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Revisão de prótese de quadril

O que é?

Revisão de prótese de quadril é a cirurgia na qual um ou mais componentes da prótese de quadril são trocados por implantes novos, para corrigir algum problema com a prótese atual.

Dessa forma, a segunda cirurgia em diante em um quadril com prótese é chamada de revisão de prótese de quadril. Esse procedimento é chamado em uma linguagem menos técnica de troca de prótese de quadril

Quando a revisão de prótese de quadril é indicada?

Diversas são as indicações para revisão de prótese. As principais são:

Soltura asséptica

Para que a prótese de quadril apresente um bom resultado, ou seja, promova alívio de dor e uma boa funcionalidade ao quadril operado, os implantes da prótese, tanto o que é colocado no fêmur (haste femoral), quanto o que é colocado na bacia (taça acetabular), devem estar bem fixos ao osso do paciente, seja com uma camada de cimento entre o osso e o implante, seja por uma fixação biológica entre o osso e a prótese, chamada de osteointegração, processo no qual o osso cresce e adentra microporos ao redor da prótese.

Com o passar dos anos após a realização da prótese de quadril, um ou os dois componentes podem apresentar uma perda da fixação ao osso, chamada de soltura. No caso de soltura sem relação com infecção, essa soltura é chamada de soltura asséptica.

Com os implantes mais modernos, esse processo leva em média 20 anos para acontecer, mas com próteses mais antigas, a soltura ocorria bem antes disso, muitas vezes após 8 a 10 anos após a primeira cirurgia.

Quando isso ocorre, o paciente passa a apresentar dor ao andar ou mobilizar o quadril, necessitando de uma nova cirurgia para troca da prótese.

Revisão de Prótese de Quadril | Dr. Felipe Bessa
RX mostrando uma prótese de quadril com soltura tanto na bacia quanto no fêmur, evidenciada por uma linha escura ao redor dos componentes da prótese, nesse caso, entre o cimento e o osso. Tal condição necessita de cirurgia para troca da prótese.

Caso a revisão demore para ser feita, a soltura começa a causar uma perda de osso no quadril, fazendo com que a cirurgia de revisão fique mais difícil e complexa, uma vez que é a boa qualidade óssea que garante a adequada fixação da prótese ao osso.

O grau de perda óssea no quadril foi classificado por um cirurgião americano chamado Dr. Wayne Paprosky. Sua classificação é utilizada mundialmente para orientar o tipo de cirurgia e de prótese que deve ser utilizado em cada caso.

Dr. Paprosky além de ter criado a classificação que leva o seu nome, criou algumas técnicas para revisão de prótese de quadril e desenvolveu e até hoje desenvolve materiais e próteses de quadril para cirurgias complexas, em conjunto com empresas fabricantes de próteses.

Revisão de prótese de quadril | Dr. Felipe Bessa
Figura ilustrando a Classificação de Paprosky para perdas ósseas femorais, utilizada por cirurgiões do mundo todo para o planejamento operatório. Tive o privilégio de acompanha-lo por um mês, onde aprendi muito sobre suas técnicas cirúrgicas para revisão de prótese de quadril.

Soltura séptica

Uma infecção na prótese de quadril pode causar o processo de soltura descrito acima de forma precoce, ou seja, bem antes dos 20 anos após a colocação da prótese.

Esse processo ocorre por conta da contaminação da prótese por bactérias, seja no momento da cirurgia ou após a sua realização. Ao longo do tempo, as bactérias podem lentamente degradar o osso que fixa a prótese, causando a soltura.

O paciente geralmente apresenta dor no quadril, pior ao deambular. Pode apresentar sintomas de infecção, tais como febre, vermelhidão e saída de secreção pelo quadril, mas muitas vezes o quadro é leve e pouco perceptível.

Dessa forma é importante o Especialista em Quadril estar atento à essa possibilidade, e no caso de suspeitar de infecção, pedir os exames necessários, tais como exames de sangue, RX, Ressonância Magnética e análise do líquido sinovial do quadril após sua punção (aspiração do líquido realizada com uma agulha).

No caso de soltura séptica confirmada, seja pelo quadro clínico, seja pelos resultados dos exames, a revisão de prótese de quadril deve ser realizada. Nesse caso ela é geralmente realizada em 2 tempos, ou seja, 2 cirurgias com um intervalo mínimo de 6 semanas entre elas.

Na primeira cirurgia, a prótese infectada é retirada e substituída por uma prótese provisória, chamada de espaçador, que libera antibiótico no quadril, para auxiliar a combater as bactérias. Nesse período o paciente também recebe antibióticos por boca ou na veia.

Espaçador com antibiótico pré-fabricado | Dr. Felipe Bessa
Primeira imagem mostra uma opção de espaçador com antibiótico pré-fabricado. A segunda imagem é o RX de um espaçador feito com prótese e cimento com antibiótico, minha preferência, pois permite maior mobilidade e funcionalidade ao quadril, até que a cirurgia definitiva seja realizada.

A partir de 6 semanas, caso a infecção esteja resolvida, o que é avaliado pelo aspecto clínico do quadril e por exames laboratoriais, uma nova cirurgia é realizada, para a retirada do espaçador e colocação de uma nova prótese de quadril, de forma definitiva.

Todo esse processo é realizado com o acompanhamento conjunto de Infectologistas, especialistas em infecções no corpo humano.

Felizmente, nos dias atuais, as infecções em prótese de quadril não são frequentes, sendo revisões por soltura séptica raramente realizadas.

Desgaste do polietileno

O polietileno é um dos componentes da prótese de quadril. Ele é uma espécie de plástico, que articula com a cabeça da prótese, e é a parte da prótese que pode desgastar. Polietilenos antigos, apresentavam desgaste rápido, fazendo com que próteses antigas necessitassem dessa cirurgia com maior frequência.

Essa condição é visualizada no RX. Dessa forma, é importante que o paciente que tem prótese de quadril passe em consulta uma vez por ano com RX, para que essa condição seja avaliada.

Prótese sem e com desgaste do polietileno | Dr. Felipe Bessa
Primeiro RX mostra prótese sem desgaste do polietileno, evidenciado pela simetria da parte acima e abaixo da cabeça da prótese. O segundo RX mostra um polietileno com desgaste, evidenciado pela assimetria entre as duas partes.

Entretanto, nos dias atuais, a tecnologia do polietileno se desenvolveu muito, promovendo uma grande durabilidade desse material, fazendo com que essa cirurgia seja raramente realizada com as próteses mais modernas.

Luxação recidivante

Esse termo se refere aos casos em que há um deslocamento da prótese de quadril, ou seja, há um desacoplamento entre o componente do fêmur e o componente da bacia. Tal evento causa dor no paciente e o impede de mobilizar o quadril ou andar. Na ocorrência de luxação, o paciente deve ser sedado e ter a prótese colocada no lugar, tracionando-se a perna, sem a necessidade de cirurgia.

Imagem evidenciando uma prótese de quadril luxada | Dr. Felipe Bessa
Imagem evidenciando uma prótese de quadril luxada. A seta vermelha indica a cabeça da prótese. A seta preta indica a taça acetabular. O círculo azul indica onde a cabeça deveria estar encaixada na taça. A terceira imagem mostra a prótese no lugar, após manobra de redução.

Entretanto, no caso de tal evento acontecer de forma repetida, a revisão de prótese de quadril deve ser realizada, com o ajuste da posição de um ou dos dois componentes da prótese, além da utilização de prótese especiais, que diminuem a ocorrência da luxação, tais como componentes constritos ou dupla-mobilidade.

Felizmente, nos dias atuais esse evento também é raro, uma vez que as próteses mais modernas são mais estáveis, por apresentarem uma cabeça maior. Além disso, a realização da prótese de quadril por via anterior promove uma maior estabilidade à prótese, por não lesar a musculatura do quadril, sendo portanto uma excelente técnica para evitar deslocamento da prótese.

Como é feita a cirurgia para revisão da prótese de quadril?

A revisão de prótese de quadril pode ser uma cirurgia relativamente simples, como por exemplo apenas para troca do componente de polietileno que apresenta desgaste, ou uma cirurgia mais complexa, em casos que há necessidade de troca de componentes metálicos que apresentam soltura do acetábulo e/ou do fêmur.

Nos casos de soltura da prótese, a prótese antiga é retirada e substituída por uma nova prótese, geralmente de maior tamanho do que a primeira prótese, para que se fixe ao osso ainda intacto no quadril.

Em casos com falhas ósseas significativas, pode-se utilizar enxertos ósseos sintéticos ou de banco de osso.

Com o advento de materiais mais modernos, tais como próteses revestidas com metal trabecular (tântalo ou titânio), que tem uma grande capacidade de fixação mesmo em osso de baixa qualidade, essa cirurgia apresenta resultados melhores do que apresentou no passado, promovendo maior durabilidade e estabilidade da prótese.

Prótese de Revisão de Quadril | Dr. Felipe Bessa
Prótese de revisão de quadril utilizada para tratar paciente que apresentou soltura de prótese de quadril realizada no passado. Implantes de metal trabecular utilizados em revisões de prótese com grandes falhas ósseas.

Como é a recuperação da revisão de prótese de quadril?

Nos casos em que a cirurgia é mais simples, apenas para troca do componente de polietileno, por exemplo, o paciente está apto para andar, inclusive sem apoios de marcha (muletas ou andador) no dia seguinte à cirurgia.

Em casos mais complexos, o paciente pode necessitar de muletas ou andador para caminhar, ou mesmo ficar algumas semanas sem apoiar o membro operado no chão, para que haja uma adequada integração do novo implante no quadril operado, a depender da qualidade óssea do paciente.

O paciente realiza Fisioterapia para auxiliar no fortalecimento muscular e capacidade de deambular, além de ser acompanhado com radiografias e exames de sangue quando necessário.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
The Adult Hip – Hip Arthroplasty Surgery – Callaghan, Rosenberg, Rubash
Técnicas de Revisão de Artroplastia do Quadril – Scuderi
OrthoInfo

FAQ

1. Quais os riscos da artroplastia de quadril?

Os principais riscos da artroplastia (prótese) de quadril são infecção, trombose, lesão neurológica, luxação e soltura da prótese. Entretanto, com uma técnica adequadamente realizada, uso de implantes modernos, medicações corretas e realização de um procedimento estéril, essas complicações têm seu risco diminuído e são infrequentemente vistas atualmente.

2. Como saber se a prótese de quadril deslocou?

O principal sintoma da luxação da prótese de quadril (situação em que há um deslocamento entre a parte do fêmur e a parte da bacia da prótese) é uma dor súbita na região do quadril, que ocorre principalmente após um movimento brusco ou uma queda. O RX confirma tal situação. O paciente deve ser sedado para que a prótese seja reduzida (colocada no lugar). Casos de luxação recorrente necessitam ser submetidos a revisão (troca) da prótese.

3. Quais os sintomas de rejeição de prótese de quadril?

O termo rejeição é incorreto; o correto é dizer infecção de prótese de quadril, que ocorre quando bactérias se proliferam ao redor da prótese. Os sintomas da rejeição são calor, vermelhidão e dor ao redor da prótese, que podem estar acompanhados de febre e saída de secreção (pus) pelo quadril. A confirmação é feita com exames de sangue, imagem e análise da secreção ou líquido ao redor da prótese. Casos de infecção em próteses feitas há mais de um mês, necessitam de revisão (troca) da prótese, além de uso de antibióticos.

4. Quais movimentos devem ser evitados na artroplastia de quadril?

Devem ser evitados movimentos com muita flexão do quadril, como sentar em poltronas ou assentos baixos, dobrar muito o quadril ou pegar objetos no chão, pois podem levar a luxação da prótese. Entretanto, técnicas minimamente invasivas, principalmente as que poupam a musculatura do quadril além de próteses mais modernas, diminuíram significativamente a ocorrência de luxação. Casos de luxação de repetição devem ser submetidos a revisão (troca) da prótese.

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