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Síndrome do Piriforme

O que é?

A Síndrome do Piriforme é uma patologia causada por uma compressão do nervo ciático na região profunda do glúteo, por conta de um encurtamento, hipertrofia, contratura ou uma variação anatômica do músculo piriforme.

Como o nervo ciático passa logo abaixo desse músculo, estando em íntima relação com ele, essas alterações na estrutura e comprimento do músculo, causam um pinçamento no nervo ciático.

Dor glútea profunda | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando o nervo ciático (amarelo) e seu trajeto sob o músculo piriforme (vermelho), na região posterior (de trás) do quadril. Um encurtamento ou contratura desse músculo pode levar a uma compressão do nervo, causando dor na região glútea.

Quais são os sintomas da Síndrome do Piriforme?

O principal sintoma da Síndrome do Piriforme é dor na região glútea profunda, ou seja, em uma das nádegas. Apenas a minoria dos casos afeta ambos os lados.

Essa dor pode ficar localizada na nádega, ou pode irradiar para a face posterior ou interna da coxa. Formigamento também pode estar presente nessas regiões.

Esse sintoma é exacerbado após longos períodos sentado ou em pé.

A dor não costuma ser limitante, mas como é uma patologia crônica, a persistência dos sintomas faz com que os pacientes procurem atendimento médico.

Diferentemente da compressão do nervo ciático na região da coluna lombar, por conta de uma hérnia de disco (link externo com artigo de Hérnia de Disco Lombar – Dr. Ricardo Teixeira), ou seja, uma compressão discogênica, que causa dor na região lombar que pode irradiar até os dedos do pé, a irradiação da dor da Síndrome do Piriforme, não costuma ir abaixo do joelho, sendo um importante sintoma para realizar o diagnóstico diferencial entre ambas as doenças.

Como a Síndrome do Piriforme é diagnosticada?

O diagnósico da Síndrome do Piriforme é complexo e depende de um conjunto de fatores.

Uma consulta realizada de forma precisa, com a obtenção de informações claras e objetivas, é essencial para a formulação dessa hipótese diagnóstica.

Além disso, um exame físico minucioso realizado pelo Especialista em Quadril, com testes gerais e específicos para essa patologia, é imprescindível para que informações importantes também sejam obtidas para o caso em questão.

E por último, a realização de exames de imagem complementares, finalizam a elucidação da patologia. Os principais exames realizados são:

  • Radiografias simples (RX): apesar se serem exames básicos, fornecem informações importantes sobre a anatomia óssea dos quadris, presença ou não de artrose ou deformidades ósseas e relação entre os diversos ossos dessa região. Entretanto, não mostra partes moles, como músculos, tendões e nervos.
    Síndrome do Piriforme |DR. Felipe Bessa
    RX de bacia mostrando os 2 quadris, anatomia óssea das cabeças femorais, acetábulo (região da bacia onde está encaixada a cabeça do fêmur) e transição da coluna lombar com a bacia.
  • Ressonância Magnética: um dos exames mais modernos da Medicina e vastamente utilizado na Ortopedia, ele mostra em detalhes a anatomia e possíveis alterações em músculos, tendões e outras partes moles dessa região, bem como possíveis inflamações nessas estruturas. No caso da Síndrome do Piriforme, pode evidenciar alterações como músculos bífidos, comprimindo o nervo ciático.
    Síndrome do Piriforme | Dr. Felipe Bessa
    Imagem de Ressonância Magnética evidenciando uma alteração anatômica no músculo piriforme a esquerda, responsável por uma compressão do nervo ciático nessa região, causando dor glútea.
  • Eletroneuromiografia: esse exame avalia a função dos nervos do nosso corpo, que por meio de eletrodos posicionados nos membros dos pacientes, capta a condução nervosa, tanto da sensibilidade quanto da força motora, sendo um importante teste para avaliar se há algum grau de comprometimento do nervo ciático.
    Avaliação a condução nervosa no membro inferior
    Imagem ilustrando o posicionamento dos eletrodos para avaliar a condução nervosa no membro inferior

Diagnósticos diferenciais da Síndrome do Piriforme

Nem sempre uma alteração do músculo piriforme é a causa de dor na região das nádegas. Outras alterações tais como encurtamento de outros músculos, bandas fibrosas, alterações anatômicas e até mesmo endometriose podem ser causas de compressões nervosas no espaço glúteo profundo.

Além disso, bursites, tendinites e o impacto ísquio-femoral, este último, um contato anormal entre o fêmur e a borda do ísquio (região do osso pélvico, sobre a qual nos sentamos), por conta de uma diminuição da distância entre esses dois ossos, também podem levar a dor na região dos glúteos.

Além disso, patologias na coluna lombar podem apresentar sintomas similares, e essa região deve ser também avaliada no caso de dor na nádega.

Dessa forma, é importante que o médico que avalia o paciente realize um exame físico global, para detectar alterações em outras estruturas além do músculo piriforme.

Como é o tratamento da Síndrome do Piriforme?

A Síndrome do Piriforme é tratada inicialmente de forma conservadora, com medicações analgésicas e anti-inflamatórias, mudanças de atividades físicas e cessação das atividades que desencadeiam a dor.

A Fisioterapia tem um papel essencial no tratamento, para analgesia, alongamento, reequilíbrio muscular, deslizamento neural e liberação miofascial (soltura muscular).

Caso o tratamento inicial não seja efetivo, podem ser realizadas infiltrações locais com analgésicos e até mesmo toxina botulínica para relaxamento da musculatura contraturada ou com hipertrofia.

Em último caso, é indicado o tratamento cirúrgico para liberação do nervo ciático (neurólise) ou ressecção de estruturas anômalas responsáveis pela compressão nervosa.

O tempo de tratamento costuma ser prolongado, com pelo menos 3 meses de uma boa terapia para que se observe a melhora dos sintomas.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Mayo Clinic
The Adult Hip – Hip Preservation Surgery – Clohisy, Beaulé, Della Valle
Hip Arthroscopy and Hip Joint Preservation Surgery – Nho, Leunig, Larson, Bedi, Kelly

FAQ

1. O que pode ser dor no glúteo?           
Dor no glúteo pode ser uma compressão do nervo ciático na região das nádegas; umas das causas é uma contratura ou encurtamento do músculo piriforme; entretanto outras condições podem causar do no glúteo, como patologias na coluna e no quadril. Uma avaliação com especialista deve ser feita para o diagnóstico e tratamento corretos.

2. Como tratar dor no músculo piriforme?

A dor no piriforme, chamada de Síndrome do Piriforme ou Dor Glútea Profunda é tratada inicialmente com repouso de atividades físicas, medicações analgésicas e Fisioterapia, para reequilíbrio muscular, analgesia e alongamento. Casos persistentes podem ser tratados com infiltrações locais. A cirurgia é reservada para casos refratários ao tratamento conservador.

3. Como saber se tenho a síndrome do piriforme?

A Síndrome do Piriforme é uma patologia causada por uma contratura ou encurtamento do músculo piriforme, ou mesmo uma variação anatômica do nervo ciático que passa próximo a esse músculo, condições que levam à compressão do nervo ciático. Seu principal sintoma é dor na região glútea. Deve ser avaliada por um especialista em Quadril, com realização de testes específicos e exames de imagem para confirmar ou excluir esse diagnóstico.

4. Qual anti-inflamatório para síndrome do piriforme?

A classe de anti-inflamatórios recomendada para tratar a síndrome do piriforme é a dos anti-inflamatórios não hormonais, como cetoprofeno, diclofenaco ou celecoxibe. Mas não devem ser tomados sem uma avaliação e prescrição médica de especialista em Quadril.

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