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Tratamento da epicondilite lateral com PRP (plasma rico em plaquetas)
A epicondilite lateral do cotovelo, também chamada de cotovelo do tenista ou tennis elbow, é uma condição que afeta milhares de pessoas, causando limitações significativas aos pacientes.

Apesar de o nome ser cotovelo do tenista, nem todos os portadores dessa condição jogam tênis.
Eles podem ser praticantes de outras modalidades esportivas, como musculação, beach tennis e remo, ou mesmo pessoas que não fazem atividades físicas, mas executam movimentos repetidos ou com carga no seu dia a dia.
Quais os principais sintomas do cotovelo do tenista?
O sintoma mais característico que os portadores de epicondilite apresentam é dor na região lateral (de fora) do cotovelo ou parte de cima do antebraço, nas seguintes situações:
- Pegar/carregar objetos pesados
- Fazer movimentos de rotação/torção com a mão, punho ou cotovelo
- Exercitar bíceps e costas na academia
- Fazer pressão no local de dor
Como é feito o diagnóstico do tennis elbow?
Na grande maioria das vezes, o diagnóstico de tennis elbow é clínico, ou seja, com as informações obtidas da conversa com o paciente e do Exame Físico adequado.
Apenas em casos de dúvidas ou em casos refratários, solicitamos exames de imagem para a confirmação diagnóstica.
É possível visualizar as alterações com o ultrassom, mas o exame solicitado com maior frequência é a Ressonância Magnética do cotovelo, que além de proporcionar maior detalhes sobre a lesão, pode avaliar outras possíveis causas de dor nessa região.

Qual é a causa da epicondilite lateral do cotovelo?
Não existe uma única causa igual para todos os pacientes.
Na maioria das vezes, a sobrecarga nos tendões extensores causa essa patologia, principalmente devido à prática esportiva recorrente, intensa e/ou com técnica inadequada.
Além disso, movimentos repetitivos, como em trabalhadores manuais, gerando microtraumas de repetição, estão muito relacionados à epicondilite.
Por último, uma baixa capacidade de cicatrização/recuperação tendínea favorece o desenvolvimento dessa lesão, que é portanto uma combinação de inflamação e degeneração dos tendões acometidos.

Como é o tratamento da epicondilite lateral?
Iniciamos o tratamento com repouso/afastamento das atividades desencadeadoras de dor. Evitamos a suspensão total das atividades, mas reduzir frequência e cargas das atividades físicas é essencial na fase inicial.
Caso o paciente apresente dor intensa, podemos prescrever medicações analgésicas e anti-inflamatórias, mas o paciente não deve considerá-las como a cura do problema.
Além disso, Fisioterapia é essencial na fase inicial, para corrigir desequilíbrios musculares, promover analgesia e melhora funcional.

E quando o tratamento convencional não resolve a epicondilite?
Quando o tratamento acima não promove uma melhora adequada, podemos realizar uma infiltração na região dos tendões afetados.
Tradicionalmente, essa infiltração era feita com corticóides, medicações com ação anti-inflamatória. Esse tratamento não costuma aliviar a dor por tempo prolongado, uma vez que essas medicações não promovem uma adequada recuperação tecidual. Elas geram apenas uma desinflamação enquanto dura sua ação, por volta de algumas semanas.
Além disso, infiltrações recorrentes de corticóides podem causar mais degeneração nos tendões.
Recentemente, uma nova terapia foi autorizada no Brasil para o tratamento da epicondilite lateral. Ela faz parte da categoria de tratamentos chamados Medicina Regenerativa.
Estamos falando do PRP, sigla para Plasma Rico em Plaquetas. Esse produto é obtido do sangue do próprio paciente, seguido da preparação em uma centrífuga, que separa os glóbulos vermelhos, concentrando as plaquetas em uma pequena quantidade de plasma.
Esse produto, quando infiltrado em tecidos inflamados e degenerados, promove uma desinflamação e recuperação tecidual, por conta das citocinas e fatores de crescimento liberados pelas plaquetas.
Esse processo gera uma melhora de longo prazo, ao contrário da infiltração convencional com corticóide.
Realizamos essa infiltração no consultório médico, com auxílio do ultrassom, apenas com anestesia local, sem necessidade de sedação, e com desconforto tolerável pelo paciente.
Para a recuperação total, podem ser necessárias 1 a 3 infiltrações, com intervalo de 3 semanas entre cada uma delas. Após a infiltração é esperado ter dor moderada no local nos primeiros 3 a 7 dias, por conta da resposta inflamatória gerada pelas plaquetas.
A dor pode ser controlada com analgésicos, porém não com anti-inflamatórios. Além disso, recomendamos repouso de atividades físicas envolvendo membros superiores na primeira semana após a infiltração.
Após a melhora do quadro doloroso, o paciente pode ir retomando suas atividades gradualmente, com condicionamento muscular adequado e respeitando suas limitações.
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O Dr. Felipe Spinelli Bessa é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, com as melhores especializações na área. É membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ). Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
Referências
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo
American Society of Regenerative Medicine
FAQ
Por que a epicondilite lateral demora para melhorar?
A epicondilite lateral não é apenas uma inflamação nos tendões extensores no cotovelo. Ela cursa com uma degeneração desses tendões, que são tecidos pouco vascularizados, e portanto, com capacidade limitada de recuperação. Dessa forma, além do tratamento básico com medicações, repouso e Fisioterapia, alguns casos necessitam de tratamentos que ajudem no processo de recuperação tendínea, sendo o PRP (plasma rico em plaquetas), uma excelente opção nessa patologia.
O que é o PRP?
PRP é a sigla para Plasma Rico em Plaquetas. Esse é um produto obtido do sangue do próprio paciente. O sangue é preparado em em centrífuga, aparelho portátil que faz centenas de rotações por minuto, promovendo uma separação do plasma que contém as plaquetas, das hemácias (glóbulos vermelhos). Esse plasma com alta concentração de plaquetas, quando infiltrado em um tecido inflamado ou com degeneração (desgaste), pode auxiliar no processo de desinflamação e cicatrização.
Como é a aplicação do PRP no cotovelo do tenista?
Após o preparo do PRP, oriundo do sangue do próprio paciente, o plasma rico em plaquetas é infiltrado na região dos tendões extensores, que apresentam inflamação e degeneração. Fazemos esse procedimento no consultório, guiado por ultrassom, com o paciente acordado, utilizando apenas anestesia local. Nos primeiros dias, o paciente pode sentir algum grau de dor. Por isso, recomendamos repouso na primeira semana após a infiltração. Geralmente, precisamos de duas aplicações para obter um bom resultado.
Resumo
Casos de epicondilite lateral que não melhoram com tratamento convencional podem se beneficiar com a infiltração do PRP (Plasma Rico em Plaquetas).
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