A lesão do tendão do reto femoral em sua origem no quadril é uma das…
Tendinopatia e peritendinite insercional do glúteo médio e mínimo: devo me preocupar?
Os pacientes que leem o laudo de uma Ressonância Magnética de quadril podem se assustar com o termo “tendinopatia e peritendinite insercional do glúteo médio e mínimo”, muitas vezes citado nos laudos desse exame.
Esse termo diz respeito à uma inflamação nos tendões dos glúteos médio e mínimo, os tendões mais importantes do quadril.

Ao contrário do que muitos imaginam, esses tendões ficam na região lateral (de fora) do quadril e não na região da nádega. Na nádega fica o glúteo máximo, um tendão diferente e com funções diferentes.
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Principais funções dos tendões da região lateral e região das nádegas
As principais funções desses tendões são:
- eles são os principais abdutores do quadril, ou seja, fazem o movimento de abertura do quadril
- estabilizar a cabeça do fêmur dentro do acetábulo (cavidade da bacia na qual a cabeça do fêmur está encaixada)
- estabilizar a pelve quando ela está apoiada em apenas uma perna. Isso acontece porque em situações nas quais ficamos apoiados em apenas uma perna, mesmo que momentaneamente (quando caminhamos por exemplo), a pelve teria a tendência de “cair” para o lado não apoiado. Isso não acontece porque os tendões abdutores do quadril do lado apoiado “seguram” a pelve, evitando que ela caia para o lado não apoiado. Essa é provavelmente a função mais importante desses tendões.
Dessa forma, como eles exercem tais funções constantemente, eles podem ficar sobrecarregados, levando a uma inflamação.
Além disso, esses tendões, principalmente nas mulheres (que tem a pelve mais larga que nos homens), estão em contato muito próximo com uma camada de tecido chamada de trato iliotibial, que recobre a face lateral do quadril e coxa, gerando um atrito ou fricção constante nessa região.
Por esse motivo, nos laudos dos exames, frequentemente temos o termo “sinais de atrito entre o trato iliotibial e o trocanter maior” associado à tendinopatia.
Por essas razões (atuação constante dos tendões e atrito local), eles podem passar por um processo de inflamação que é a tendinopatia, junto da inflamação ao redor deles, que é a peritendinite.
Quais fatores aumentam o risco de desenvolvimento da tendinopatia dos glúteos médio e mínimo?
Entretanto, alguns fatores podem aumentar o risco do desenvolvimento da tendinopatia dos glúteos médio e mínimo, sendo eles:
- sedentarismo e falta de condicionamento muscular adequado
- sobrecarga por excesso de treinos
- obesidade
- diferença de comprimento dos membros
- traumas locais
- fatores genéticos
- doenças da coluna
Mulheres entre 40 e 60 anos de idade são as pessoas mais afetadas pela tendinopatia glútea.
Quais são os principais sintomas da tendinite de glúteos médio e mínimo?
Os principais sintomas apresentados pelos portadores da tendinopatia glútea são:
- dor na lateral do quadril, desencadeada por caminhadas, atividades físicas e subir e descer escadas
- dor na lateral do quadril ao se deitar de lado sobre o quadril afetado
- dor à palpação da região dolorosa
- dificuldade para caminhar
- claudicação (mancar)
- fraqueza no quadril

Perda de mobilidade no quadril, estalos e encurtamento da perna afetada não são sintomas dessa doença. Esses sintomas são frequentemente encontrados em pacientes portadores de artrose do quadril.
Como investigamos a tendinopatia e peritendinite insercional dos glúteos médio e mínimo?
O principal exame que detecta a tendinopatia insercional dos glúteos médio e mínimo é a Ressonância Magnética do quadril. O RX e a Tomografia Computadorizada não têm essa capacidade e o ultrassom pode dar resultados incorretos.

Isso porque muitas vezes a ressonância pode identificar essa alteração, mas ela pode ser assintomática e a causa da dor pode ser outra, tal como uma artrose do quadril, osteonecrose da cabeça do fêmur ou mesmo dor irradiada da coluna lombar, o que é extremamente frequente.
Como é o tratamento da tendinite do glúteo mínimo e médio?
Caso o paciente apresente dor aguda e intensa, podemos utilizar medicações analgésicas, anti-inflamatórias e até mesmo corticóides para amenizar a dor. Compressas locais também podem ajudar a reduzir a inflamação e a dor. Entretanto, esse não é o tratamento definitivo.
O primeiro passo é cessar momentaneamente as atividades físicas que desencadeiam a dor, principalmente as que envolvem impacto.
Fisioterapia
Em paralelo a isso iniciamos uma Fisioterapia, que tem o papel de desinflamar e promover analgesia nos tendões inflamados, além de fortalecer esses tendões, junto com a musculatura lombo-pélvica.

Esse tratamento melhora a grande maioria dos pacientes. Entretanto, alguns pacientes podem permanecer com dor. Nesses casos, podem ser feitas infiltrações nos tendões, com diferentes produtos, sendo eles:
- Corticóides: o mais comum para essa aplicação é a dexametasona. Ela promove uma desinflamação temporária do tendão, geralmente de 3 a 6 semanas. Não pode ser aplicada repetidamente, pois pode levar a uma degeneração tendínea. São preconizadas no máximo de 3 a 4 aplicações ao ano para evitar essa complicação.
- Proloterapia: é a aplicação local de glicose, que tem uma baixa capacidade de promover desinflamação e reparação tecidual; entretanto, é um tratamento barato e amplamente disponível.
- Biológicos: são substâncias obtidas do sangue do próprio paciente, seja o sangue das veias ou da medula óssea. O sangue é então preparado em uma centrífuga, que concentra as substâncias de interesse, como plaquetas ou células mesenquimais sinalizadoras, que liberam substâncias chamadas de fatores de crescimento e citocinas, que induzem uma imunomodulação e reparação tecidual. Tem uma capacidade muito maior do que a proloterapia de desinflamar e reparar o tecido lesado.

Essas infiltrações podem ser realizadas no próprio consultório médico, com anestesia local e auxílio do ultrassom, e pouco desconforto ao paciente, que não necessita de jejum ou sedação para fazer o procedimento, e pode retornar para suas atividades com restrições apenas para atividades físicas nos 3 primeiros dias após a infiltração.

Terapia por ondas de choque
Outra modalidade de tratamento que pode ser utilizada em casos refratários é a terapia por ondas de choque. Diferente do choque utilizado nas sessões de fisioterapia, o aparelho de ondas de choque emite ondas acústicas que penetram em camadas profundas do tecido, e tem um efeito de analgesia, desinflamação e reparação do tendão.
Geralmente, o médico realiza de 3 a 4 sessões, com duração de aproximadamente 10 a 15 minutos, no próprio consultório.

Quando a cirurgia para tendinopatia e peritendinite insercional dos glúteos médio e mínimo é indicada?
Cirurgias são reservadas apenas para pacientes que além da peritendinite e tendinopatia dos glúteos médio e mínimo, apresentam rupturas tendíneas e não melhoram com o tratamento acima descrito.
Nessa cirurgia, o cirurgião sutura o tendão rompido para que ele cicatrize adequadamente no osso e recupere suas funções.

Após a cirurgia, o paciente deve permanecer em repouso de atividades físicas ou mesmo Fisioterapia por 6 semanas, para que a cicatrização ocorra adequadamente, além de utilizar um imobilizador de quadril e andador nesse período.
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O Dr. Felipe Spinelli Bessa é um ortopedista especialista em Cirurgia do Quadril. Com as melhores especializações e sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), ele pode te ajudar!
Referências
Sociedade Brasileira de Quadril
OrthoInfo
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
FAQ
O que é tendinopatia e peritendinite dos glúteos médio e mínimo?
É uma inflamação dos tendões glúteos médio e mínimo, que ficam na região lateral do quadril e são os principais abdutores do quadril e estabilizadores da pelve. Costumam causar dor na lateral do quadril, que piora com longas caminhadas e ao se deitar de lado sobre o quadril doloroso.
Quem tem tendinite no glúteo pode fazer caminhada?
Em casos de dor muito intensa e aguda relacionada a tendinite do glúteo mínimo, preconizamos não realizar caminhadas, para evitar maior inflamação no tendão. Entretanto, em casos mais crônicos e com dor de leve intensidade, o paciente pode fazer caminhadas.
Como tratar tendinopatia e peritendinite dos glúteos médio e mínimo?
O tratamento se inicia com repouso de atividades mais intensas e que desencadeiam a dor. Além disso, podemos usar anti-inflamatórios, analgésicos e compressas locais para reduzir a dor e inflamação em casos mais intensos. Entretanto, o tratamento inicial mais direcionado é com a Fisioterapia. Quando a fisioterapia não traz melhora, tratamos o paciente com terapia por ondas de choque e/ou infiltrações.
Resumo
A tendinopatia e peritedinite dos glúteos médio e mínimo causa dor na lateral do quadril e é mais comum em mulheres. Seu tratamento é conservador na maioria dos casos.
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Tendinopatia e peritendinite
Glúteos médio e mínimo
Trato iliotibial
