo incorreto, comumente utilizado tanto por pacientes quanto por profissionais da saúde, para indicar uma complicação na prótese, seja de quadril ou joelho.
A complicação a que o termo “rejeição” se refere é, na verdade, uma infecção pós-operatória, condição na qual a prótese, seja de quadril ou joelho, é contaminada por bactérias, que começam a se proliferar ao redor dela.
Quais os sinais da rejeição da prótese de quadril?
Quando existe uma infecção na prótese de quadril (também chamada de prótese de fêmur), diversos sinais e sintomas podem ser observados e percebidos pelo paciente. No entanto, eles dependem principalmente do tipo de infecção, se é aguda ou crônica.
Sinais de infecção aguda na prótese do quadril
As infecções agudas são as recentes, ou seja, quando a cirurgia de implante de prótese de fêmur foi realizada há menos de 4 semanas. Na infecção pós-operatória aguda, os principais sinais são:
- Saída de pus pela ferida operatória: este é o maior sinal de que pode estar ocorrendo uma infecção aguda na prótese de quadril. Neste caso, o paciente pode perceber a presença de uma secreção esbranquiçada/turva, saindo continuamente pela ferida (que acaba não cicatrizando), principalmente ao se fazer uma expressão da ferida. Além disso, o curativo está constantemente sujo, o que não deve acontecer após os primeiros dias da cirurgia. É importante que o médico saiba diferenciar pus de seroma, que costuma ser mais claro, e é oriundo do tecido gorduroso do paciente.
- Vermelhidão ao redor da ferida operatória: em boa parte dos pacientes submetidos à prótese de fêmur, pode-se observar uma vermelhidão ao redor da ferida. Este pode ser um sinal de infecção a depender da intensidade do vermelho ou do tamanho da área acometida, que quanto mais forte e maior for, maiores são as chances.
- Calor ao redor da ferida: da mesma forma que a vermelhidão, um pouco de calor é normal. Mas o aumento significativo de temperatura ao redor da ferida também pode ser um indicativo de infecção na prótese, superficial ou profunda.
- Dor no local da cirurgia: esse sintoma não costuma ser muito comum em infecções agudas (recentes), mas uma dor persistente nas primeiras semanas da cirurgia pode indicar uma infecção pós-operatória
- Febre: também não é muito comum em infecção na prótese e, portanto, não se deve utilizar a ausência de febre para descartar a presença de infecção.
Sinais de infecção crônica na prótese do quadril
Na infecção crônica na prótese de quadril, que ocorre quando a cirurgia foi realizada há mais de 4 semanas, os principais sinais e sintomas são:
- Dor persistente: essa dor após a implantação da prótese de quadril pode ser uma dor contínua, desde o momento em que o paciente fez a cirurgia, ou pode começar semanas, meses ou até anos após a operação, sendo que o paciente ficou sem dor no quadril operado por um bom período de tempo. Neste caso, esse é o principal sintoma que deve alertar o médico acerca de uma possível rejeição da prótese de fêmur. A dor causa dificuldade para o paciente andar ou mobilizar o quadril operado.
- Saída de pus por uma fístula: como é uma infecção que se manifesta após mais de um mês de cirurgia da prótese de quadril, nesse período já houve a cicatrização da ferida. Dessa forma, surge uma fístula, que é um pequeno orifício na pele, geralmente sobre a cicatriz, que se comunica com a prótese, fazendo com que o pus ao redor dela possa ser expelido. Este é um sinal que confirma a presença de infecção na prótese.
Como confirma-se a infecção na prótese de quadril?
Exceto quando existe a saída inquestionável de pus pela ferida operatória ou por uma fístula, os outros sinais são indícios de infecção, mas não confirmam essa hipótese diagnóstica.
Dessa forma, a rejeição da prótese deve ser confirmada ou afastada com a realização de exames, sendo os principais deles:
Exames de sangue
- Provas inflamatórias: as principais são o VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C-reativa). Quando seus valores estão consideravelmente aumentados, fortalecem a hipótese de infecção pós-operatória na prótese;
- Hemograma: o exame faz a contagem das células do nosso sangue. Um aumento nos leucócitos (células de defesa do nosso organismo), também fala a favor de infecção. Entretanto, estas células costumam aumentar com menor frequência do que as provas inflamatórias.
Exames de imagem
- Raio-X: nas infecções agudas, o RX não tem nenhum valor. Entretanto, nas infecções crônicas, a radiografia pode evidenciar alterações clássicas, principalmente a soltura da prótese do osso do paciente. Visualiza-se a alteração com a presença de uma linha escura ao redor de um ou dos dois componentes da prótese de quadril, o da bacia e o do fêmur;

- Tomografia Computadorizada: A TC evidencia a presença de pus ao redor da prótese, nas regiões profundas do quadril, que não pode ser verificado com RX ou exame físico;
- Ressonância Magnética: também pode mostrar a presença de coleções (pus) no quadril, além de apontar a possível soltura da prótese;

- Cintilografia Esquelética: Realiza-se este exame com a injeção de um radiofármaco (substância radioativa, porém de baixíssima radiação, sem riscos para o ser humano nas quantidades injetadas) na circulação sanguínea. Depois, faz-se uma imagem corporal do paciente, em que o aumento da concentração do radiofármaco ao redor da prótese de fêmur pode significar uma infecção.
Análise do líquido sinovial
Este é o exame mais importante para confirmar ou excluir a presença de infecção na prótese do quadril. Ele é realizado com a punção (aspiração) do líquido que fica ao redor da prótese, que é encaminhado a um laboratório para a análise da quantidade absoluta e relativa das células, pH, glicose entre outros fatores, além do crescimento ou não de bactérias no líquido (exame chamado de cultura). Faz-se a punção do líquido sinovial geralmente no Centro Cirúrgico, para maior conforto e segurança do paciente.

Como é o tratamento para a rejeição da prótese de quadril?
O médico deve planejar e iniciar o tratamento assim que confirma a presença de infecção na prótese de fêmur, identificada pela presença de pus ou pelos exames mencionados.
Tratamento de infecções agudas da prótese
Tratam-se as infecções agudas com cirurgia, apenas para limpeza da infecção, sem necessidade de retirada da prótese. Além disso, faz-se coleta de alguns tecidos ao redor da prótese de quadril ou joelho para identificar qual bactéria foi responsável pela infecção e, assim, utilizar os antibióticos corretos para combatê-la.
Tratamento de infecções crônicas da prótese
Nas infecções que foram diagnosticadas após esse período de 4 semanas, há a formação do chamado biofilme ao redor da prótese, que é uma camada de bactérias fortemente aderida à prótese, fazendo com que apenas a limpeza da prótese e do quadril não seja suficiente. Dessa maneira, é necessário fazer a remoção da prótese implantada e substituí-la por outra. É possível implantar uma nova prótese no mesmo tempo cirúrgico da remoção da outra, mas existe um risco considerável de uma nova infecção, devido a possibilidade de bactérias remanescentes no local.
Prótese provisória revestida com antibióticos
Eu e a grande maioria dos cirurgiões de quadril preferimos retirar a prótese infectada e instalar uma prótese provisória revestida com antibióticos. Esta prótese libera antibióticos no local da cirurgia, auxiliando no combate à infecção, geralmente por um período de 6 semanas.
Nesse período, o médico administrará ao paciente antibióticos adequados, por via oral ou venosa, para eliminar completamente as bactérias e o acompanhará com exames clínicos e de sangue.
Os cirurgiões podem implementar próteses provisórias com antibióticos de forma que permitam ao paciente andar e mobilizar o quadril sem dor, evitando a necessidade de repouso total até a colocação de uma nova prótese. Após ter certeza de que a infecção foi erradicada, realiza-se uma nova cirurgia para retirada da prótese provisória e colocação de uma prótese definitiva.

Infectologistas, especialistas em infecções, conduzem o acompanhamento em conjunto durante todo o processo para identificar o antibiótico adequado e determinar a duração do tratamento.
O que causa a rejeição da prótese de quadril?
Bactérias podem contaminar e se proliferar em qualquer cirurgia, já que é uma situação onde ocorre o corte da pele. Sendo assim, o sistema imunológico do nosso organismo é responsável por combater as bactérias, mas existem situações que deixam o sistema imune enfraquecido, favorecendo a ocorrência de infecções, principalmente após uma cirurgia.
Os principais fatores de risco para a infecção na prótese são:
- Diabetes mellitus descontrolada;
- Tabagismo;
- Uso de medicações imunossupressoras, como corticóides ou imunobiológicos, muito utilizados por pacientes portadores de doenças reumatológicas ou pacientes transplantados;
- Obesidade;
- Infecção pelo HIV.
Além disso, cirurgias prévias ou infecções anteriores no quadril que será submetido a prótese também favorecem a ocorrência de infecção.
Cuidados antes da implantação da prótese de quadril
É importante que pacientes que estão se preparando para uma cirurgia de prótese de quadril atuem nesses fatores de risco durante o pré-operatório. Portanto, alguns dos cuidados essenciais são:
- Tratamento adequado da diabetes;
- Cessação de tabagismo;
- Controle de peso;
- Uso minimizado de imunossupressores.
O médico especialista em cirurgia do quadril deve aconselhar o paciente sobre o risco aumentado de infecção após a cirurgia quando não se pode controlar os fatores de risco, como em situações de cirurgias anteriores ou infecção prévia no quadril.
No entanto, a boa notícia é que na população saudável, a infecção na prótese é rara, ocorrendo em torno de 0,5 a 1% dos casos.
Caso você queira saber mais sobre os cuidados pré-operatórios, leia também este artigo.
Como pode-se prevenir a rejeição da prótese?
Além do controle dos fatores de risco como vimos acima, devem-se adotar outras estratégias, tanto o médico quanto o paciente, para evitar a rejeição da prótese, sendo as principais:
- Utilização dos antibióticos adequados e pelo período preconizado;
- Esterilização adequada das próteses e dos instrumentos utilizados na cirurgia;
- Banhos com sabonete degermante nos dias que antecedem a cirurgia, para reduzir a flora bacteriana da pele;
- Cuidados adequados durante a cirurgia para reduzir a colonização por bactérias;
- Utilização de curativos impregnados com prata após a cirurgia, que reduzem a proliferação bacteriana;
- Boa assepsia no cuidado com a ferida operatória, até a cicatrização completa da mesma.

Dessa forma, é possível reduzir ainda mais a incidência da rejeição da prótese de quadril, fazendo com que os pacientes possam ficar tranquilos em relação a essa cirurgia, que já beneficiou e continua beneficiando milhões de pacientes ao redor do mundo!
Ressaltando ainda que os cuidados pós-operatórios são indispensáveis para garantir uma boa cicatrização da cirurgia de prótese de quadril. Neste artigo, você consegue aprender detalhadamente sobre a melhor forma de guiar a recuperação.
Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. Portanto, caso note a presença de um ou mais sinais apontados neste artigo, busque um médico especialista em quadril o quanto antes.
Consulte um especialista em quadril
ReferênciasSociedade Brasileira de Quadril
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Mayo Clinic
OrthoInfo
FAQ
1. Como saber se meu corpo está rejeitando a prótese de quadril?
Utilizam-se materiais inertes ao organismo para fabricação das próteses, ou seja, que o nosso corpo não rejeita. Entretanto, o que pode acontecer é uma infecção por bactérias. Caso isso aconteça, o principal sinal é a saída de pus pela ferida. Além disso, outros sintomas como dor, aumento de temperatura e vermelhidão podem aparecer no local da cirurgia.
2. Quais complicações podem ocorrer após a colocação de uma prótese de quadril?
Algumas complicações que podem ocorrer após a prótese de quadril são infecção, lesão de nervo, sangramento, trombose e luxação (deslocamento da prótese). Entretanto, com os cuidados adequados antes, durante e após a cirurgia, pode-se reduzir significativamente a ocorrência dessas infecções.
3. Como saber se a prótese está infectada?
No caso de uma infecção aguda, ou seja, recente, geralmente há saída de pus pela ferida operatória. Além disso, pode haver calor e vermelhidão ao redor da ferida.
No caso de uma infecção crônica, ou seja, com mais de um mês de cirurgia, pode haver a saída de pus por uma fístula (orifício que o corpo cria para expelir o pus, já que a ferida já cicatrizou). Entretanto, em infecções crônicas, nem sempre há saída de pus, e o principal sintoma geralmente é a dor, necessitando assim de exames para confirmar ou afastar a hipótese de infecção.
4. É normal sentir dor depois da cirurgia do fêmur?
Após a realização de uma cirurgia no fêmur, em especial a prótese, é normal a dor nos primeiros dias ou semanas, tendo em vista o porte da cirurgia. Entretanto, não é normal a presença de uma dor intensa, que persiste por tempo prolongado, e causa limitações importantes ao paciente. Portanto, deve-se identificá-la.
Algumas causas da dor após a cirurgia do fêmur são infecção, tendinite e soltura da prótese. Assim, deve-se avaliar cada uma e tratar cada uma individualmente.
