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Troca da prótese de quadril

A troca da prótese de quadril, cujo nome técnico é revisão da prótese de quadril ou revisão de artroplastia de quadril, é a cirurgia na qual um ou mais componentes da prótese são trocados. Dessa forma, as cirurgias subsequentes à primeira cirurgia de colocação de prótese de quadril são chamadas de troca da prótese.

As principais situações que exigem a troca da prótese de quadril serão explicadas a seguir.

Desgaste do polietileno da prótese

O liner de polietileno é um dos componentes da prótese de quadril. Ele é uma espécie de plástico de última geração, e é o componente que articula com a cabeça da prótese. Ao longo dos anos, existe um desgaste natural desse componente. Pode-se fazer uma analogia com um pneu de carro, que vai gastando até ficar “careca”, após muito tempo de uso.

Principais da prótese de quadril | Dr. Felipe Bessa
Imagem ilustrando os 4 componentes principais da prótese de quadril. Cup é a taça que é encaixada na bacia. Liner é o componente de polietileno (branco), encaixado dentro da taça. Head é a cabeça da prótese, que articula com o liner. Femoral stem (haste femoral) é o componente que vai dentro do fêmur. A imagem grande mostra os componentes acoplados, como se fosse no quadril de um paciente.

Quando é visualizado um desgaste do liner de polietileno, é preciso fazer uma cirurgia para trocá-lo. Se não houver outras alterações com a prótese, apenas ele é trocado, sendo uma cirurgia relativamente simples.

Situação requer a troca do liner da prótese de quadril | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem evidencia um liner de polietileno sem desgaste. A segunda imagem mostra o liner com desgaste importante, evidenciado pela assimetria no componente. Tal situação requer a troca desse liner.

Felizmente, nos dias atuais o polietileno está muito evoluído, devido a uma melhora no seu processo de fabricação, sendo chamado de cross-linked, e praticamente não apresenta desgaste, mesmo após muitos anos de uso.

Dessa forma, são raras as cirurgias de troca de polietileno com as próteses mais modernas.

Soltura asséptica da prótese

Conforme explicado acima, o liner de polietileno desgasta com o tempo. Nesse desgaste, ele solta debris (restos) de polietileno que “caem” próximos a prótese de quadril.

O nosso organismo enxerga esses debris como um material estranho, e envia células que englobam os debris para removê-los do quadril, como forma de defesa do nosso organismo.

Nesse processo de englobar os restos do polietileno, as células acabam englobando também um pouco de osso do quadril, onde a prótese está encaixada. Como a fixação da prótese, seja na bacia ou seja no fêmur, depende desse osso, com o passar do tempo, a prótese pode se soltar do osso, causando dor no paciente.

Soltura dos componentes acetabular e femoral da prótese | Dr. Felipe Bessa
RX evidenciando soltura dos componentes acetabular e femoral da prótese, nesse caso uma prótese cimentada.

Essa soltura pode acometer o componente do fêmur, da bacia ou de ambos.

Não é que a prótese vai se soltar por completo do quadril, mas ela fica com micromovimentos no osso, gerando dor no paciente, que fica impossibilitado de se apoiar na perna com a prótese, caminhar ou realizar outras atividades, e por isso o paciente necessita da troca da prótese para voltar a caminhar e melhorar de sua dor.

Esse tipo de soltura é chamado de asséptica, pois não tem relação com infecção por bactérias.

Soltura séptica da prótese

Nessa situação, existe uma infecção bacteriana na prótese, ou seja, bactérias contaminaram e se proliferaram ao redor da prótese. Isso, da mesma forma que os debris de polietileno, atrai células de nosso organismo, que na tentativa de combater as bactérias, englobam não apenas as bactérias, mas também o osso do quadril, fazendo com que a prótese perca sua fixação no osso.

Dessa forma, o paciente apresenta dor no quadril, principalmente ao caminhar, ficando muitas vezes impossibilitado de andar ou mesmo se apoiar na perna afetada.

Além da dor, o paciente pode apresentar sinais como vermelhidão e calor no quadril afetado, além de saída de secreção purulenta pela cicatriz, geralmente por um orifício chamado de fístula. Esse orifício é a comprovação de uma infecção na prótese de quadril.

A infecção na prótese é chamada erroneamente de rejeição. Esse termo é incorreto pois o material da prótese é inerte ao organismo, ou seja, não é rejeitado. Os sintomas são decorrentes da contaminação bacteriana.

Quando não existe a saída de secreção, a infecção deve ser avaliada com exames de sangue e análise do líquido ao redor da prótese, que irão confirmar ou afastar essa possibilidade.

Luxação recorrente da prótese

Luxação da prótese é a situação na qual há um desacoplamento/deslocamento da cabeça da prótese com o liner de polietileno, ou seja, quando a prótese “sai do lugar”.

Troca de Prótese de Quadril | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem é o RX de uma prótese que deslocou, ou seja, a cabeça da prótese saiu de dentro do componente acetabular. A segunda imagem aponta a taça acetabular com a seta preta, a cabeça da prótese com a seta vermelha e o círculo azul mostra onde a cabeça da prótese deveria estar.

Isso pode ocorrer como consequência de musculatura fraca no quadril, lesão neurológica, alterações na coluna lombar e principalmente mal posicionamento da prótese.

A luxação causa dor importante no paciente, além de uma deformidade na perna e incapacidade de apoiar o peso na perna e mobilizar o quadril.

O paciente deve ser levado ao hospital imediatamente, para que a prótese seja colocada no lugar, manobra chamada de redução.

Se for o primeiro episódio de luxação, medidas de segurança como evitar movimentos extremos ou sentar em locais baixos e o uso de órtese no quadril auxiliam para evitar que essa situação ocorra novamente.

Luxação do Quadril | Dr. Felipe Bessa
Cadeira higiênica e órtese de abdução de quadril, que podem auxiliar a evitar novos episódios de luxação.

Entretanto, em casos de repetição, o paciente deve ser submetido a troca da prótese, seja para correção do seu posicionamento, ou para a colocação de tipos específicos de componentes, como liner constrito ou dupla-mobilidade, que aumentam a estabilidade da prótese, evitando novas luxações.

Troca da Prótese de Quadril por repetição de luxação | Dr. Felipe Bessa
A primeira imagem mostra um liner constrito, no qual encaixa-se um anel metálico que prende a cabeça da prótese, evitando sua luxação. A segunda imagem mostra um componente dupla-mobilidade, que por aumentar o tamanho da cabeça e ter uma dupla articulação, também é mais estável do que cabeças de prótese convencionais.

Fratura periprotética

Fratura periprotética é quando um paciente portador de prótese de quadril apresenta uma fratura na bacia ou no fêmur, onde a prótese está encaixada.

Essa situação é incomum, e geralmente ocorre após queda em pacientes com má qualidade óssea, seja por osteoporose ou pelo processo de soltura da prótese.

Fraturas pequenas e que não afetam a fixação da prótese no osso podem ser tratadas sem cirurgia.

Entretanto, fraturas mais graves, que ocasionaram a perda da fixação da prótese no osso, necessitam de uma nova cirurgia, para troca da prótese de quadril e correção da fratura, pois é uma situação na qual o paciente apresenta muita dor e não consegue andar.

Fratura Periprotética | Dr.
RX evidenciando uma fratura periprotética, com perda da fixação da haste femoral no osso do fêmur.

Como é feito o diagnóstico de situações que exigem troca da prótese?

Todas as situações descritas acima são diagnosticadas com RX do quadril, que vai evidenciar o problema, exceto pela infecção, que além do RX, requer a realização de exames de sangue e análise do líquido sinovial (líquido que fica ao redor da prótese).

O RX evidencia o desgaste do polietileno, a soltura da prótese (seja séptica ou asséptica), a luxação da prótese e a fratura periprotética.

No caso da soltura é importante comparar RX iniciais com RX atuais, que podem mostrar uma alteração no posicionamento da prótese.

Apenas em alguns casos, é necessário realizar outros exames, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e cintilografia esquelética.

Como é a cirurgia de troca da prótese?

A troca da prótese tem por objetivo substituir o componente ou os componentes com problemas.

No caso do desgaste de polietileno, apenas esse componente é trocado, sem haver necessidade de retirar a taça acetabular da bacia ou a haste do fêmur.

Já no caso da soltura asséptica, o componente solto deve ser substituído por um de maior tamanho, uma vez que a soltura ocasionou uma perda óssea, que deve ser preenchida por um componente maior. Se tanto a taça acetabular quanto a haste femoral estiverem soltas, ambas devem ser substituídas.

Troca de Prótese | Dr. Felipe Bessa
RX mostrando uma troca de prótese, com colocação de haste de revisão, que tem o comprimento maior que as haste convencionais, para melhor fixação no osso. Também foi utilizado um liner constrito, para aumentar a estabilidade da prótese.

No caso da soltura séptica, ou seja, com uma infecção associada, toda a prótese deve ser removida, pois a infecção acomete todos os componentes da prótese.

No caso de uma infecção crônica, ou seja, com mais de um mês de realização da cirurgia, a prótese é substituída por uma prótese provisória, que irá auxiliar no combate à infecção, geralmente por 6 a 8 semanas, e então uma segunda cirurgia deve ser realizada, para remoção da prótese provisória, e colocação de uma prótese definitiva.

Prótese de Quadril provisória | Dr. Felipe Bessa
RX mostrando uma prótese provisória, utilizada para tratamento de infecção. Ela é revestida com cimento com antibiótico, que auxilia no combate à infecção.

No caso de luxações recorrentes, caso a prótese esteja mal posicionada, ela deve ser trocada por outra prótese, na posição correta. Caso a prótese esteja bem posicionada, e mesmo assim ela sai do lugar, devem ser utilizados componentes mais estáveis, como liner constrito ou dupla-mobilidade.

E no caso de fraturas ao redor da prótese, o componente que perdeu sua fixação deve ser substituído por um maior. No caso do fêmur, são associadas placas ou cabos para correção da fratura.

As boas notícias são que com técnicas mais modernas e próteses mais avançadas, tais complicações são cada vez menos frequentes, e quando ocorrem, temos disponíveis materiais adequados para a correção dos problemas, o que não ocorria alguns anos atrás.

Opções de implantes utilizados em trocas de prótese
Opções de implantes utilizados em trocas de prótese, que garantem uma boa fixação mesmo em ossos de má qualidade.

Como é a recuperação da troca de prótese?

Em cirurgias mais simples, como a troca do polietileno apenas, o paciente fica apenas um dia internado e pode andar já no dia seguinte da cirurgia.

Em cirurgias mais complexas, com necessidade de troca da taça acetabular e/ou da haste femoral, o paciente pode necessitar de mais dias internado.

Além disso, em situações com qualidade óssea muito ruim, o paciente pode necessitar de algumas semanas sem apoiar o pé no chão, para garantir uma melhor fixação da nova prótese no osso, pelo processo de osteointegração, que leva algumas semanas para ocorrer.

Em casos de infecção, além dos cuidados acima, o paciente irá receber antibiótico por semanas ou meses, para combater a infecção, e será acompanhado com exames de sangue.

Além disso, Fisioterapia para melhora da força muscular é realizada durante todo o processo de recuperação, que pode levar até 6 meses em casos mais complexos.

Medicações analgésicas são utilizadas enquanto o paciente apresentar dor, bem como o uso de anti-coagulantes, que é feito por 1 mês após a cirurgia.

Todo tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo
Mayo Clinic

FAQ

1. Quanto tempo dura a prótese de quadril?

Na média, podemos falar que a durabilidade das próteses de quadril mais modernas é de 20 anos. Entretanto, alguns estudos mais recentes, chegam a falar em 25 anos e até mesmo 30 anos, conforme estudo publicado em 2021. Entretanto, esse número sofre interferência de diversos fatores, tais como idade e nível de atividades físicas do paciente, além do material utilizado na prótese.

2. Quais os riscos da troca de prótese de quadril?

Assim como a prótese de quadril, a cirurgia de troca de prótese tem alguns riscos, tais como infecção, soltura ou luxação da prótese, lesão neurológica, sangramento e trombose. Entretanto, com uma técnica apurada, cuidados antes, durante e após a cirurgia e o uso dos materiais adequados, esses riscos são minimizados, fazendo com que a grande maioria dos pacientes tenha um bom resultado após a cirurgia.

3. Quando a prótese de quadril deve ser trocada?

A prótese de quadril deve ser trocada quando um ou mais dos seus componentes estão gastos ou soltos do osso do paciente. Nesses casos, o paciente apresenta dor, dificuldade ou incapacidade para andar ou realizar atividades básicas. Além disso, em casos de infecção ou de luxações recorrentes, a prótese também deve ser trocada por novos implantes, para que o problema em questão seja resolvido. Felizmente a ocorrência desses problemas é incomum com as técnicas e próteses mais modernas.

4. Quais complicações podem ocorrer após a prótese de quadril?

As principais complicações da prótese de quadril são infecção (chamada por algumas pessoas de rejeição), luxação (deslocamento da prótese) e trombose. Além dessas, outras complicações podem ocorrer, tais como soltura da prótese, dismetria e lesão neurológica. Com uma técnica bem feita e cuidados no pré e pós-operatório, essas complicações são minimizadas, fazendo com que atualmente essa cirurgia seja extremamente segura e com excelentes resultados aos pacientes.

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